🇨🇺🇺🇲 Trump quer mudança de regime por decapitação em Cuba

Por Marcus Paiva 
Jornalista 

⚠️ Trump pretende usar a mesma estratégia de mudança de regime que usou na Venezuela em Cuba: A remoção rápida da liderança central e a sua substituição por uma nova liderança colaboracionista sem colapsar o regime. A base disso é a Lógica da Continuidade por um títere. O general Alejandro Castro Espín, filho do ex-presidente cubano Raúl Castro e sobrinho do também ex-presidente Fidel Castro, esteve no México para se encontrar com autoridades dos EUA  a fim de buscar uma solução negociada para a crise com Cuba. Alejandro Castro liderou o Conselho de Defesa e Segurança Nacional, um órgão poderoso que coordenava a inteligência e a segurança em toda a ilha e já desempenhou um papel fundamental como negociador secreto durante o processo de normalização das relações entre Cuba e os Estados Unidos durante o administração Obama (2014–2016).

1️⃣ Veículos de comunicação independentes cubanos noticiaram a viagem de Castro Espín ao México, afirmando que ele liderou uma delegação diplomática para se encontrar com enviados de Washington após os Estados Unidos terem bloqueado os carregamentos de petróleo para a ilha. As autoridades mexicanas não se pronunciaram sobre o assunto. Em meados de janeiro, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou que o governo do México está totalmente preparado para facilitar um diálogo diplomático entre Cuba e os Estados Unidos, desde que ambas as partes concordem. O jornal cubano foi um dos primeiros a noticiar as negociações e apontou que as conversas poderiam ter sido com a CIA. 

2️⃣ Cuba e os Estados Unidos concluíram sua primeira rodada de negociações no México, com um acordo de princípio para iniciar uma transição democrática, aguardando a aprovação final da Casa Branca. O general Alejandro Castro Espín transmitiu a um alto funcionário da CIA a disposição do regime de Castro em iniciar a democratização de Cuba, em troca de anistia para seu pai e outros altos funcionários do regime. Alejandro Castro, que já é visto como sucessor natural da linhagem Castro assumiria a presidência de cubana cooperando com os EUA e promovendo uma abertura lenta e gradual sem romper completamente com o regime assim como ocorreu na Venezuela depois da captura de Maduro. A motivação para essa mudança de regime por decapitação é óbvia: Evitar a resistência da alta cúpula das forças armadas e do partido comunista cubano.

3️⃣ O presidente cubano Miguel Díaz-Canel indicou que seu governo tem capacidade e disposição para dialogar com o governo de Donald Trump, desde que isso ocorra sem pressão e em condições de igualdade e respeito. Entretanto, o presidente Trump afirmou ter iniciado conversas com as autoridades de Havana e estar confiante de que se chegará a um acordo com a ilha. Trump, aumentou ainda mais a pressão sobre o governo cubano na quinta-feira (29/01), ao assinar uma ordem executiva que ameaça impor tarifas adicionais aos países que fornecem petróleo à ilha. Essa medida pode agravar a escassez de petróleo em Cuba, que já causa apagões massivos que duram horas todos os dias, além de outras graves consequências econômicas.

4️⃣ Após a recente intervenção dos EUA na Venezuela, Trump anunciou que não haveria mais remessas de petróleo para Cuba vindas do país sul-americano. Com sua nova ordem, ele põe em risco o fluxo de petróleo para a ilha proveniente de seu outro principal fornecedor: o México. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reagiu à medida acusando Trump de querer estrangular a economia cubana e chamando seu governo de "fascista, criminoso e genocida". Trump negou estar tentando estrangular Cuba, mas ao mesmo tempo afirmou que "a ilha não conseguirá sobreviver". Segundo dados da empresa belga Kpler, publicados pelo Financial Times, Cuba tem petróleo suficiente para apenas mais 15 a 20 dias.

5️⃣ Em termos estritos, a ordem executiva emitida por Trump na quinta-feira declara estado de emergência nacional, argumentando que "a situação em relação a Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos".
O documento acusa o governo cubano de "desestabilizar a região" e de se aliar a adversários dos EUA, como Rússia, China e Irã, e a "grupos terroristas" como o Hamas e o Hezbollah. Ao declarar estado de emergência em relação a Cuba, o governo Trump está argumentando, na prática, que o fornecimento de energia da ilha agora é uma questão de segurança nacional dos EUA. 

6️⃣ Em resposta à suposta ameaça representada por Cuba, a ordem busca dissuadir países terceiros de vender petróleo para a ilha sob a ameaça de tarifas mais altas. Desde seu primeiro mandato como presidente, Trump tem tomado medidas decisivas para enfraquecer o apoio econômico ao governo cubano. Em 2017, ele reverteu a política de abertura adotada por seu antecessor, Barack Obama, e restabeleceu restrições e sanções severas ao fluxo de dinheiro, bens e pessoas para Cuba.
Após a intervenção na Venezuela em 3 de janeiro, o presidente dos EUA afirmou que Cuba estava "pronta para cair", na medida em que deixaria de receber dinheiro daquele que fora seu aliado mais próximo por décadas.

 7️⃣ Nesta quarta-feira, perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, explicou: "Gostaríamos muito de ver uma mudança de regime, mas isso não significa que vamos provocá-la". Ele acrescentou: "Não há dúvida de que seria muito benéfico para os Estados Unidos se Cuba não fosse mais governada por um regime autocrático. Cuba necessita de cerca de 110 mil barris de petróleo por dia e produz aproximadamente 40 mil, o que a torna altamente dependente de importações. No auge da aliança entre Hugo Chávez e Fidel Castro, no início dos anos 2000, a ilha recebia cerca de 100 mil barris por dia da Venezuela.A situação agora é bem diferente. Segundo dados da Kpler publicados no Financial Times, até o momento, em 2026, Cuba recebeu apenas um carregamento, do México, de 84 mil barris de petróleo (o equivalente a menos de 3.000 barris por dia). 

8️⃣ A escassez foi agravada, naturalmente, pelo fato de que, após a intervenção de Trump no mercado petrolífero venezuelano, a ilha deixou de receber remessas do país sul-americano. "Não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba", declarou o presidente dos EUA em 11 de janeiro. O petróleo venezuelano tem sido vital para a ilha, mesmo nos últimos anos, quando os volumes de exportação têm diminuído.
Segundo observadores do setor e um alto funcionário americano citado pelo Miami Herald, o governo cubano utilizava o petróleo venezuelano não apenas para suprir parte de sua demanda interna, mas também para revendê-lo e obter divisas, algo que o país considera muito difícil sob o embargo americano. Diante da atual crise de escassez de petróleo, o México tornou-se a principal esperança de Cuba. Estima-se que, ao longo de 2025, o país tenha enviado cerca de 12 mil barris de petróleo por dia para Cuba.
Mas é justamente aí que a medida anunciada por Trump na quinta-feira pretende surtir efeito.

9️⃣ Segundo dados do Banco do México, desde que Claudia Sheinbaum assumiu a presidência, as exportações de petróleo para Cuba aumentaram consideravelmente.
Dados da Kpler indicam aproximadamente 12 mil barris por dia durante 2025. Sheinbaum argumenta que esses embarques são motivados por razões humanitárias; ou seja, visam evitar a interrupção do funcionamento de hospitais e outros serviços essenciais.
Ela reiterou isso na sexta-feira (30/01), durante sua coletiva de imprensa matinal, reagindo à medida anunciada por Trump.
"Impor tarifas aos países que fornecem petróleo para Cuba pode desencadear uma crise humanitária de grandes proporções", disse ela, acrescentando que o México buscará alternativas para evitá-la. No entanto, ela também reconheceu que não quer colocar o país em risco de ter mais tarifas impostas e, portanto, instruiu seu Ministro das Relações Exteriores, Juan Ramón de la Fuente, a entrar em contato com o governo dos EUA para entender o alcance da ordem executiva. Segundo Sheinbaum, os embarques de petróleo para Cuba representam menos de 1% da produção total do México.

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