EUA Indicia Raúl Castro e aumenta pressão por mudança de regime em Cuba
Por Marcus Paiva
Jornalista
🚩 Os Estados Unidos acusaram criminalmente nesta quarta-feira (20) Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e ex-presidente de Cuba que governou o país de 2006 a 2018. De acordo com os autos, Raúl Castro, de 94 anos, é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos estadunidenses. Outras cinco pessoas foram denunciadas pelos mesmos crimes: Lorenzo Alberto Pérez Pérez, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez, Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga e Raúl Simanca Cárdenas.
1️⃣ No incidente, duas aeronaves civis pertencentes ao grupo de exilados cubanos Brothers to the Rescue (Irmãos ao Resgate) foram abatidos por jatos MIG cubanos. 4 pessoas morreram, 3 delas eram cidadãos estadunidenses. Castro, então ministro da Defesa de Cuba, é acusado de ter dado a ordem para abrir fogo. De acordo com o governo cubano, os aviões foram abatidos porque violaram o espaço aéreo do país. Já a Organização da Aviação Civil Internacional afirmou que o ataque ocorreu em águas internacionais, sobre o Estreito da Flórida. A estratégia de usar este indiciamento histórico para forçar uma transição política pode ser um fator de imprevisibilidade nas já fragilizadas relações bilaterais.
2️⃣ As acusações foram feitas na Flórida, que exige que Raúl Castro seja julgado em solo estadunidense. As penas para os crimes que Castro é acusado podem ser de prisão perpétua e pena de morte. Para isso, o governo estadunidense teria de invadir Cuba, prender Castro e levá-lo para a Florida, em um modus operandi semelhante ao realizado na operação para abduzir o presidente venezuelano Nicolás Maduro em Janeiro. Segundo dois funcionários estadunidenses citados pela CBS News, começaram os trabalhos para desenvolver opções militares para o presidente Donald Trump, incluindo relatórios de inteligência.
3️⃣ Essas avaliações de inteligência são comumente usadas por planejadores militares dos EUA para avaliar não apenas as consequências imediatas de uma ação militar, mas também a cadeia mais ampla de respostas políticas e militares que podem se seguir. Questionado na quarta-feira sobre a possibilidade de uma escalada das tensões com Cuba após a recente acusação formal dos EUA contra o ex-líder cubano Raúl Castro, Trump minimizou essa possibilidade. "Não, não haverá escalada. Não acho que seja necessário", disse Trump aos repórteres de maneira ambígua: "Veja bem, o país está se deteriorando. Eles realmente perderam o controle de Cuba.”
4️⃣ Porém, Trump insinuou o controle militar dos EUA sobre Cuba, entre outras nações e territórios soberanos, durante seu discurso de formatura na Academia da Guarda Costeira dos EUA. “Do Golfo da América às águas congeladas do Ártico, das costas de Havana às margens do Canal do Panamá, expulsaremos as forças da ilegalidade, do crime e da invasão estrangeira, assim como temos feito”, disse Trump. O Procurador-Geral interino, Todd Blanche, anunciou o indiciamento numa cerimónia em homenagem às vítimas do derrube, num dia em que os exilados cubanos celebram o dia da independência de Cuba.
5️⃣ O rascunho original do indiciamento, contudo, foi construído com base no ímpeto do julgamento bem-sucedido de Manuel Noriega, o líder panamiano condenado em 1992 por extorsão e tráfico de droga. Anos mais tarde, o procurador Pat Sullivan escreveu um memorando de sete páginas que detalhava um possível caso contra Castro, o qual, nos últimos meses, chegou às mãos de altos funcionários da administração Trump, incluindo o Secretário de Estado, Marco Rubio. O memorando fora originalmente preparado em 2016 e, posteriormente, enviado ao então Procurador-Geral Jeff Sessions.
6️⃣ O indiciamento de Castro surge num momento de extrema tensão e é visto como parte de uma campanha de pressão muito mais ampla contra o governo de Cuba, que enfrenta atualmente uma severa crise econômica e escassez de combustível provocada pelo bloqueio e sanções econômicas impostas por Washington. Nos últimos meses, uma análise de dados de aviação revelou também um aumento acentuado nos voos de vigilância e inteligência militar dos EUA em redor da ilha. O grupo de ataque do porta-aviões Nimitz está posicionado próximo a ilha, o que indica, por enquanto pressão através da diplomacia das cannhoneiras.
7️⃣ O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou as acusações do governo dos EUA contra Castro como uma "manobra política" sem qualquer base jurídica. Díaz-Canel reiterou que Cuba tem o "direito legítimo e absoluto de se defender" e advertiu que qualquer agressão militar contra a ilha teria consequências incalculáveis para a paz e estabilidade na região da América Latina. Canel afirmou que qualquer ação militar dos EUA contra a ilha provocaria "um banho de sangue com consequências incalculáveis". "Cuba não representa uma ameaça, nem tem planos ou intenções agressivas contra qualquer país. Não tem nenhuma contra os Estados Unidos, nem nunca teve, algo que o governo americano sabe perfeitamente bem."
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