Aumento da tensão entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul
Por Marcus Paiva
🇰🇷 O atual presidente da Coréia do Sul, o conservador da direita populista Yoon Suk-yeol, afirmou que vem discutindo com os Estados Unidos a respeito da possibilidade da realização conjunta de exercícios nucleares no país. A declaração veio logo após Joe Biden ter dito que não estaria realizando tais exercícios nucleares, contradizendo as falas do presidente sul-coreano.
📰 Yoon disse que "as armas nucleares pertencem aos Estados Unidos, mas o planejamento, compartilhamento de informações, exercícios e treinamento devem ser conduzidos conjuntamente pela Coreia do Sul e pelos Estados Unidos", e completou que "os EUA cuidarão de tudo, a Coréia do Sul não tem com o que se preocupar." A declaração de Yoon veio após a Coréia do Norte divulgar a pesquisa de mísseis balísticos intercontinentais.
🇺🇸🇰🇷⚔️🇰🇵 As tensões com a Coreia do Norte só aumentaram desde as inaugurações dos governos Biden e Yoon. Desde o dia 31 de outubro até 5 de novembro, as forças aéreas dos EUA e da Coréia do Sul realizaram exercícios de guerra conjuntos contra a Coréia do Norte, chamados de "Operação Vigilant Storm". Os exercícios envolveram mais de 240 aeronaves dos EUA e sul-coreanas, junto de bombardeiros furtivos supersônicos B-1B, que pairavam sob território norte-coreano. As provocações levaram a Coreia do Norte a responder com lançamentos de mísseis e excursões nas áreas da fronteira marítima ocidental. A série de disparos de Pyongyang terminou no sábado, 30, com três mísseis de curto alcance e um míssil lançado durante a madrugada do mesmo dia.
🪧 Desde Novembro de 2022, os protestos sul-coreanos se intensificaram contra a aproximação de Yoon com os EUA. As principais exigências dos manifestantes foram a retirada de forças estadunidenses em solo sul-coreano, e uma melhora nas relações com Pyongynag. A partir daí, outros protestos começaram a desencadear contra Yoon, como a Greve dos Caminhoneiros, que começaram a protestar contra Yoon por sua supressão dos direitos trabalhistas e aumento do preço do combustível. Outra exigência dos protestos contra Yoon, é a retirada da proibição de viagens para a Coréia do Norte. Desde a divisão do território pelos EUA em 1950, famílias foram separadas uma das outras. Em 2017, Donald Trump também baniu viagens para a região norte da península.
➡️ Os protestos também vieram da direita, como aconteceu em Gwanghwamun, que saíram em apoio à Yoon sob liderança de um famoso pastor sul-coreano Jun Kwang-hoon, enquanto denunciavam a mobilização crescente da oposição comunista no país. O objetivo dos protestos promovidos pelos conservadores foi de “erradicar a facção Jusa”, termo que se refere aos simpatizantes da Coreia do Norte ou àqueles que estudavam a filosofia Juche. O apoio à Yoon também favoreceu as medidas contra a Coréia do Norte. Yoon Suk-yeol do partido do poder popular tomou posse em maio de 2022. Seu discurso anti-Coreia do Norte vem escalando uma crise com Pyongyang e deteriorando as relações na Península coreana.
🗳️ Ainda que houvessem protestos em ambas partes, o governo de Yoon vem sofrendo com uma grande desaprovação pela população. Segundo a pesquisa da National Barometer Survey (NBS) realizada de 17 a 19 de outubro, sua aprovação foi de apenas 31%. Dos que desaprovaram, 34% apontou "incompetência em sua forma dogmática e unilateral de governar".
🕹️ A presença do exército dos EUA na Coréia do Sul não é algo recente. Estima-se que desde a Guerra das Coréias (1950 - 1953) o governo estadunidense nunca retirou suas tropas do local, possuindo até hoje um controle sobre o poder militar sul-coreano. E agora, com a onda de protestos, as tensões podem vir a aumentar não apenas sob a Coréia do Norte, mas principalmente dentro do próprio pais.
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