Novo primeiro-ministro da Hungria Péter Magyar pede a renúncia do presidente e anuncia reforma constitucional
Por Marcus Paiva
Jornalista
⚠️ Péter Magyar, o novo primeiro-ministro eleito da Hungria, é um conservador de centro-direita e promete ser pragmático na política externa. Em sua coletiva de imprensa pós-eleitoral de hoje, como primeiro-ministro eleito, Magyar anunciou planos para emendar a Constituição da Hungria, introduzindo um limite de dois mandatos para o primeiro-ministro. Segundo ele, uma vez aprovadas as mudanças, Viktor Orbán não poderá mais retornar ao cargo, visto que já ultrapassou 16 anos no poder. Para que a medida entre em vigor, as emendas ainda precisam ser aprovadas em votação constitucional mas não será difícil, pois o TISZA, partido de Magyar detém uma supermaioria no parlamento.
1️⃣ Em discurso para seus apoiadores em Budapeste, Magyar pediu a renúncia do presidente Tamás Sulyok, que é do mesmo partido do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, o Fidesz. Além disso, pediu a dissolução do parlamento. Magyar também exigiu a renúncia de "todos os fantoches" da era Orbán. No comício, o líder do partido Tisza prometeu que em breve iria a Bruxelas para desbloquear os empréstimos para a Hungria congelados por causa de Orbán. Magyar é contra a imigração, é favorável ao aumento do gasto em defesa, já foi aliado de Orbán, já foi do partido Fidesz, e quer desmontar toda estrutura de governo montada por Orbán. Porém, na política externa, Magyar vai manter um pragmatismo, buscando as vantagens tanto da UE quanto da Rússia, sem se aproximar tanto, em uma espécie de equidistância pragmática.
2️⃣ Para além disso, não há grandes mudanças. A Hungria continuará comprando petróleo russo (enquanto diversifica suas fontes de energia para garantir segurança e preços baixos). Segundo Magyar: "não podemos nos desvincular". A Hungria não participará/contribuirá com o empréstimo de € 90 bilhões da UE para a Ucrânia mas retirará o veto à aprovação da UE, e continuará a ser contra à adesão acelerada da Ucrânia à UE. Espera que a UE suspenda as sanções contra a Rússia após o fim da guerra ("imediatamente... para evitar preços mais altos"). "O nosso país quer viver de novo. Quer voltar a ser um país europeu", disse Péter Magyar diante da multidão que gritava: "Russos, vão para casa!". Além disso, a reivindicação de uma lei linguística/direitos das minorias para os falantes de húngaro na Ucrânia está em consonância com a posição de longa data de Budapeste, embora não tenha sido enfatizada recentemente.
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