Colômbia terá segundo turno nas eleições presidenciais entre a extrema-direita e a esquerda governista

Por Marcus Paiva 
Jornalista

📢 A eleição presidencial da Colômbia irá para o segundo turno em 21 de junho, entre um candidato de esquerda governista e um de extrema-direita, em extremos opostos do espectro político, após a votação de domingo não ter produzido um vencedor geral. O empresário e advogado criminalista de extrema-direita, Abelardo de la Espriella, do partido Movimento de Salvação Nacional, obteve 44,51% dos votos. Ele enfrentará o senador de esquerda Iván Cepeda no segundo turno, em 21 de junho. Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, obteve cerca de 41,62% dos votos, apesar das pesquisas terem indicado sua vitória.

1️⃣ De la Espriella é visto como um conservador pró-EUA alinhado politicamente com o presidente Trump e que quer replicar o modelo do presidente de El Salvador Nayib Bukele, na Colômbia. Enquanto Cepeda representa a coalizão de esquerda ligada ao governo do atual presidente Gustavo Petro. Os dois candidatos apresentam abordagens bastante distintas em relação ao longo conflito interno da Colômbia, que se intensificou nos últimos anos. A extrema-direita não obteve uma vitória esmagadora, mas fez uma operação de resgate bem-sucedida. 

2️⃣ O eleitorado conservador operou sob uma onda de pânico. O discurso do combate ao narcotráfico e de segurança pública que fez Bukele vencer em El Salvador, Noboa vencer no Equador, Paz vencer na Bolívia, Kast vencer no Chile, Laura Delgado vencer na Costa Rica e Asfura em Honduras, pode levar a uma vitória de Espriella na Colômbia. Os eleitores colombianos da direita vendo que Paloma Valencia, a candidata da direita tradicional, não estava ganhando força e que Cepeda consolidava seus 40%, aplicaram o atalho esperado: abandonaram a abordagem moderada do Centro Democrático e se refugiaram na retórica estridente de De la Espriella para garantir a passagem para o segundo turno.

3️⃣ De la Espriella esgotou suas reservas de votos estratégicos no primeiro turno. Seus 44,51% não são apenas um ponto de partida; são praticamente seu teto: a soma matemática com os votos restantes de Paloma Valencia não lhes daria a presidência, pelo menos em teoria. Sem rodeios, para vencer Cepeda precisa estabelecer sutilmente sua própria identidade. Ele é um homem do meio acadêmico, dos direitos humanos e dos procedimentos legislativos. Ele precisa capitalizar esse contraste. Diante do histrionismo e da estridência de um advogado criminalista como De la Espriella, Cepeda precisa projetar a imagem de um estadista sereno. O enquadramento precisa mudar de "Mudança vs. Continuidade" para "Maturidade Constitucional vs. Salto no Vazio". 

4️⃣ Presumir que os 7,04% de Valencia irão automaticamente para De la Espriella é um erro de diagnóstico e estratégico. Essa porcentagem é heterogênea: não é composta apenas por uribistas radicais; inclui também o voto de Oviedo em Bogotá, tecnocratas, jovens da classe média e institucionalistas que detestam o estilo e o culto à personalidade do populismo de direita. E será crucial construir urgentemente pontes programáticas com os setores moderados dessa coalizão. Não buscando o apoio de ninguém, mas falando diretamente com seus eleitores em sua linguagem sobre estabilidade econômica, respeito aos direitos de propriedade e segurança jurídica (sua agenda).

5️⃣ Se Cepeda conseguir que uma porcentagem desse bloco se abstenha ou vote em branco por desgosto com o estilo de De la Espriella, ele poderá quebrar a espinha dorsal da direita. Assim como em 2022, a presidência não será decidida pela divisão dos remanescentes de Fajardo ou Valência, mas sim pela mobilização das pessoas que desta vez ficaram em casa (cerca de 47%). Não tentando convencê-los de que Cepeda é a solução, mas fazendo-os perceber que De la Espriella na Casa de Nariño (Palácio Presidencial) neste momento representa um risco real para suas liberdades civis e para a estabilidade do país. 

6️⃣ A chave é que o medo justificado do radicalismo da extrema-direita se mostra mais mobilizador do que o medo clássico e narrativo do progressismo. Em conclusão, De la Espriella é um candidato altamente ideologizado e com uma identidade bem definida. Isso o torna forte na união de apoiadores, mas extremamente vulnerável à expansão de sua base. Se Cepeda permitir que as eleições se reduzam a um debate "esquerda-direita", os números não importam. Mas se ele transformar a eleição em um teste de sanidade democrática e estabilidade institucional, Iván Cepeda muito provavelmente será eleito presidente da Colômbia em 21 de junho.



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