Trump quer tomar ilhas do Irã com 17 mil militares e arrastar os Emirados Árabes Unidos para a guerra
Por Marcus Paiva
Jornalista
🚩 O Pentágono está se preparando para semanas de operações terrestres no Irã, e essas operações terão início com desembarques anfíbios e tomadas das três ilhas estratégicas do Irã: Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb. Os Estados Unidos estão aumentando sua presença militar no Oriente Médio, mantendo o elemento surpresa ao sinalizar negociações com o presidente do parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf, através da mediação do Paquistão. Só que essa tentativa de tomar as ilhas do Estreito de Ormuz certamente arrastaria os Emirados Árabes Unidos, que disputam a soberania das ilhas com o Irã a anos.
1️⃣ As três pequenas ilhas situam-se na entrada do Estreito de Ormuz. O último Xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi ordenou à Marinha que as ocupasse em 1971. Os Emirados Árabes Unidos reivindicam-nas desde então, especialmente porque tribos árabes habitavam a Grande Tunb e as outras ilhas. Se Trump fizer um desembarque anfíbio nessas ilhas, o que já seria extremamente difícil para as suas tropas, ele teria de devolvê-las aos Emirados Árabes Unidos. Assim, os EUA podem estabelecer ali uma base militar e controlar, em tese, uma parte do Estreito de Ormuz. Mais de 17 mil militares estadunidenses estão se deslocando para a região. Em resposta o Irã já colocou mais de 1 milhão de militares e paramilitares de Prontidão. Do lado do Irã há diversas armadilhas, soldados e emboscadas esperando o desembarque estadunidense.
2️⃣ O comandante sênior da Guarda Revolucionária Islâmica, general Mohsen Rezaei afirmou: "Se sua principal força, o poder aéreo, não trouxe resultados, o que eles esperam de uma operação terrestre? Os soldados americanos estão realmente prontos para morrer por Israel? Veremos." Na quinta-feira, quatro caças E-2D Hawkeye da Marinha dos EUA estão a caminho da Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita. Além disso, seis caças EA-18G Growler foram enviados ontem para a Base Aérea de Ovda, em Israel, e 12 caças F-16C dos 77º e 79º Esquadrões de Caça da Força Aérea dos EUA também estão sendo transferidos para lá. Dois navios de assalto anfíbio e um grupo de ataque de porta-aviões adicional também estão a caminho da região.
3️⃣ Como parte dessa estratégia, os Estados Unidos estariam em negociações, enquanto se preparam para uma possível tomada das ilhas, com a intenção de transferir Abu Musa, Grande Tunb e Pequena Tunb para os Emirados Árabes Unidos em troca de mais bases. Na sexta-feira, em um ataque preemptivo, o Irã teve como alvo locais e equipamentos táticos de paraquedistas e forças especiais dos EUA reunidos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos e na ilha de Bubiyan, no Kuwait. Os ataques utilizaram mísseis balísticos e de cruzeiro, e afundaram 3 das 6 embarcações de desembarque LCU no porto, com as outras 3 danificadas irreparavelmente. A ilha de Bubiyan é a maior ilha do Kuwait, localizada no norte do Golfo Pérsico, com aproximadamente 863 km² de área predominantemente plana, baixa e pantanosa. É uma área quase desabitada, famosa pela reserva natural de Mubarak al-Kabeer, um importante ponto de migração de aves, conectada ao continente por uma ponte militar.
4️⃣ É a partir da ilha Bubiyan que tropas dos EUA pretendem tomar a ilha iraniana de Kharg e lançar bombardeios e tropas especiais para locais estratégicos no território iraniano. O plano atual foi atualizado e agora inclui uma mobilização de cerca de 17 mil militares estadunidenses, dentre eles 7 mil militares do exército, da marinha e da força aérea, 7.500 fuzileiros navais do 31º, 11º Grupo Expedicionário e 11º Grupo Anfíbio Boxer, 3.000 paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada, destacamentos desconhecidos do 75º Delta Rangers e do 160º SEALs, e 3 navios anfíbios para desembarque. A atenção deve se voltar para quatro eixos potenciais: a Ilha de Kharg, as três ilhas iranianas (Abu Musa, Grande e Pequena Tunb), o território iraniano próximo ao Estreito de Ormuz e a região de Chabahar-Konarak. Relatórios recentes também apontam para uma possível operação terrestre dos EUA visando Khorramshahr e Abadan, via Kuwait e Península de Al-Faw.
5️⃣ As Opções para Operações Terrestres dos EUA são: Tomada de ilhas-chave imediatamente ao redor do Estreito de Ormuz, bem como posições costeiras próximas ao estreito, com potencial criação de uma zona de segurança de vários quilômetros. Isso envolveria a tomada de ilhas-chave, como a Ilha de Qeshm, Abu Musa e as Ilhas Tunbs, que circundam imediatamente o estreito, e a tomada de áreas portuárias importantes, como a costa de Bandar Abbas e a zona costeira de Jask, para evitar ataques retaliatórios de drones navais contra petroleiros. Esta operação provavelmente poderia ser realizada com a coordenação de desembarques navais dos Fuzileiros Navais e forte apoio aéreo. Muito arriscada e mortal. Tentar tomar a ilha de Kharg inicialmente seria o pior dos cenários para os EUA.
6️⃣ Incursão de forças especiais no norte do Irã com o objetivo de neutralizar e capturar componentes nucleares essenciais e materiais de enriquecimento para desmantelar diversos programas de degradação nuclear. Isso provavelmente seria feito por meio de um ataque de helicóptero e pequenos destacamentos de forças especiais, possivelmente apoiados por uma força de paraquedistas de reação rápida. Os locais nucleares que seriam alvos incluem Natanz, Fordow, Isfahan e Parchin-Taleghan 2. Devido a muitas dessas instalações serem subterrâneas, essa seria provavelmente uma operação extremamente perigosa e improvável, apesar da proximidade com o território do aliado Kuweit.
7️⃣ Chabhar é uma possibilidade importante caso se utilizem Unidades Expedicionárias de Fuzileiros Navais (MEUs) em um desembarque anfíbio. É o único porto de águas profundas do Irã em mar aberto, o que significa que recebe alguns dos maiores navios. Algumas considerações: As instalações portuárias podem acomodar forças de reforço adicionais. Chabhar possui uma grande capacidade de movimentação de carga rolante (roll-on/roll-off), com 5 a 10 berços para navios e movimenta 8,5 milhões de toneladas por ano. Os maiores portos, como Bandar Abbas e Imam Khamenei, estão localizados a oeste do Estreito. Não exige a navegação pelo Estreito de Ormuz, nem a passagem por um bombardeio para chegar a Kharg. Ambos os casos representam risco de fogo cruzado de mísseis e drones. A curva acentuada torna o porto uma zona de ataque para uma força-tarefa naval, uma característica geográfica que historicamente representou uma grande vantagem para o seu bloqueio.
8️⃣ Isolamento relativo da rede principal de estradas. Chabhar está localizado em uma das extremidades menos densas da malha rodoviária iraniana. Existe uma artéria principal, a Rota 95, que realiza 90% do trabalho. Isso pode levar mais tempo para a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ou o exército iraniano concentrarem e deslocarem unidades militares para lá, em comparação com Bandar Abbas ou Imam Khamenei. Agora, o outro lado da moeda: Tomar essa rota pode criar um gargalo para as forças estadunidenses. Assim como isso atrasa o reforço para o porto, também impede ou retarda uma possível fuga. O resultado seria uma situação como a de Galípoli, com todos presos.
9️⃣ Há também a possibilidade de a IRGC ou o exército iraniano se posicionarem previamente. E se a 82ª e a 101ª Divisões Aerotransportadas estiverem no teatro de operações junto com uma Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais ? Isso significa que podem ser usados simultaneamente a qualquer possível avanço marítimo. Ataques aéreos, lançamento de paraquedistas ou tomada de ilhas são possibilidades, embora um lançamento de paraquedistas seja menos provável. Lançamentos de paraquedistas exigem uma supressão significativamente maior em alto nível e em toda a área de operações.
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