🇺🇲🇮🇷 Trump quer atacar o Irã para forçar uma mudança de regime
Jornalista
🚩 O presidente Donald J. Trump está avaliando um ataque militar inicial limitado contra o Irã para forçá-lo a atender às suas exigências para um acordo nuclear. Essa primeira medida teria como objetivo pressionar Teerã a aceitar um acordo, mas não chegaria a ser um ataque em grande escala que pudesse inspirar uma retaliação significativa contra as forças estadunidenses no Oriente Médio. O ataque inicial, se autorizado por Trump, terá como alvo algumas instalações militares ou governamentais. Caso o Irã ainda se recusasse a cumprir a diretiva de Trump para encerrar seu enriquecimento de urânio, os EUA responderiam com uma ampla campanha contra instalações do regime dos Aiatolás, potencialmente com o objetivo de derrubar o regime.
⚠️ Trump, levantou publicamente a possibilidade de derrubar o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, um antigo adversário dos EUA, sugerindo na semana passada que seria "a melhor coisa que poderia acontecer" se o Irã acabasse com novos líderes. Os Estados Unidos mobilizaram essa "Diplomacia das canhoneiras", com 50 mil militares, navios e aviões de guerra para bases no Oriente Médio e em suas proximidades, e deu um ultimato ao líder supremo Aiatolah Ali Khamenei. Trump sugeriu na quinta-feira que ataques contra o Irã poderiam começar "em 10 dias" caso não se chegue a um acordo sobre seu programa nuclear. Os dois países estão em meio a negociações indiretas na Suíça. Trump afirmou que os EUA "podem ter que ir além" caso as negociações fracassem.
1️⃣ A acumulação de forças estadunidenses no Oriente Médio já é a maior desde a invasão do Iraque em 2003. Dois grupos de ataque com porta-aviões nucleares foram enviados para a região: O USS Abraham Lincoln (CVN-72), que já está em operação no Mar Arábico, e o USS Gerald R. Ford (CVN-78) o maior do mundo, que estava na operação Lança do Sul que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro. Ele está entrando no Mar Mediterrâneo e irá posicionar seu grupo de ataque próximo a Israel. Isso implica a entrada do CVN-78 na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA (USCENTCOM), refletindo a importância que o atual governo republicano atribui à situação no Oriente Médio e às negociações em curso com o regime iraniano.
2️⃣ Nesse contexto, a nova movimentação do USS Gerald Ford também chama a atenção para a extensão de seu período de operação sem precisar entrar em porto para manutenção e reparos. Caso permaneça no teatro de operações até abril ou maio, o CVN-78 poderá ultrapassar 200 dias consecutivos de operações, aproximando-se dos mais de 300 dias de operação realizados pelos porta-aviões estadunidenses no Golfo de Tonkin durante a Guerra do Vietnã. A chegada do USS Gerald R. Ford à região também recria uma situação de operação iminente, quando os Estados Unidos tinham dois porta-aviões de propulsão nuclear operando no Oriente Médio, o USS Nimitz (CVN-68 ) e o USS Carl Vinson (CVN-70), para a Operação Midnight Hammer, em junho de 2025, durante a qual o programa nuclear do Irã foi alvo de bombardeiros furtivos B-2 Spirit.
3️⃣ Quando o CVN-78 chegar com seu grupo de ataque, e se juntar às operações ao lado do USS Abraham Lincoln, o destacamento estadunidense na região chegará a quinze destróieres, além da presença de submarinos não identificados, juntamente com os grupos aéreos embarcados de ambos os porta-aviões. Estes incluem caças F/A-18 e F-35C Lightning II, aeronaves de ataque eletrônico EA-18G, aeronaves de alerta aéreo antecipado E-2D, helicópteros de busca e salvamento MH-60 e aeronaves de apoio CMV-22B. Estima-se que existam mais de 120 aeronaves de combate operando nas proximidades do Irã. Pelo menos três esquadrões de F-35A (caças furtivos de 5ª geração). Cerca de 12 caças F-22 Raptor.
Aproximadamente 48 caças F-16 Fighting Falcon. Esquadrões de F-15E Strike Eagle e aviões de ataque A-10 Thunderbolt II. Mais de 40 aviões de reabastecimento (KC-46 e KC-135) para manter os caças no ar por longos períodos. Aeronaves de comando e controle E-3 Sentry (AWACS) e drones de vigilância de alta altitude, como o U-2 Dragon Lady.
4️⃣ O USS Abraham Lincoln que está no Mar Arábico (próximo a Omã) carrega cerca de 80 aeronaves, incluindo F/A-18E/F Super Hornets e EA-18G Growlers). Essas aeronaves estão operando a partir desses 2 porta-aviões e bases aliadas estratégicas, como: Base Aérea de Al-Udeid (Qatar), Base Aérea Muwaffaq Salti (Jordânia), Base de Prince Sultan (Arábia Saudita) e Diego Garcia (Oceano Índico), usada para bombardeiros pesados como o B-52 e o B-2. Imagens de satélite da China mostram o contínuo destacamento de aeronaves P-8A, KC-135 e C-130 na base de Diego Garcia. De particular interesse, uma aeronave C-32B chegou à base nas últimas horas.
❗️Ontem, o presidente Trump retirou seu apoio ao plano de devolução das Ilhas Chagos à República de Maurício depois que o Reino Unido da Grã-Bretanha se recusou a permitir que os EUA utilizassem bases militares para apoiar sua capacidade de atacar o Irã. Os EUA queriam usar as bases de Diego Garcia e Fairford, mas os acordos exigem o consentimento britânico. Londres teme apoiar um ataque preventivo, que viola o direito internacional, enquanto o presidente Trump argumenta que o Irã ameaça as bases estadunidenses e britânicas na região. Embora o governo britânico ainda queira prosseguir com o acordo, muitos funcionários reconhecem que, sem o apoio dos EUA, o acordo corre o risco de fracassar.
‼️ Outro ponto que merece atenção é que o Irã está realizando o exercício trilateral "Cinturão de Segurança Marítima 2026", o principal exercício militar naval da região. Irã, China e Rússia estão simulando ataques e uma guerra naval no Mar de Omã e norte do Oceano Índico, bem próximo do Estreito de Ormuz, um importante Chocke Point geopolítico. O líder supremo Aiatolah Ali Khamenei deixou claro que se o país for atacado vai retaliar fechando o Estreito de Ormuz e atingir os navios estadunidenses. Muitas pessoas perguntam o que aconteceria se o Estreito de Ormuz fosse fechado, mesmo que brevemente: Os preços do petróleo poderiam subir para mais de US$ 100-130 por barril (ou mais, no pior cenário). Estimativas sugerem que o PIB global poderia cair de 0,3% a 0,8% ou mais, e que recessões ocorreriam em todo o mundo.
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