Ex-primeiro-ministro do Camboja General Hun Sen planejou e coordenou os ataques contra a Tailândia

Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe

🚨 As Forças Armadas Reais da Tailândia acusaram o presidente do Senado e ex-primeiro-ministro cambojano, general Hun Sen, de planejar e comandar ataques a áreas civis tailandesas durante os confrontos na fronteira. O Major-General Withai Laithomya, porta-voz do Quartel-General das Forças Armadas da Tailândia, afirmou que Hun Sen está diretamente envolvido em operações de combate, citando fotos publicadas em sua página do Facebook. As imagens mostravam Hun Sen em um posto de comando, supervisionando operações militares por videochamada com o Primeiro-Ministro general Hun Manet, que é seu filho. O Major-General Withai alegou que Hun Sen estava por trás do uso de fogo de longo alcance contra civis, incluindo residências, hospitais e postos de combustível.
1️⃣ Os generais tailandeses tiveram a certeza que Hun Sen planejou e coordenou pessoalmente os ataques pois ele mesmo postou brevemente fotografias em sua página pessoal do Facebook mostrando-se examinando mapas militares de grande escala antes de apagar a imagem às pressas. Nos mapas atrás dele estavam coordenadas de ataques contra o território tailandês. Na sexta-feira, pessoas notaram que Hun Sen havia removido uma fotografia específica que mostrava mapas detalhados espalhados sobre uma mesa de comando, com o ex-primeiro-ministro e sua equipe reunidos ao redor deles. Em minutos, apenas a fotografia do mapa foi apagada, restando outras imagens que mostravam a atmosfera geral do centro de comando militar. Hun Sen deixou escapar isso e temia que detalhes operacionais visíveis nos mapas pudessem ser comprometidos. 
2️⃣ As cartas na escala 1:100.000, estavam em conformidade com o Artigo 2 da Constituição do Camboja, originalmente produzidos entre 1933 e 1953 e reconhecidos internacionalmente entre 1963 e 1969. Um dos mapas exibido na publicação usava uma escala de 1:50.000, mais detalhada do que os mapas de 1:200.000 que o Camboja alegava usar anteriormente, sugerindo alvos intencionais e coordenação estratégica. A publicação além de revelar as intenções estratégicas do país poderia revelar involuntariamente as posições das tropas cambojanas. Se dividirmos o mapa em setores, podemos observar também que as forças tailandesas provavelmente estão sub-representadas nele porque elas não estão tão bem mapeadas nos mapas cambojanos. Há grande mobilização militar tailandesa nos 7 pontos de conflito ao longo da fronteira. Uma reação não esperada pelo Camboja. 
3️⃣ As raízes do conflito de fronteira entre Camboja e Tailândia de 2025 remontam aos Tratados Franco-Siameses de 1904 - 1907 entre o Reino do Sião e o Reino do Camboja, este último sob um protetorado francês. A França delimitou a fronteira entre a Tailândia (que nunca foi colonizada) e o seu protetorado, o Reino do Camboja, de maneira arbitrária, mantendo a região do Templo Preah Vihear no território cambojano. Esse templo não é budista, é um templo hindu dedicado a deusa Shiva e possui uma importância histórica pois é do período do Império Khmer (séc. XI sob o rei Suryavarman I). A tensão entre os dois países aumentou em 1962 após a decisão da Corte Internacional de Justiça sobre o Templo Preah Vihear, mantendo o templo sob soberania do Camboja. As tensões aumentaram ainda mais de 2008 a 2011 e, em fevereiro de 2025, atingiram o ponto crítico quando tropas da Tailândia impediram visitantes do Camboja de cantar o hino nacional cambojano no templo Prasat Ta Muen Thom (hindu). Em maio, um confronto armado eclodiu próximo ao Triângulo Esmeralda (Chong Bok), em uma escaramuça de fronteira grave. Um dia antes da atual guerra, a Tailândia chamou de volta o seu embaixador do Camboja e expulsou o enviado do Camboja após uma mina terrestre cambojana explodir e ferir soldados tailandeses na sua fronteira disputada na província de Ubon Ratchathani.

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