🇯🇵 Primeira-Ministra do Japão quer reforma constitucional para a militarização do Japão
Jornalista
⚠️ O Japão está superando seu “pacifismo limitado” e se posicionando como um ator militar e político ativo na região. A primeira-ministra conservadora do Japão, Sanae Takaichi, que foi reconduzida ao cargo, discursou no parlamento, delineando uma nova estratégia de defesa que vincula o crescimento econômico à expansão militar. Takaichi, eleita em outubro de 2025 quer a mudança da redação atual do Artigo 9 da Constituição japonesa. Sua crítica não é apenas jurídica, mas ideológica e estratégica. Para ela, o Artigo 9 é o símbolo de um Japão "incompleto" e vulnerável. A crítica de Takaichi é a contradição entre o texto constitucional e a realidade.
1️⃣ O Artigo 9 afirma que o Japão nunca manterá "potencial de guerra", mas o país possui uma das forças militares mais modernas do mundo (as SDF). Takaichi argumenta que é uma "humilhação" e um "desrespeito" aos membros das SDF que sua existência não seja formalmente reconhecida na Constituição. Ela defende a inclusão explícita das Forças de Autodefesa no texto para dar-lhes legitimidade constitucional plena. Seguindo a linhagem de seu mentor, Shinzo Abe, Takaichi critica o Artigo 9 por ser uma "imposição" dos Estados Unidos durante a ocupação pós-Segunda Guerra Mundial.
2️⃣ Ela sustenta que um Estado que não pode declarar formalmente seu direito de defesa e possuir forças militares convencionais não é um "Estado normal" ou plenamente soberano. Para ela, a segurança nacional deve ser baseada na capacidade de dissuasão própria, e não apenas na dependência do guarda-chuva nuclear americano. Takaichi critica as restrições que impedem o Japão de agir de forma mais assertiva em crises regionais (especialmente em relação a Taiwan e à Coreia do Norte). Ela argumenta que a interpretação atual limita o Japão a ser apenas um "escudo", enquanto o mundo exige que o país tenha capacidades de "contra-ataque" (espada) para evitar agressões.
3️⃣ Sob seu governo em 2026, ela tem acelerado a aquisição de mísseis de longo alcance, alegando que o Artigo 9 não deve ser um "pacto de suicídio" diante de ameaças modernas. Takaichi frequentemente descreve o pacifismo atual do Japão como "passivo". Ela defende o que chama de "Pacifismo Proativo". Para ela manter o Artigo 9 intocado não garante a paz; pelo contrário, pode convidar à agressão de vizinhos como a China ao sinalizar fraqueza ou ambiguidade legal. Em seu discurso, ela citou a China como a principal fonte de instabilidade nos mares do Leste e do Sul da China, além de mencionar a Rússia e a Coreia do Norte como desafios.
4️⃣ Seu governo planeja revisar seus três documentos fundamentais de defesa para abordar “novas formas de guerra” e se preparar para conflitos prolongados, sinalizando uma mudança da dissuasão limitada para o confronto de longo prazo. Takaichi também pretende flexibilizar as restrições à exportação de armas letais, visando expandir os mercados e fortalecer a produção de defesa do Japão por meio da cooperação com aliados. Sob seu houve um aumento maciço no orçamento de defesa para as ilhas mais próximas de Taiwan como Yonaguni e Ishigaki. Para ela o Japão tem papel fundamental na defesa de Taiwan. No próximo mês, está previsto um encontro entre ela e Donald Trump para fortalecer ainda mais a aliança bilateral.
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