Irã muda nome do substituto de Larijani pela terceira vez e escolhe o general mais radical do regime para chefiar a segurança nacional

Por Marcus Paiva 
Jornalista 

📣 O linha-dura de longa data e mais radical de todos os generais iranianos Mohammad Bagher Zolghadr foi nomeado Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, substituindo Ali Larijani. Ele foi o terceiro nome a ser indicado lara o cargo em menos de um mês. O diplomata Saeed Jalili e o General Hossein Dehghan foram nomeados anteriormente. O general Zolghadr não é uma figura nova que surge em um momento de crise, mas sim um produto das redes de segurança revolucionárias originais da República Islâmica. Um homem cuja carreira abrange o ativismo armado, o alto comando dentro da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e funções influentes nas instituições políticas e judiciais do Irã. Ele é um dos últimos remanescentes dos revolucionários radicais que se armaram contra a monarquia Pahlavi.

1️⃣ Zolghadr é ex-vice-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), e pertence à geração que ajudou a transformar a Guarda na espinha dorsal da República Islâmica, não apenas como força militar, mas também como centro de poder político e econômico. Ao longo de décadas, a guarda Revolucionária expandiu sua influência por todo o Estado, consolidando-se em instituições-chave, do Ministério do Interior ao Judiciário. Zolghadr é o pai da Força Quds, a unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica responsável por gerenciar as milícias aliadas do Irã e projetar poder no Oriente Médio, colocando-o ao lado do sistema posteriormente comandado por Qassem Soleimani, o arquiteto da estratégia regional do Irã. 

2️⃣ Sua nomeação, a terceira após o assassinato de Larijani reforça a consolidação do poder por figuras militares linha-dura. O que vinha sendo uma mudança gradual ao longo de décadas parece ter se intensificado em meio ao conflito atual, com a Guarda Revolucionária reforçando seu controle tanto sobre a segurança nacional quanto sobre a tomada de decisões políticas. Lembrando que a eleição do líder supremo Aiatolah Mojtaba Khamenei foi devido a pressão do comando da guarda Revolucionária sobre a Assembleia dos peritos. A Força Quds, o braço externo da Guarda Revolucionária Islâmica, tem estado no centro da projeção de poder regional do Irã, treinando e dirigindo milícias do Iraque à Síria, onde ajudou a sustentar a guerra de Bashar al-Assad em um conflito marcado por sofrimento generalizado da população civil.

3️⃣ Zolghadr faz parte das famílias que vêm formando o núcleo do poder da República Islâmica. A ascensão de Zolghadr não representa um rompimento com esse sistema, mas sim uma sua continuidade, refletindo o domínio duradouro de uma rede coesa de pessoas influentes provenientes das instituições revolucionárias e de segurança da República Islâmica. Seu papel na repressão interna também remonta a décadas. Durante os protestos estudantis de 1999, um momento crucial na violenta repressão da dissidência pelo regime, Zolghadr estava entre um grupo de comandantes seniores da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) que assinaram uma carta contundente ao então presidente reformista Mohammad Khatami. A mensagem alertava que, se o governo não conseguisse esmagar decisivamente os protestos, a Guarda agiria por conta própria. Uma clara ameaça de Golpe militar.

4️⃣ O episódio é amplamente visto como um ponto de virada, marcando uma disposição mais explícita da IRGC em intervir diretamente na política e, para muitos iranianos, consolidando o fracasso final do movimento reformista. Sua trajetória política há muito se alinha com as correntes mais radicais do Irã. Ele desempenhou um papel na ascensão do ex-presidente principialista linha-dura Mahmoud Ahmadinejad e, posteriormente, reconheceu que facções conservadoras realizaram esforços coordenados para garantir essa vitória. No cargo, adotou uma postura de confronto em relação aos Estados Unidos, alertando que o Irã responderia a qualquer ataque com uma ofensiva esmagadora de mísseis. 

5️⃣ Durante a Guerra Irã-Iraque, ele liderou unidades que combateram em operações transfronteiriças, experiência que ajudaria a moldar a ênfase duradoura do regime na guerra assimétrica. Zolghadr estava entre aqueles que ajudaram a conceber a doutrina mosaico, juntamente com figuras como Qassem Soleimani, construindo um sistema descentralizado capaz de operar mesmo sob ataques contínuos. Eles criaram essa hierarquia assimétrica onde as unidades podem agir de forma independente e continuar operando mesmo se a liderança for cortada, replicando o que ocorre no sistema político colegiado via mosaico na doutrina militar. Esse sistema agora é visível na postura militar do Irã, com capacidades dispersas de mísseis e drones por toda a região.

6️⃣ O fato de ele não ter sido eliminado é uma má notícia para Trump e Netanyahu. Ele é uma das principais pessoas que entendem muito bem como esse sistema funciona. Zolghadr provavelmente tem conhecimento de áreas sensíveis, incluindo o programa nuclear do país. Para os iranianos comuns, sua ascensão é muito semelhante à de seu antecessor, Ali Larijani, que foi eliminado em um ataque aéreo israelense na madrugada de 16 de março em Teerã. Enquanto Larijani foi se moderando ao longo dos anos, Zolghadr se radicalizou. Sua nomeação reforça uma realidade constante: o poder na República Islâmica permanece concentrado em um pequeno círculo de pessoas influentes, muitas das quais são generais e estão no centro do sistema desde os seus primórdios.
 

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