Segunda turno das eleições presidenciais no Peru expõe país dividido e apontam vitória de Keiko Fujimori

Por Marcus Paiva 
Jornalista

📢 O Peru voltou às urnas neste domingo para definir seu próximo presidente em um segundo turno que expõe, uma vez mais, as fraturas profundas de uma sociedade polarizada. De um lado, Keiko Fujimori, candidata da Força Popular, partido de extrema-direita e herdeira do legado de seu pai, o ex-ditador Alberto Fujimori, que governou de 1990 a 2000. Do outro lado, Roberto Sánchez, candidato de esquerda que carrega a bandeira de Pedro Castillo, deposto por um Golpe de Estado parlamentar e preso desde 2022 por tentativa de autogolpe de Estado, e promete conceder-lhe indulto caso eleito. Com 54.56% dos votos apurados Fujimori aparece com 52.63% e Sánchez com 47.37%, indicando a vitória de Keiko Fujimori. 
1️⃣ A pesquisa de boca de urna do Datum Internacional aponta 50,53% para Keiko Fujimori contra 49,47% para Roberto Sánchez, margem estreita o suficiente para manter o resultado em aberto e o país em suspenso. Por trás dos números, o mapa eleitoral repete um padrão já familiar na política peruana: o interior vota de um jeito, a capital decide de outro. Na capital Lima, onde vive cerca de um terço da população do país, Fujimori alcança 62,19% das intenções, contra 37,81% de Sánchez, vantagem que pode ser decisiva na apuração final. Nas regiões andinas do sul, território historicamente avesso ao fujimorismo, Sánchez obteve resultados expressivos: 82,22% em Puno e 77,27% em Cusco. No norte do país, o movimento inverso: a Força Popular mostrou sua maior força em Tumbes, com 64,37%, e em Lambayeque, com 62,27%. O resultado oficial deve ser conhecido nos próximos dias, à medida que a apuração avança em um país que já atravessa sua mais longa sequência de crises institucionais da história recente. 

2️⃣ Desde 2016 o Peru já teve 10 presidentes. O último a completar o mandato de 5 anos foi Ollanta Humala em 2016. Ele foi seguido por: Pedro Pablo Kuczynski que renunciou em 2018, Martín Vizcarra que foi derrubado em 2019 e substituído de maneira inconstitucional pelo congresso. Sua vice, Mercedes Aráoz ficou no cargo por um dia e Martín Vizcarra retornou mas sofreu um impeachment inconstitucional em 2020. O presidente do congresso Manuel Merino assumiu por 5 dias e renunciou após violentos protestos. Francisco Sagasti foi eleito pelo congresso presidente até 2021 para mandato-tampão. Pedro Castillo foi eleito mas ao tentar escapar de um impeachment tentou um autogolpe e foi derrubado pelo congresso em 2022. Sua vice Dina Boluarte sofreu impeachment em 2025. O presidente do congresso José Jerí que se tornou presidente interino também sofreu impeachment em 2026 e desde fevereiro, José María Balcázar foi eleito pelo congresso para mandato-tampão.


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