Israel mantém ataques contra o Líbano e acordo de paz entre Irã e EUA fracassa

Por Marcus Paiva 
Jornalista 

📣 A negociação para um acordo de paz entre EUA e Irã falhou. Foram mais de 21 horas de negociações bilaterais intensas. O vice-presidente estadunidense JD Vance ligou cerca de 12 vezes para o presente Trump e recebeu uma ligação do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Os EUA exigiram que o Irã entregasse o urânio enriquecido e abrisse o Estreito de Ormuz, sem reconhecer a soberania iraniana sobre a região. Esses dois pontos eram linhas vermelhas para os dois países. Outra linha vermelha que fez as negociações desabarem foi o Líbano. Os EUA não conseguiram impedir os ataques de Israel contra o país, uma exigência pré-estabelecida pelo Irã. Os dois países não cederam em nenhuma de suas linhas vermelhas e a janela se fechou. JD Vance deixou o hotel Serena, entrou no "Air Force two" com a delegação estadunidense e está retornando para Washington sem um acordo e com muitas ameaças ao Irã. JD Vance não foi para negociar mas para tentar impor pessoalmente pressão para que o Irã assinasse uma rendição incondicional.

1️⃣ O vice-presidente dos EUA afirmou em Islamabad que, após 21 horas de negociações, nenhum acordo foi alcançado. A delegação estadunidense está deixando o Paquistão e o segundo dia de negociações foi cancelado. Ele disse que Washington ofereceu termos “flexíveis”, mas o Irã os rejeitou e não assumiu nenhum compromisso em relação ao seu programa nuclear. "A má notícia é que não chegamos a um acordo. E acho que isso é uma notícia muito pior para o Irã do que para os Estados Unidos. Então, voltando ao fato de que os Estados Unidos não chegaram a um acordo, deixamos muito claro quais são nossas linhas vermelhas, em que pontos estamos dispostos a ceder e em que pontos não estamos, e deixamos isso o mais claro possível, e eles optaram por não aceitar nossos termos", disse o vice-presidente Vance.

2️⃣ O ministro das Relações Exteriores iraniano Abbas Araghchi disse: "Estamos desapontados com o comportamento dos EUA. A ligação de Netanyahu para Vance durante a reunião desviou o foco das negociações EUA-Irã para os interesses de Israel. Os EUA tentaram alcançar na mesa de negociações o que não conseguiram através da guerra. Viemos aqui de boa fé, a conferência de imprensa de Vance antes de deixar o Paquistão foi desnecessária, estamos comprometidos e preparados para salvaguardar os interesses e a soberania da nossa nação". Já o presidente da Turquia Erdoǧan acusou Israel de atrapalhar o acordo de paz entre EUA e Irã: “No dia do cessar-fogo, Israel matou centenas de libaneses inocentes. Netanyahu está cego de sangue e ódio. Se não fosse pela mediação do Paquistão, teríamos entrado na guerra". O Ministério das Relações Exteriores da Turquia em um comunicado afirmou: "O objetivo atual de Netanyahu é minar as negociações de paz em curso e dar continuidade às suas políticas expansionistas na região. Caso contrário, ele corre o risco de ser julgado em seu próprio país e provavelmente será condenado à prisão". 
 
3️⃣ As negociações em Islamabad nunca tiveram como objetivo o sucesso, mas sim provar que eram inviáveis. Desde o início, informações da CIA e do Mossad indicavam que a divisão com a República Islâmica do Irã era intransponível. Não se tratava de uma lacuna a ser preenchida, mas sim de um choque de princípios fundamentais, essenciais para a sobrevivência do regime. As 21 horas de negociações apenas confirmaram isso. Sessões longas, mudanças de posição e nenhuma mudança em questões centrais. A divisão ficou mais evidente, não menor. Enviar J.D. Vance fazia parte da estratégia. Para alguém cético em relação à guerra, sentar-se à mesa de negociações e presenciar a situação em primeira mão elimina o argumento de que uma diplomacia mais eficaz poderia ter funcionado. Esta não foi uma negociação fracassada. Foi a confirmação de que nenhum acordo real jamais seria possível.



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