🇺🇲🇸🇾 Os Estados Unidos Iniciam Retirada Total de Tropas da Síria
Por Marcus Paiva
Jornalista
🚩 Os Estados Unidos iniciaram a retirada total de seus 2.000 militares da Síria, pondo fim a quase uma década de presença militar. A redução das tropas, que se espera levar cerca de dois meses, já incluiu a partida de forças de posições-chave, como a base de Al-Shaddadi, na zona rural de Hasakah, e a guarnição da base de Al-Tanf, no deserto de Homs, perto do triângulo fronteiriço jordano-iraquiano. A administração Trump concluiu que uma presença militar contínua dos EUA na Síria já não era necessária após o colapso quase total das Forças Democráticas Sírias (SDF), o principal parceiro de Washington na luta contra o ISIS, após confrontos recentes com as forças governamentais sírias.
1️⃣ A retirada coloca uma maior responsabilidade sobre o governo do Presidente sírio Ahmed al-Sharaa para continuar a combater o ISIS. Autoridades estadunidenses manifestaram preocupação de que a saída das tropas pudesse permitir que Damasco violasse acordos de cessar-fogo com as SDF ou criasse aberturas para o ISIS se reorganizar. Um alto funcionário da administração disse que as forças dos EUA manteriam a capacidade de responder a ameaças relacionadas com o ISIS na região, visto que a pequena presença restante dos EUA se tinha tornado mais simbólica politicamente, apoiando as forças curdas e o novo governo sírio, do que decisiva operacionalmente nos esforços de contraterrorismo.
2️⃣ A retirada segue-se a relatórios de janeiro de que Washington estava a ponderar uma retirada total após novos entendimentos com o governo do Presidente al-Sharaa. No domingo, o Ministério da Defesa sírio anunciou que tinha assumido o controle da base militar de Al-Shaddadi que estava ocupada pelos militares dos EUA, no meio de retiradas estadunideses aceleradas do nordeste da Síria para o Iraque, após desenvolvimentos que colocaram áreas anteriormente detidas pelas SDF sob autoridade governamental. Dias antes, o ministério disse ter assumido o controle da base de Al-Tanf, na fronteira Iraque-Jordânia, como parte da coordenação contínua entre autoridades sírias e estadunideses.
3️⃣ O ministério confirmou que tinha protegido totalmente a base e as áreas circundantes e que as forças sírias tinham começado a posicionar-se ao longo da fronteira sírio-iraquiana-jordana no deserto de Al-Tanf, um esforço destinado a consolidar o controle e fortalecer a presença militar. Espera-se que as unidades da guarda de fronteira assumam as suas funções nos próximos dias como parte de um plano organizacional para gerir e proteger as passagens de fronteira.
4️⃣ A retirada do Comando Central dos EUA (CENTCOM) de bases-chave na Síria ilustra que os Estados Unidos estão gradualmente mudando sua estratégia de combate ao ISIS para se engajar com o governo sírio em vez das Forças Democráticas Sírias (SDF). O CENTCOM confirmou em 11 de fevereiro que as forças estadunidenses concluíram sua retirada da base de al Tanf, como parte de uma “transição deliberada e baseada em condições”. O governo sírio possui os recursos para ser um parceiro eficaz dos EUA no combate ao ISIS na Síria, mas enfrentará limitações temporárias enquanto integra as SDF e o nordeste da Síria ao Estado.
5️⃣ O Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) relatou que o ISIS e um grupo salafista-jihadista alinhado ao ISIS realizaram cinco tentativas frustradas de assassinato contra o presidente sírio Ahmed al-Shara e outros altos funcionários do governo sírio em 2025. Um assassinato bem-sucedido de Shara teria profundas implicações para a trajetória futura da estabilidade síria, devido ao papel que Shara desempenha como figura central na liderança da transição na Síria. Lembrando que o presidente da Síria Ahmed al-Sharaa (Abu Mohammed al-Golani), ja foi líder da Frente Al-Nusra, que era oficialmente o braço da Al-Qaeda na Síria. Em 2016, seu grupo rompeu formalmente com a Al-Qaeda e mudou de nome para Hayat Tahrir al-Sham (HTS). Durante a guerra civil da Síria ele lutou contra o presidente Bashar al-Assad. Ele é visto como um traidor pelos jihadistas do ISIS.
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