O parlamento do Iraque escolheu um outsider como novo primeiro-ministro
Por Marcus Paiva
Jornalista
⚠️ Após meses de disputas políticas, o Quadro de Coordenação do Iraque nomeou, na segunda-feira, Ali al-Zaidi, um empresário multimilionário, como o candidato de consenso do bloco xiita governante. Como os partidos políticos e as facções étnico-sectárias não conseguiram chegar a um acordo entre seus líderes, nomearam um outsider completamente desconhecido. Diferentemente de seus antecessores, al-Zaidi não possui experiência em cargos políticos ou administração pública. Nascido na capital, Bagdá, em uma família proeminente originária da província de Dhi Qar, no sul do país, ele construiu sua carreira nos setores privado. Bacharel em direito e finanças, além de um mestrado em bancos e finanças, al-Zaidi é membro da Ordem dos Advogados do Iraque.
1️⃣ A ascensão repentina de Al-Zaidi nasceu de um grave impasse político dentro da Coligação de Coordenação, o maior bloco parlamentar xiita do Iraque, que já havia perdido o prazo constitucional de 26 de abril para indicar um candidato. O ex-primeiro-ministro al-Maliki garantiu o apoio da grande maioria do bloco após entrar na corrida presidencial em janeiro. No entanto, sua candidatura foi abruptamente interrompida devido à forte oposição do presidente Trump, que ameaçou cortar o apoio ao Iraque. Washington aumentou ainda mais a pressão ao suspender a cooperação e o financiamento das agências de segurança iraquianas, emitindo um alerta contundente contra qualquer governo influenciado por figuras e facções armadas ligadas ao Irã.
2️⃣ É necessário lembrar que após a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos em 2003 e a queda do regime de Saddam Hussein, os ocupantes estadunideses e a Autoridade Provisional da Coalizão implementaram um novo sistema de partilha de poder político baseado no sistema de partilha libanês. Conforme o acordo de partilha de poder Muhasasah entre os principais partidos políticos que representam os principais grupos étnicos e religiosos do país, o cargo de Primeiro-Ministro fica reservado para um xiita árabe (representando a maioria demográfica do país), o cargo de Presidente da República fica reservado para um curdo e o cargo de Presidente do Parlamento fica reservado para um sunita árabe. No Líbano a presidência é reservada a um cristão Maronita (e desde o fim da guerra civil, um general cristão Maronita), o cargo de Primeiro-Ministro reservado a um sunita e o cargo de presidente do parlamento a um xiita.
3️⃣ Hoje, o presidente do Iraque, Nizar Amedi, nomeou al-Zaidi, como primeiro-ministro designado e o incumbiu de formar um governo, evitando assim uma crise constitucional. A ascensão de Al-Zaidi ocorre após meses de uma busca frenética por um candidato de consenso aceitável tanto para as facções locais quanto para as potências estrangeiras. O ex-presidente Nouri al-Maliki, uma figura pró-Irã profundamente controversa, foi forçado a desistir da corrida presidencial após a oposição do presidente dos EUA, Donald Trump. O primeiro-ministro cessante, Mohammed Shia al-Sudani, que chegou ao poder por meio do Quadro de Coordenação em 2022, não conseguiu apoio para um segundo mandato. Tanto o Irã quanto os EUA mantêm laços estreitos com Bagdá. Como o primeiro-ministro é sempre um xiita, há grande influência do Irã sobre a escolha do nome que ocupará esse cargo. Já os EUA influenciam na escolha do presidente, que é sempre um Curdo, e o governo autônomo do Curdistão Iraquiano é um forte aliado os EUA.
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