Candidato à presidência da Romênia, pró-Rússia, é detido pela polícia


Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe 

⚠️ Os procuradores romenos abriram um processo criminal contra o político da extrema-direita e candidato às eleições presidenciais de 2024, Călin Georgescu, por seis acusações, incluindo atos inconstitucionais e falsas declarações financeiras. As acusações também giram em torno do seu apoio a simpatizantes da Guarda de Ferro, um movimento e partido político fascista e ant*ssem*ta anterior à Segunda Guerra Mundial, algo que é ilegal ao abrigo da lei romena. Georgescu está, assim, proibido de sair do país e não está autorizado a criar novas contas nas redes sociais para além das que já possui. Na quarta-feira, Georgescu tinha sido detido por agentes da polícia quando estava no trânsito e foi levado, depois, para a Procuradoria-Geral para ser interrogado.
1️⃣ Os procuradores interrogaram Georgescu no âmbito de uma investigação que alegadamente se debruça sobre as "despesas zero" declaradas por Georgescu na campanha eleitoral do ano passado. Ele também foi convidado a fornecer informações sobre dois fatos: "falsas declarações sobre as fontes de financiamento" e "comunicação de informações falsas". Em antecipação ao interrogatório, os procuradores recolheram toda a documentação utilizada por Georgescu para se inscrever na corrida presidencial. Georgescu estava a caminho para apresentar a sua candidatura à presidência, quando foi parado no trânsito. Os apoiadores do Partido dos Jovens (POT), de extrema-direita, que se separou de um outro partido de extrema-direita, a Aliança para a União dos Romenos (AUR), e que se encontra entre os principais apoiantes de Georgescu, anunciaram que irão reunir-se, em protesto, em frente à Procuradoria-Geral.

2️⃣ Georgescu venceu o primeiro turno das eleições presidenciais romenas em dezembro de 2024, que a corte Constitucional do país anulou após terem sido desclassificados relatórios dos serviços secretos que mostravam um suposto envolvimento da Rússia em ações de influência sobre os eleitores, através das redes sociais, com vista a fomentar o apoio no candidato, na altura relativamente desconhecido. O ex-presidente Klaus Iohannis, é acusado de usar o serviço de inteligência e o judiciário do país para impedir a vitória eleitoral de Georgescu, que é um outsider pró-Rússia. Georgescu elogiou os líderes fascistas da Romênia dos anos 1930 como "patriotas e mártires" e expressou admiração por Trump e pelo presidente russo Vladimir Putin. Ele continua sendo a principal escolha dos eleitores nas pesquisas de opinião antes da eleição de maio, embora ainda não esteja claro se ele poderá concorrer. 

3️⃣ Lembrando que a Guarda de Ferro da Romênia foi um movimento e partido de extrema-direita que foi fundado em 1927 e se tornou conhecido por ass4ssinatos políticos e ant*ssem*tismo violento. Sob a legislação romena atual, promover líderes fascistas e símbolos naz1stas, rac1stas ou xenófobos é proibido e acarreta pena de prisão, embora os casos raramente tenham chegado ao tribunal antes da eleição anulada. Em dezembro de 2024, 48 horas antes dos romenos votarem no segundo turno da eleição presidencial, todo o processo foi cancelado devido a uma decisão sem precedentes da corte constitucional. A decisão da corte de anular o primeiro turno ocorreu depois que um candidato independente de extrema-direita, Călin Georgescu, surgiu do nada para liderar o primeiro turno há duas semanas, em meio a alegações de interferência russa. Georgescu condenou a decisão como um golpe e a Romênia pode ter que esperar meses para votar novamente.

4️⃣ Por que essa decisão é importante? A Romênia é um membro importante da OTAN em seu flanco oriental e compartilha uma longa fronteira com a Ucrânia. A recente eleição presidencial na República de Moldova foi realizada em meio a suposta interferência russa e fraude eleitoral, e do outro lado do Mar Negro, na Geórgia, a oposição pró-Ocidente diz que as eleições foram afetadas pela intromissão do Kremlin. Em seu julgamento de uma única página, a corte constitucional diz que, para garantir a imparcialidade e a legalidade do processo eleitoral, decidiu por unanimidade anular toda a votação e que o governo deve estabelecer uma nova data para uma nova eleição. A corte afirma que cita seu papel, segundo a constituição, de "proteger a observância do procedimento" das eleições presidenciais. E enfatiza que a decisão é final e vinculativa. Lembrando que a Romênia é um semipresidencialismo, então, o presidente na Romênia exerce poder considerável como comandante-chefe das forças armadas e tem a tarefa de nomear o primeiro-ministro.

5️⃣ Houve raiva dos apoiadores de Calin Georgescu depois da sua vitória ter sido anulada. Não há razão para que Georgescu não possa concorrer novamente, embora ele possa enfrentar processos criminais em decorrência das alegações feitas contra ele, as quais ele nega. A Romênia acaba de realizar eleições parlamentares nas quais os partidos centristas se saíram melhor do que o esperado. Os Social-Democratas provavelmente liderarão o próximo governo de coalizão, pois mesmo que o partido de extrema-direita tenha mais assentos, haverá um cordão sanitário feito pelos partidos tradicionais e de centro para impedir a eleição de um primeiro-ministro de extrema-direita. No entanto, três partidos de extrema-direita obtiveram juntos 32% dos votos, e um deles, o AUR de George Simion, ficou em segundo lugar.

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