A guerra tarifária de Trump contra quase todos os países do planeta visa atingir a China
Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe
🚩 O presidente dos Estados Unidos Donald Trump derrubou décadas de política comercial dos Estados Unidos ao introduzir uma vasta gama de tarifas que ameaçam derrubar o fluxo de comércio internacional. Países do mundo todo estão correndo para absorver a nova maneira de fazer negócios com os Estados Unidos, depois que Donald Trump revelou tarifas personalizadas que parecem prontas para desencadear uma guerra comercial global. Trump deixou claros os objetivos que deseja alcançar por meio das tarifas: trazer a indústria de volta aos Estados Unidos; responder a políticas comerciais injustas de outros países; aumentar a receita tributária; e incentivar a repressão à migração e ao tráfico de drogas. No entanto, a União Europeia e a China prometeram contramedidas, enquanto a Coreia do Sul prometeu uma resposta "total".
1️⃣ O dano causado em nível político com aliados como o Reino Unido da Grã-Bretanha também pode ter seu próprio custo, já que bilhões são eliminados do crescimento econômico. Lembrando que em 1930, a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, em um esforço para aliviar os efeitos da Grande Depressão aprovou um amplo projeto de tarifas, o Ato Tarifário de Hawley-Smoot, que aumentou as tarifas, na tentativa de arrecadar mais receita para o governo federal. Funcionou? Não. Os Estados Unidos afundaram ainda mais na Grande Depressão. Trump afirmou que “os preços estão muito baixos” desde seu retorno ao cargo, mas qualquer um que tenha visitado um supermercado percebe a alta nos preços. E as empresas dos Estados Unidos estão apreensivas sobre o efeito mais amplo dessa mudança: custos mais altos serão repassados aos seus clientes. “O que ouvimos de empresas de todos os tamanhos, em todos os setores, de todo o país, é que essas tarifas amplas são um aumento de impostos que aumentará os preços para os consumidores americanos e prejudicará a economia”, disse Neil Bradley, diretor de políticas da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, o grupo de lobby corporativo.
2️⃣ A China foi particularmente afetada pelas novas tarifas de 34%, que elevam o imposto total sobre as importações chinesas para mais de 50%, assim como nações do Sudeste Asiático, incluindo Myanmar, devastada por uma guerra civil e pelo terremoto, e agora taxada em 44%. A Tailândia, um dos principais exportadores de eletrônicos da Ásia, foi taxada em 36%. Uma teoria que está sendo apresentada é que países ligados a investimentos chineses consideráveis estão sendo alvos. A administração Trump pensa que, ao mirar nesses países, eles podem mirar o investimento chinês em países como Camboja, Laos, Myanmar, Tailândia e Indonésia. Ao mirar seus produtos, talvez isso afete as exportações chinesas e a economia, na visão de Trump. O verdadeiro alvo é a China, mas o impacto real nesses países será bastante significativo porque esse investimento cria empregos e receitas de exportação. As tarifas ocorrem num momento em que muitos países do Sudeste Asiático já estão lidando com as consequências dos cortes na USAid, que fornece assistência humanitária a uma região vulnerável a desastres naturais e apoio a ativistas pró-democracia que lutam contra regimes repressivos.
3️⃣ Canadá e México foram isentos da última rodada de tarifas, mas, como o primeiro-ministro canadense Mark Carney e líderes empresariais lembraram a todos, tarifas de 25% sobre aço e alumínio canadenses, bem como sobre automóveis, entraram em vigor horas após o anúncio de quarta-feira. Carney alertou que, embora Trump tenha preservado elementos-chave do relacionamento bilateral, as tarifas globais anunciadas no início do dia “alteram fundamentalmente o sistema de comércio internacional”. Os dois países foram atingidos por tarifas previamente declaradas de 25% sobre muitos produtos devido ao controle de fronteira e questões de tráfico de fentanil, disse a Casa Branca em um folheto informativo. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse na quarta-feira que seu país não buscaria uma "retaliação de tarifas", mas sim anunciaria um "programa abrangente" na quinta-feira. O próprio Trump estava preparado para que o anúncio provasse muita turbulência nos mercados ao redor do mundo, dizendo recentemente: "Há um período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande."
4️⃣ As tarifas universais entram em vigor em 5 de abril, e as recíprocas em 9 de abril, então os países ao redor do mundo agora têm um espaço de tempo muito curto para escolher seu caminho. Alguns podem tentar fechar um acordo com Trump, outros podem responder com tarifas retaliatórias, mas um tema contínuo será a incerteza. As tarifas de Trump foram tão surreais que até mesmo as Ilhas Heard e McDonald, que são alguns dos lugares mais remotos da Terra, habitados apenas por pinguins e outros animais, foram taxadas em 10%. Trump justificou dizendo que são “territórios externos” da Austrália listados separadamente para uma tarifa de 10%. A Ilha Norfolk, que fica na costa leste da Austrália, foi atingida por uma tarifa de 29% — ou 19 pontos percentuais a mais que o resto da Austrália, o que levou o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, a dizer na quinta-feira: "Não tenho certeza se a Ilha Norfolk, com relação a ela, é uma concorrente comercial da gigantesca economia dos Estados Unidos, mas isso apenas mostra e exemplifica o fato de que nenhum lugar na Terra está a salvo disso." A Rússia não foi alvo das tarifas de Trump pois é atualmente o país mais sancionado do planeta, recebendo duras sanções econômicas de diversos países e da União Europeia.
5️⃣ As novas tarifas de Trump são duplas. Primeiro, todos os bens importados estarão sujeitos a uma tarifa universal de 10% a partir de 5 de abril. Então, em 9 de abril, certos países verão taxas de tarifas mais altas – o que Trump considerou “tarifas recíprocas” em retaliação às tarifas que os países impuseram às exportações americanas. Tenha em mente que as tarifas são pagas por empresas estadunideses que importam produtos como vinho da Europa ou microchips de Taiwan. Algumas das tarifas mais altas serão aplicadas às importações de países asiáticos, incluindo China, Índia, Coreia do Sul e Japão. As exportações da União Europeia também terão uma tarifa de 20%. Como a Casa Branca calculou suas tarifas recíprocas? A administração Trump disse que olhou para o déficit comercial entre os Estados Unidos e um país específico como uma porcentagem e então considerou isso uma tarifa. Então, por exemplo, o valor dos bens dos Estados Unidos que são exportados para a China é 67% do valor dos bens chineses que são importados para os Estados Unidos. A Casa Branca chama essa definição de “tarifa” aplicada a produtos estadunideses, embora um déficit e uma tarifa não sejam a mesma coisa.
6️⃣ Em seguida, reduziu pela metade a “tarifa” e usou essa porcentagem para representar o novo imposto que os Estados Unidos aplicariam aos produtos daquele país. Trump e seus assessores econômicos argumentam que as tarifas fortalecerão a manufatura dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que reduzirão as barreiras que outros países colocam sobre os produtos americanos. Mas os Estados Unidos estão há muito tempo em déficit comercial, importando mais produtos do que exportando. Embora aumentar a produção doméstica e depender menos de fornecedores estrangeiros possa fortalecer a economia dos Estados Unidos a longo prazo, economistas dizem que as tarifas de Trump são muito agressivas e incertas para que eles realmente incentivem o investimento doméstico. Em vez disso, as empresas disseram que repassarão o custo das tarifas aos consumidores. Os mercados despencaram imediatamente quando as bolsas começaram a negociar na manhã de quinta-feira, enquanto Wall Street reagia aos novos impostos. As tarifas também atingiram os mercados de ações no exterior. O FTSE 100 do Reino Unido viu seu pior dia desde agosto de 2024, enquanto os mercados no Japão, Hong Kong e Alemanha também caíram.
7️⃣ Líderes ao redor do mundo expressaram choque e frustração sobre as novas tarifas. O presidente francês Emmanuel Macron disse que a decisão de Donald Trump foi "brutal e infundada". Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, chamou as tarifas de “um grande golpe para a economia mundial”. “A economia global sofrerá massivamente”, ela disse na quinta-feira. “A incerteza aumentará e desencadeará o aumento de mais protecionismo. As consequências serão terríveis.” As novas tarifas também fizeram com que o dólar americano perdesse valor em relação a outras moedas importantes. A China prometeu revidar. "A China se opõe firmemente a isso e tomará resolutamente contramedidas para salvaguardar seus próprios direitos e interesses", disse o Ministério do Comércio da China em um comunicado na manhã de quinta-feira. Para contornar as tarifas existentes, algumas empresas chinesas e multinacionais transferiram a produção para outras partes da Ásia. Mas as novas tarifas de Trump sobre outras nações asiáticas anunciadas na quarta-feira também prejudicarão a China: o Vietnã enfrenta impostos de 46% e os produtos cambojanos serão tarifados em 49%.
8️⃣ No dia 5 de março, A China alertou os Estados Unidos que "está pronta para lutar em qualquer tipo de guerra" após responder às crescentes tarifas comerciais impostas pelo governo do presidente Donald Trump. As duas maiores economias do mundo ficaram à beira de uma guerra comercial depois que Trump impôs mais tarifas sobre todos os produtos chineses que desembarcarem em território estadunidese. A China rapidamente retaliou, impondo tarifas de 10% a 15% sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos. "Se é guerra o que os Estados Unidos querem, seja uma guerra tarifária, uma guerra comercial ou qualquer outro tipo de guerra, estamos prontos para lutar até o fim", disse a Embaixada da China em Washington no X (antigo Twitter). Esta foi uma das manifestações mais contundentes da China até o momento desde que Trump se tornou presidente - e ocorreu enquanto líderes se reuniram em Pequim para o encontro anual do Congresso Nacional do Povo.
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