Israel apoia a Independência do Estado Druzo no Sul da Síria
Por Marcus Paiva
Jornalista
⚠️ Israel está discretamente ajudando a criar um novo Estado no sul da Síria. Um Estado-tampão Druzo. Os drusos, apoiados por Israel, iniciaram uma insurgência em março de 2025 contra o governo de Damasco, do presidente Ahmed al-Sharaa. Agora controlam totalmente Suweyda, uma região com quase meio milhão de habitantes, dos quais mais de 85% são drusos e cerca de 10% são cristãos. Se essa situação se confirmar, o Estado de Suwayda poderá se tornar o primeiro Estado predominantemente não muçulmano no Oriente Médio desde a criação de Israel. A guerra civil na Síria não apenas derrubou Assad. Ela fragmentou o país, e os destroços estão sendo recolhidos por quem tiver o apoio e a presença militar necessários. Israel tem desempenhado esse papel discretamente no sul.
1️⃣ Enquanto o Irã, Israel e os EUA continuam a lutar, os drusos em Suwayda, no sul da Síria, iniciaram manifestações pró-Israel apelando à independência dos drusos da Síria. O objetivo é se expandir e tomar a província de Dara que fica entre Suwayda e Golã (ocupada por Israel desde junho de 1967) para obter um tamanho territorial maior do que o antigo Estado de Jabal al-Druze, que existiu como Estado autônomo do Mandato Francês da Síria de 1921 a 1936, antes da independência da Síria. Desde julho de 2025, a questão da província síria de Suwayda entrou em uma nova fase. Não se fala mais em negociações com o governo de Damasco, nem em planos para a entrega de armas. Em vez disso, o tema dominante entre alguns dos líderes da província tornou-se a secessão da Síria e o estabelecimento de um Estado independente, protegido por Israel.
2️⃣ O Sheikh Hikmat al-Hijri, líder da comunidade drusa em Suwayda, declarou ao jornal israelense Yedioth Ahronoth que a Síria caminha para a fragmentação e a criação de regiões semiautônomas. Em sua opinião, este é o único caminho para garantir o futuro das minorias e assegurar a estabilidade no Oriente Médio, sendo Israel a única parte “capaz de garantir quaisquer acordos futuros na região”. Esta não é a primeira vez que al-Hijri defende a secessão de Suwayda. Em agosto de 2025, ele pediu apoio internacional para a independência da província, apelando ao mundo para que ajudasse a proteger a comunidade drusa. Isso ocorreu após uma semana de confrontos, iniciados em 13 de julho, entre combatentes drusos e milícias beduínas, que se intensificaram em confrontos mortais envolvendo forças governamentais e outros grupos armados tribais. Mais de 1.600 pessoas foram mortas, incluindo um grande número de civis drusos.
3️⃣ O debate sobre a secessão representa uma crise mais ampla enfrentada pelas minorias religiosas da Síria na era pós-Assad, enquanto o novo governo luta para afirmar sua autoridade sobre uma nação fragmentada e enfrenta acusações de violência sectária. Suwayda, lar de aproximadamente meio milhão de pessoas, é o maior reduto druso do mundo, e seu destino pode servir de precedente para outras comunidades minoritárias que avaliam suas opções entre integração, autonomia ou proteção estrangeira. Apesar dos significativos sucessos militares do governo sírio no norte e leste contra as Forças Democráticas da Síria (SDF), al-Hijri permanece firme em seus planos.
4️⃣ Uma fonte ligada às facções de al-Hijri descreveu a campanha do governo no norte como um "revés para o projeto do 'Estado de Bashan'" que al-Hijri busca estabelecer em Suwayda. Os críticos de al-Hijri argumentam que qualquer tentativa de separar Suwayda da Síria fracassaria, citando o apoio previsto dos EUA à integridade territorial do governo sírio. Em 2025, pela primeira vez em 50 anos, líderes religiosos drusos da Síria cruzaram para as Colinas de Golã, controladas por Israel, através da zona tampão monitorada pela ONU. Isso sinalizou uma mudança drástica na abordagem de Israel em relação à fronteira , à medida que o país se posicionava cada vez mais como protetor das minorias no sul da Síria, enquanto simultaneamente expandia sua presença militar para além da zona tampão de cessar-fogo estabelecida após a Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973.
5️⃣ As incursões de Israel, os postos militares no Monte Hermon e os repetidos ataques aéreos no sul da Síria são apresentados publicamente como uma forma de proteção às comunidades drusas, mas críticos dentro da própria comunidade observam que o principal objetivo de Israel é garantir a segurança de sua fronteira, e não o bem-estar dos drusos. A guerra entre Israel e Irã piorou a situação. O governo iraniano ameaçou o presidente da Síria Ahmed al-Sharaa por cooperar com os EUA. Com isso, Teerã identificou o Hotel Four Seasons, o Hotel Sheraton e o complexo do Palácio Presidencial em Damasco como potenciais alvos militares, alegando que abrigam pessoal dos EUA e de seus aliados.
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