🇱🇾 Saif al-Islam Gaddafi, filho de Muammar Gaddafi, foi morto a tiros na Líbia
Jornalista
🚩 Saif al-Islam Gaddafi, o filho mais proeminente do antigo líder líbio Coronel Muammar Gaddafi, foi morto a tiros. Quatro homens armados e com mascaras mataram Gaddafi em sua casa na cidade de Zintan, a cerca de 136 Km a sudoeste da capital líbia, Trípoli. A equipe de assessoria política de Gaddafi divulgou um comunicado afirmando que ele entrou em confronto com os agressores, que desligaram as câmeras de segurança da casa antes do ataque. Gaddafi nunca ocupou um cargo oficial na Líbia, mas era considerado o número dois e sucessor de seu pai de 2000 até 2011, quando Muammar Gaddafi foi derrubado e morto pelas forças da oposição e de intervenção da OTAN. Saif al-Islam Gaddafi foi capturado e preso em Zintan em 2011, após tentar fugir do país na sequência da tomada de Trípoli pela oposição. Ele foi libertado em 2017 como parte de uma anistia geral e vivia escondido em Zintan desde então.
1️⃣ Nascido em junho de 1972 em Trípoli, Saif al-Islam Gaddafi era o segundo filho do Coronel Muammar Gaddafi, que governou a Líbia de 1969 a 2011. Saif al-Islam era um Homem de formação ocidental representava uma face progressista em contraste com o governo ortodoxo liderado por seu pai e desempenhou um papel fundamental nos esforços para reparar as relações da Líbia com o Ocidente, a partir do início dos anos 2000. Ele liderou as negociações para que a Líbia abandonasse suas armas de longo alcance e negociou indenizações para as famílias das vítimas do atentado ao voo 103 da Pan Am sobre Lockerbie, na Escócia, em 1988. PhD pela London School of Economics e fluente em inglês, ele também se apresentou como um reformador, defendendo uma constituição e o respeito aos direitos humanos. Sua tese abordou o papel da sociedade civil na reforma da governança global.
2️⃣ Mas quando a primavera árabe chegou e a oposição atacou o longo regime de Gaddafi em 2011, Saif al-Islam Gaddafi imediatamente priorizou a família e o clã, tornando-se um dos arquitetos da brutal repressão aos dissidentes, a quem chamava de ratos. Em declarações à agência de notícias Reuters na época da revolta popular na Líbia em 2011, ele disse: "Lutamos aqui na Líbia, morremos aqui na Líbia." Ele alertou que rios de sangue correriam e que o governo lutaria até o último homem, mulher e bala. “Toda a Líbia será destruída. Precisaremos de 40 anos para chegar a um acordo sobre como governar o país, porque hoje todos vão querer ser presidente ou emir, e todos vão querer governar o país”, disse ele.
3️⃣ Saif al-Islam Gaddafi foi acusado de tortura e violência extrema contra opositores ao regime de seu pai e, em fevereiro de 2011, foi incluído na lista de sanções das Nações Unidas e proibido de viajar. Ele também era procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade cometidos em 2011. Após os rebeldes tomarem a capital, Trípoli, ele tentou fugir para o vizinho Níger disfarçado de beduíno. Mas foi capturado pela milícia da Brigada Abu Bakr Sadik em uma estrada deserta e levado de avião para Zintan. Após longas negociações com o TPI, as autoridades líbias receberam autorização para julgar Gaddafi por crimes de guerra. Seu pai, o Coronel Muammar Gaddafi, tentou fugir mas foi morto por um grupos de rebeldes no mesmo ano.
4️⃣ Em 2015, um tribunal de Trípoli o condenou à morte à revelia. Ele foi libertado da prisão em 2017 por uma anistia geral, e passou anos na clandestinidade em Zintan para evitar ser assassinado. Em novembro de 2021, Saif al-Islam Gaddafi anunciou sua candidatura à eleição presidencial do país, numa decisão controversa que gerou protestos das forças políticas anti-Gaddafi no oeste e leste da Líbia. À medida que o processo eleitoral se arrastava naquele ano sem um acordo real sobre as regras, a candidatura de Gaddafi tornou-se um dos principais pontos de discórdia. Ele foi desqualificado devido à sua condenação de 2015, mas quando tentou recorrer da decisão, os combatentes bloquearam o tribunal. Os argumentos que se seguiram contribuíram para o colapso do processo eleitoral e para o retorno da Líbia ao impasse político.
5️⃣ 15 anos. Saif al-Islam Gaddafi sobreviveu a mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional, a sentenças de morte, caçadas de milícias e ao caos da Líbia dividida em dois Estados: A Líbia, apoiada pela Turquia, presidida por Mohamed al-Menfi e seu primeiro-ministro Abdul Hamid Dbeibeh, A Líbia Cirenaica (Oeste cuja a capital é Tobruk), apoiada pelo Egito, governada pelo Marechal Khalifa Haftar e seu primeiro-ministro Osama Hammad. Esta noite, Saif al-Islam Gaddafi foi assassinado. Quatro agentes invadiram seu esconderijo, o mataram e desapareceram. Nenhum grupo ou facção assumiu a responsabilidade. Essa operação de precisão exige treinamento de elite, contatos estratégicos e acesso as câmeras que foram desligadas. Apenas agências de inteligência estrangeiras executam esse nível de operação.
6️⃣ Sua morte ocorreu 48 horas após uma reunião em Paris, mediada pelo conselheiro presidencial dos EUA, Massad Boulos, entre o general Saddam Haftar, vice-comandante do Exército Nacional Líbio e filho do marechal Khalifa Haftar, e Ibrahim Dbeibeh, conselheiro de segurança nacional do primeiro-ministro do Governo de Unidade Nacional, Abdulhamid Dbeibeh. Círculos pró-Gaddafi veem uma conexão. O momento da reunião levanta questionamentos. Saif estava escondido desde 2017, temendo ser assassinado. Sua única aparição pública foi para se registrar para as eleições presidenciais em novembro de 2020, antes de ser impedido fisicamente de entrar no tribunal de Sabha por forças ligadas a Haftar em dezembro. Ele obteve uma votação maior que a de Haftar. Isso o tornou uma ameaça.
7️⃣ Quem se beneficia? O Marechal Haftar elimina seu maior rival político. O caminho da sucessão está aberto para seu filho Saddam Haftar. O primeiro-ministro de Trípoli, Dbeibeh, elimina a incógnita que poderia ter comprometido qualquer acordo político. Os EUA enfraquecem qualquer tentativa de recriar a Líbia de Gaddafi, eliminando um moderado com forte popularidade. A família Gaddafi não se recuperará. Aisha em Omã, Saadi em Istambul, Hannibal recém-saído da prisão libanesa, Muhammad na Argélia, nenhum deles consegue manter o peso político que Saif tinha. Ex-figuras do regime de Gaddafi já migraram para o lado de Haftar que acumula mais poder político e militar a cada dia.
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