As Delegações do Irã e dos EUA já estão no Paquistão para as negociações de paz

Por Marcus Paiva 
Jornalista 

⚠️ No início da noite de sexta-feira (10) a delegação do Irã pousou na capital do Paquistão, Islamabad, para dar início as negociações com os Estados Unidos. O chefe da delegação e presidente da Assembleia Consultiva iraniana, Mohammad-Bagher Ghalibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, o secretário do Conselho de Defesa, Ali-Akbar Ahmadian, o governador do Banco Central, Abdolnasser Hemmati, o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, e o vice-ministro do Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC) para Assuntos Internacionais, Ali Bagheri Kani, foram recebidos pelo líder de fato do Paquistão, Marechal de campo Asim Munir e pelo ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar.

❗️Islamabad está agora no centro de um momento diplomático potencialmente decisivo para alcançar um acordo de paz entre os Estados Unidos e Irã. O momento é tão delicado e cheio de incertezas que o avião da delegação iraniana saiu de Teerã escoltado pela força aérea paquistanesa por garantia, para evitar qualquer tipo de incidente. Lembrando que o Acordo de Cessar-Fogo (com o plano de 10 pontos inicialmente acordado como base para as negociações) foi proposto pelos moderados do regime: Mohammad-Bagher Ghalibaf e Abbas Araghchi. Os principialistas da linha-dura, como o comando da guarda Revolucionária Islâmica e o líder supremo não queriam negociações mas foram convencidos por Ghalibaf. Assim, o acordo foi aprovado formalmente pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional. Sete dos seus dez membros são principistas moderados e dois reformistas. Todo o Conselho deliberou dentro da estrutura estabelecida pelas diretrizes do Líder Supremo, o principista linha-dura Mojtaba Khamenei. 
‼️ As primeiras reuniões serão a portas fechadas e em fases. Fase Inicial: As delegações do Irã liderada pelo presidente da Assembleia Consultiva Mohammad-Bagher Ghalibaf e dos Estados Unidos liderada pelo vice-presidente JD Vance, realizarão reuniões bilaterais separadas com o primeiro-ministro do Paquistão Shehbaz Sharif que atuará como mediador principal. Fase 1: As negociações indiretas terão início, com ambas as partes trocando suas demandas e posições por meio do canal de mediação do Paquistão, em vez de contato direto. Fase 2 (Condicional): Caso haja progresso construtivo na Fase 1, as negociações avançarão para encontros diretos e presenciais entre representantes dos EUA e do Irã. 

1️⃣ A delegação dos EUA terá JD Vance, vice-presidente dos EUA, que representa Washington nas negociações, com foco na estratégia política e nas condições para um eventual acordo com Teerã. Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, que desempenha papel central na mediação e coordenação diplomática do processo negocial. Jared Kushner — conselheiro da Casa Branca, envolvido em iniciativas anteriores no Médio Oriente, participa como figura de apoio estratégico às negociações. Brad Cooper, comandante do CENTCOM dos EUA, com experiência operacional na região, acompanha o dossiê de segurança e a componente militar das conversações. A delegação estadunidense desembarcou no início da manhã em Islamabad. JD Vance foi recebido também pelo marechal de campo Asim Munir, só que Munir trocou sua farda por um terno para recebê-lo.

2️⃣ O Paquistão manterá a equipe de mediação com as principais autoridades: Shehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão, anfitrião das negociações e mediador político no processo. Marechal de Campo Asim Munir, chefe do Exército do Paquistão e líder de fato do país. Ele é a figura central na segurança nacional e no enquadramento militar das conversações. Ishaq Dar, ministro das Finanças do Paquistão, envolvido na vertente econômica e em eventuais acordos financeiros associados e Mohammad Asim Malik, responsável pela segurança interna paquistanesa, ligado à coordenação de inteligência e apoio logístico do encontro.

3️⃣ Um detalhe importante é que o chefe do exército e líder de fato do Paquistão, o marechal de campo Asim Munir, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz pelo grupo de defesa dos direitos humanos Sikhs for Justice, com sede nos EUA, em reconhecimento ao seu papel na contenção da escalada do conflito entre EUA e Irã. Desde que assumiu o cargo de chefe do Estado-Maior do Exército do Paquistão em novembro de 2022, Asim Munir consolidou o poder, marginalizando rivais nas forças armadas e silenciando críticos como o ex-primeiro-ministro Imran Khan. Munir atua como governante de fato do país. Logo depois de sua posse, Munir logo se promoveu ao posto de general cinco estrelas (Marechal de Campo), anteriormente ocupado pelo ditador militar Marechal Ayub Khan (1958-1969). Posteriormente, Munir criou um novo cargo, ainda mais importante, como Chefe das Forças de Defesa, numa manobra que sinalizou seu status como o líder paquistanês mais poderoso desde Pervez Musharraf (1999-2008).

4️⃣ Os 10 pontos iniciais do acordo de cessar-fogo serão a base para um possível tratado de paz.
1.Fim permanente da guerra, não apenas um cessar-fogo temporário.
2.Nenhum ataque futuro ao Irã, com garantias dos EUA e de Israel.
3.Nenhum ataque israelense ao Hezbollah, inclusive no Líbano.
4.Suspensão de todas as sanções, com alívio total.
5.Fim dos combates na região como um todo, não apenas dos ataques ao Irã.
6.Reabertura do Estreito de Ormuz; o Irã encerraria seu bloqueio.
7.Regras de passagem segura em Ormuz para a navegação.
8.Cobrança de cerca de US$ 2 milhões por navio, como taxa de trânsito em vez de compensação direta.
9.Divisão das taxas com Omã, com partilha dos recursos.
10.Uso da parte do Irã para reconstrução das infraestruturas danificadas.

5️⃣ Todavia, o cessar-fogo de duas semanas, negociado no último minuto e comemorado como um avanço diplomático, já foi minado por interpretações conflitantes, ataques contínuos e discordâncias abertas sobre o que foi acordado. A inclusão ou não do Líbano no cessar-fogo não é uma cláusula menor escondida no texto legal; tornou-se a disputa central que está desfazendo todo o acordo. Israel insiste que o Líbano está excluído. O Irã insiste que deve ser incluído. Washington parece ter se alinhado com a visão de Netanyahu inicialmente mas depois recuou. O resultado são ataques aéreos massivos e centenas de vidas libanesas perdidas em paralelo com negociações que deveriam estar reduzindo a escalada do conflito. Este é o paradoxo que Islamabad precisa enfrentar. 

6️⃣ Há também um desafio estrutural mais profundo. Tanto Washington quanto Teerã se colocaram em posições politicamente difíceis de flexibilizar. Os EUA querem concessões visíveis sobre urânio, mísseis e grupos armados regionais que possam ser apresentadas como uma vitória. O Irã insiste na soberania, no alívio das sanções, na cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz e no direito de continuar o enriquecimento de urânio. Essas são as questões centrais do conflito, e elas não foram significativamente reduzidas. Isso levanta uma questão incômoda: se ambos os lados não conseguem chegar a um acordo sobre os termos de um cessar-fogo de curto prazo, quais são as chances reais de que cheguem a um acordo sobre a arquitetura muito mais complexa de uma paz de longo prazo? Mais importante ainda, Trump precisa conter Netanyahu. A incapacidade de conter os ataques de Israel significa que qualquer acordo não valerá o papel em que for escrito.

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