Paquistão, Egito e Turquia têm 48 horas para evitar uma catástrofe no Irã
Por Marcus Paiva
Jornalista
📣 Um acordo em duas fases está sendo negociado por meio de mediadores paquistaneses, egípcios e turcos, além de mensagens de texto diretas entre o negociador da Casa Branca Witkoff e o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Araghchi. Fase um: um cessar-fogo de 45 dias. Fase dois: o fim permanente da guerra. Os mediadores afirmam que a reabertura completa do Estreito de Ormuz e a resolução da questão do urânio só podem ocorrer no acordo final, e não antecipadamente. O Irã não abrirá mão de suas duas maiores cartas na manga em troca de uma pausa temporária. O problema central: o Irã acredita que um cessar-fogo no papel não vale pois Israel ignora sempre que bem entende.
1️⃣ Teerã quer garantias de que os bombardeios realmente cessem e não recomecem em 45 dias. Dado o histórico de Israel de atacar em todas as janelas diplomáticas anteriores, esse temor não é irracional. Trump disse em uma declaração no domingo: "Há uma boa chance, mas se eles não fizerem um acordo, vou explodir tudo por lá." O plano operacional para um ataque massivo à infraestrutura civil iraniana está pronto para ser executado. O Irã prometeu retaliar contra instalações de petróleo e água no Golfo se isso acontecer. Mediadores estão alertando Teerã que esta é a última chance real pois Trump estendeu seu prazo em 20 horas, para terça-feira, às 20h. Isso pode ser um sinal de que as negociações estão progredindo ou uma pausa final antes do início da fase mais destrutiva da guerra.
2️⃣ Trump disse que terça-feira é o "Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte". O Irã disse que não haverá acordo. Alguém precisa ceder. Eis o que realmente pode acontecer: Cenário 1: O Irã cede. Teerã aceita alguma versão de cessar-fogo, talvez reabrindo parcialmente o Estreito de Ormuz ou permitindo navegação monitorada. Trump declara vitória. O cenário mais otimista, porém o menos provável, visto que a inteligência estadunidense afirma que o Irã acredita ter a vantagem e não confia em Washington. Além disso, a liderança de fato no Irã está nas mãos do comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, um general linha-dura que não quer negociar.
3️⃣ Cenário 2: Trump encontra uma desculpa para adiar novamente. Ele já adiou esse prazo diversas vezes. O Irã oferece uma pequena concessão, talvez mais petroleiros paquistaneses passando por Ormuz, e Trump interpreta isso como um sinal de progresso. Ambos os lados podem até concordar com isso discretamente. Isso ganha tempo sem que nenhum dos lados perca a face. Cenário 3: Trump declara vitória e se retira. Ele já disse a seus assessores que sairia com Ormuz fechado. Ele poderia apresentar os danos militares como missão cumprida, alegar que o novo regime é "mais razoável" e transferir a responsabilidade por Ormuz para uma coalizão internacional. O Irã mantém o Estreito. Trump mantém a narrativa. O mundo resolve o problema.
4️⃣ Cenário 4: Trump aposta tudo. Ele ameaçou isso repetidamente e adiou todas as vezes. Mas a missão de resgate pode tê-lo encorajado. Ex-assessores dizem que sua confiança no próprio julgamento aumentou. Se ele atacar usinas de energia, 85 milhões de iranianos ficarão sem eletricidade. A resposta do Irã provavelmente seria a mais devastadora de toda a guerra: usinas de dessalinização, Bab el-Mandeb, todas as pontes em sua lista de alvos divulgada. Um comandante aposentado do CENTCOM acredita que a pressão acabará surtindo efeito. A inteligência estadunidense diz o contrário: o novo Líder Supremo é mais linha-dura que seu pai, e a Guarda Revolucionária Islâmica está ganhando mais poder, não perdendo.
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