Khalifa Haftar, Senhor da Guerra da Cirenaica quer a independência

Por Marcus Paiva 

🏴 O Warlord da Cirenaica e comandante do exército líbio marechal Khalifa Haftar discursou na Praça al-Kish em Benghazi diante de milhares de pessoas no dia em que comemora 71 anos da independência. Em 24 de Dezembro de 1951 a Tripolitania declarou sua independência da Inglaterra e Fezzan se libertou da França, formando com o Emirado da Cirenaica o Reino Unido da Líbia. Era esperado que Haftar fizesse a secessão da Cirenaica (Barqa) do resto da Líbia, o que poderia levar a uma nova guerra civil, a terceira, desta vez entre Trípoli e Benghazi. Entretanto, seu discurso foi um ultimato a Trípoli, afirmando que se não houver eleições presidenciais haverá secessão. 

Haftar é candidato a presidente da Líbia concorrendo contra o filho de Muammar al-Gaddafi, Saif al-Islam Gaddafi que possui uma rede de aliados em Fezzan, e contra o atual primeiro-ministro Dbeibeh que tem apoio de Trípoli. A eleição presidencial deveria ter ocorrido em 2018 mas uma disputa judicial levou a uma nova data em 2021, porém essa eleição nunca ocorreu.

🇱🇾 Haftar retirou sua intenção de declarar a separação da Cirenaica do resto da Líbia de seu discurso após o presidente da Câmara dos Deputados (Câmara baixa em Tobruk), Aqila Saleh, e o presidente do Alto Conselho de Estado (Câmara alta em Trípoli), Khalid Al-Mishri, anunciaram a retomada do diálogo para chegar a uma base constitucional para a realização de eleições. 

O acordo de Al-Mishri e Saleh diz que a Câmara dos Representantes não prosseguiria com o estabelecimento de um tribunal constitucional em Benghazi e retomaria o diálogo, o que é um movimento preventivo para impedir o passo de secessão de Haftar. Em seu discurso no sábado, Haftar anunciou o que chamou de "última chance" de traçar um roteiro que inclua a realização de eleições. Ele enfatizou a necessidade de uma distribuição justa das receitas do petróleo sem marginalizar qualquer região, observando que "somente os líbios são capazes de resolver seu problema e estabelecer um estado líbio unificado". 

Haftar reafirmou em seu discurso a consolidação de seu governo como líder e Senhor da Cirenaica, deixando claro que tem a intenção de governar toda a Líbia. Disse ele: "A unidade da Líbia é uma linha vermelha e não permitiremos que seja violada ou comprometida. Temos uma última chance de traçar um roteiro e realizar eleições. Convocamos todas as cidades e regiões do oeste da Líbia (Tripolitania e Fezzan) para um diálogo intra-líbio". Isso significa na prática que ele já governa a Cirenaica mas deseja ser presidente da Líbia e governar todo o território. Se não houver uma eleição presidencial o mais breve possível poderemos ter a secessão da Líbia em duas (Barqa e Líbia) oficializada, pois essa divisão já existe na prática desde 2014. A separação da Cirenaica da Líbia será a última opção a ser adotada.

⚔ O warlord da Cirenaica e comandante do exército líbio marechal de campo Khalifa Haftar pretende proclamar a "autonomia total" (independência) das regiões de Barqa (Cirenaica) e Fezzan do resto da Líbia (Tripolitania), bem como a dissolução da Câmara dos Representantes com sede em Tobruk. Fontes pró-GNA (governo de Trípoli) acusam o Egito do Marechal al-Sisi de promover e apoiar a secessão dessas regiões e de proclamar Haftar como líder da Barqa (Cirenaica). Há Rumores que Saif al-Islam Gaddafi, filho de Muammar al-Gaddafi, deseja governar a região de Fezzan. Lembrando que Haftar deu um indulto a Saif Gaddafi que estava condenado à morte.

⚠️ A região de Barqa ou Cirenaica tem sua capital em Benghazi e é de lá que Haftar governa esse território desde o final da segunda guerra civil Líbia em 2017, quando venceu a batalha de Benghazi. Lembrando que a primeira guerra civil foi em 2011 e teve início com a queda de Muammar al-Gaddafi. A segunda guerra civil foi de 2014 a 2017 e marcou a divisão da Líbia em duas regiões: uma é a Cirenaica (Barqa) governada por Haftar desde Benghazi e com sede do parlamento em Tobruk. A outra é a Tripolitania com sede em Trípoli, onde está o conselho presidencial e o primeiro-ministro. A Tripolitania tem o governo reconhecido pelas organizações internacionais como UE e OTAN, por exemplo. 

A Cirenaica já foi um Emirado de 1919 a 1922 como um protetorado do reino da Itália e de 1949 a 1951 como um Estado independente visto que neste período a Tripolitania estava sob administração inglesa e Fezzan sob administração francesa. Desde a queda de Ghadafi há um movimento forte e Popular de independência da Cirenaica.

❗Em março de 2022 o primeiro-ministro Abdul Dbeibeh (chefe de governo) apoiado pelo presidente do conselho presidencial Mohammed al-Menfi (chefe de Estado) se recusou a entregar o cargo para Fathi Bashagha, apoiado por Haftar e eleito pelo parlamento de Tobruk. Essa ação rompeu o acordo de unidade nacional e as tensões entre Tobruk e Trípoli retornaram. Bashagha tentou entrar em Trípoli com auxílio de paramilitares de milícias ligadas à Haftar o que gerou confrontos na capital. 

Desde então Dbeibeh se mantém no cargo de maneira inconstitucional. Haftar chegou a anunciar sua candidatura à presidência da Líbia mas o conselho presidencial vem adiando a eleição para impedir Haftar de chegar ao poder em Trípoli. Haftar perdeu a paciência e está mobilizando suas brigadas para oficializar a separação de Barqa (Cirenaica). O vice de Haftar é seu filho general Saddam Haftar, ambos são grandes senhores da guerra que controlam campos de petróleo da Líbia e tem poder sobre milícias e brigadas das tribos do Sahara.

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