Manifestantes exigem a renúncia de Milei depois que a polícia agrediu aposentados que protestavam na capital da Argentina
Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe
🚩 Agentes de segurança da Argentina agrediram idosos e jornalistas durante um protesto de aposentados contra o governo do presidente Javier Milei, na tarde de quarta-feira (12), em Buenos Aires. Pelo menos 60 pessoas foram detidas, e seis policiais ficaram feridos. Uma idosa foi empurrada por um policial e bateu a cabeça. A polícia recebeu ordens de Milei e de sua ministra da segurança Patrícia Bullrich para reprimir duramente qualquer manifestação. O fotógrafo e jornalista Pablo Grillo está na UTI em estado gravíssimo depois de ser atingido na cabeça por uma bomba lançada pela polícia. Ele tem uma fratura no crânio e perdeu massa encefálica. Os aposentados reivindicam reajustes nas pensões e alegam que perderam poder de compra devido à inflação e às recentes medidas econômicas do governo. A mobilização, que ocorre semanalmente em frente ao Congresso, ganhou força com a adesão de torcidas organizadas que se juntaram aos idosos.
1️⃣ A presença de torcidas organizadas levou o Ministério da Segurança Nacional a endurecer medidas para conter possíveis conflitos. Em comunicado, o governo alertou que qualquer pessoa envolvida em atos violentos ou bloqueios de vias poderia ser detida. O porta-voz do governo, Manuel Adorni, minimizou a manifestação, afirmando que se tratava de "uma marcha de barrabravas [torcedores organizados] seguramente de esquerda, com convocação baixa, muito baixa ou nula". A confusão começou após os policiais iniciarem uma ação para desbloquear uma rua ocupada pelos manifestantes e montar um cordão para impedir o avanço para o Congresso. Imagens mostraram participantes do protesto jogando objetos contra agentes de segurança. A polícia reagiu de maneira desproporcional agredindo idosos que não ofereciam risco e jornalistas que cobriam o protesto, com jatos de água e gás lacrimogêneo. Um carro da polícia foi virado e incendiado.
2️⃣ Depois, o protesto avançou pelo Centro Histórico de Buenos Aires, chegando próximo à Casa Rosada, que é a sede do governo argentino. Manifestantes joragam pedras no Palácio presidencial. Os protestos dos aposentados têm sido frequentes e marcados por repressão policial. Recentemente, torcidas organizadas anunciaram apoio às manifestações, o que ampliou o atrito com o governo Milei. Em resposta, a administração argentina determinou que torcedores envolvidos em bloqueios de vias poderiam ser impedidos de entrar nos estádios de futebol. Desde que assumiu o poder, Milei tem implementado uma política de austeridade nos gastos públicos. Em março do ano passado, o presidente publicou um decreto determinando que as aposentadorias fossem reajustadas mensalmente com base no dado mais recente da inflação.
3️⃣ Mesmo que os índices de inflação tenham recuado nos últimos meses, os aposentados reclamam que perderam poder de compra e estão com os salários defasados. Eles também argumentam que, quando a nova fórmula de reajuste foi imposta, a moeda argentina já tinha sofrido uma desvalorização de 50%. Além da mudança no reajuste dos salários, o governo também modificou o plano de saúde da seguridade social dos aposentados e restringiu a distribuição gratuita de medicamentos.
m fevereiro, um aposentado recebeu o equivalente a cerca de R$ 1.800. Em Buenos Aires, o custo da cesta básica para um idoso — que inclui moradia, alimentação, medicamentos, entre outros — ultrapassa o dobro desse valor, segundo a Defensoria da Terceira Idade.
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