Emir de Sharjah aumenta automia da sua monarquia e gera rumores de ruptura nos Emirados Árabes Unidos
Por Marcus Paiva
Jornalista
⚠️ Rumores apontam que o Emir de Sharjah, um dos 7 Emirados que compõe os Emirados Árabes Unidos, Sheikh Sultan bin Muhammad Al-Qasimi, pode declarar independência. Até se falou da criação de uma República. Não há evidências públicas confiáveis de que o Emirado de Sharjah esteja se preparando para se separar dos Emirados Árabes Unidos e se tornar um Estado independente. Essa é a resposta factual e objetiva. Mas o rumor ainda merece atenção, porque rumores como esse não se espalham no vácuo. Eles se espalham quando a confiança está fragilizada, quando a guerra de informação é intensa e quando o público externo busca sinais de que uma federação rica sob pressão pode ser menos sólida do que aparenta. O certo é que o Emirado de Sharjah não aceita que a federação seja tão alinhada com os EUA e com Israel.
1️⃣ Os Emirados Árabes Unidos constituem uma federação de 7 Emirados: Abu Dhabi que é o maior emirado em extensão territorial e a capital federal. Dubai, o mais populoso e um importante centro financeiro e turístico global. Sharjah, que é considerado o centro cultural do país. Ajman, o menor dos sete emirados em termos de área. Umm Al Quwain, o menos populoso da federação. Ras Al Khaimah, conhecido por suas paisagens montanhosas, e Fujairah, o único emirado com costa voltada exclusivamente para o Golfo de Omã (Oceano Índico). A federação foi formalmente estabelecida em 1971, inicialmente com seis membros. O sétimo emirado, Ras Al Khaimah, juntou-se à união em fevereiro de 1972. Cada Emirado é governado por um monarca hereditário e absoluto, que detém o título de Emir. Juntos, os governantes formam o Conselho Supremo Federal, o órgão de maior autoridade no país. O Emir de Abu Dhabi é o presidente dos Emirados Árabes Unidos e o Emir de Dubai é sempre o primeiro-ministro.
2️⃣ Essa monarquia federativa é construída sobre equilíbrios complexos: especialização econômica, coordenação da família real, autoridade federal, autonomia local e consenso entre as elites. Esses equilíbrios podem gerar tensão, rivalidade ou desacordo sem que isso implique, nem de longe, uma secessão iminente. Em condições normais, poucas pessoas levariam a sério a história da "República de Sharjah". Em tempos de uma nova guerra no Golfo, algumas pessoas repentinamente passam a levar. Os Emirados Árabes Unidos estão em uma situação difícil em meio a guerra entre Irã e EUA. Sua economia, totalmente dependente de exportação de gás e petróleo corre risco, além da queda do turismo em cidades como Dubai e o grande prejuízo causado por especuladores imobiliários que atuavam no país, mas que retiraram seus investimentos após o EAU se tornar alvo do Irã e ter diversas instalações atingidas diretamente por mísseis e drones iranianos.
3️⃣ O Emirado de Sharjah é a região mais conservadora e islâmica do país, com sua liderança política sendo abertamente contra o alinhamento da capital Abu Dhabi com os EUA e Israel. Uma das consequências do conflito contra o Irã foi provar definitivamente que os EUA não possuem capacidade de defender efetivamente o território dos EAU, reforçando ainda mais essa oposição a relações militares com o bloco sionista. Em um movimento recente, o Emir de Sharjah Sheikh Sultan bin Muhammad Al-Qasimi emitiu decretos criando uma autoridade judicial mais independente no emirado (fora de alguns aspectos federais), sinalizando oficialmente seu descontentamento com as políticas de Abu Dhabi. Oficialmente, o emir de Sharjah, faz discursos defendendo a unidade nacional dos EAU, porém, nos bastidores, ele vem aumentando a autonomia de seu Emirado.
4️⃣ Lembrando que Sharjah é o Emirado mais instável em termos de política palaciana. O atual Emir Sheikh Sultan bin Muhammad Al-Qasimi governa desde 1972. Em 1987 ele sofreu um Golpe de Estado palaciano liderado pelo seu irmão mais velho, Sheikh Abdulaziz bin Mohammed Al-Qasimi. No entanto, o Golpe acabou fracassando devido a Mohammed bin Rashid Al Maktoum, Emir de Dubai, ter convencido os outros líderes reinstalar o Emir deposto bin Muhammad Al-Qasimi 7 dias depois. Em 1972, pouco depois da formação dos Emirados Árabes Unidos, o antigo Emir de Sharjah, Saqr Al Qasimi que governou de 1951 a 1965, tentou retomar o controle do emirado de seu primo Khalid bin Muhammad Al Qasimi que o derrubou no Golpe de 1965. Embora Saqr tenha conseguido tomar o palácio do emirado e matar o Emir Khalid com ajuda de mercenários egípcios, uma intervenção das Forças de Defesa da União dos Emirados Árabes Unidos liderada pelo Emir de Dubai Mohammed bin Rashid Al Maktoum sitiou Saqr e acabou forçando sua rendição.
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