Trump envia fuzileiros navais para o Oriente Médio e quer uma operação de assalto anfíbio no Irã
Jornalista
🚩 Na manhã de sexta-feira, Trump enviou 5.000 fuzileiros navais e o navio de assalto anfíbio USS Tripoli para o Oriente Médio. As Unidades Expedicionárias de Fuzileiros Navais são capazes de realizar desembarques anfíbios, mas também se especializam em reforçar a segurança em embaixadas, evacuar civis e prestar auxílio em desastres. Uma Operação de Assalto Anfíbio é uma das manobras militares mais complexas e arriscadas que existem. Ela envolve a projeção de forças terrestres (geralmente fuzileiros navais) a partir do mar para uma costa hostil ou potencialmente ocupada. O objetivo não é apenas "chegar na praia", mas estabelecer uma cabeça de praia (uma área segura em terra) que permita o desembarque de mais tropas, equipamentos e suprimentos.
1️⃣ A 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, assim como o navio de assalto anfíbio Tripoli e outros que transportam os fuzileiros navais, estão baseados no Japão e encontram-se no Oceano Pacífico há vários dias. O Tripoli foi avistado por satélites comerciais navegando perto das Filipinas, o que o coloca a mais de uma semana das águas do Irã. No início da semana, a Marinha tinha 12 navios, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln e oito destróieres, operando no Mar Arábico. Caso o Tripoli se junte a essa flotilha, será o segundo maior navio da região, atrás apenas do Lincoln. 2.500 fuzileiros navais da 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, acompanhados pelo Grupo Anfíbio de Prontidão Tripoli, composto pelos navios USS Tripoli (LHA-7), USS San Diego (LPD-22) e USS New Orleans (LPD-18), além de aproximadamente 20 caças F-35B Lightning II e aeronaves V-22 Osprey, receberam hoje ordens do Secretário de Guerra Pete Hegseth para se deslocarem ao Oriente Médio.
2️⃣ Os Estados Unidos aparentemente estão dispostos a enviar 5.000 fuzileiros navais para a ilha de Kharg, localizada a 25 km da costa iraniana, para transformá-la em uma cabeça de praia para uma operação terrestre no Irã. A ilha de Kharg é responsável por cerca de 90% das exportações iranianas de petróleo. Lá encontram-se enormes tanques de armazenamento, píeres de carregamento e instalações de bombeamento ligadas aos campos petrolíferos do interior. Como o Irã está conseguindo aumentar suas exportações petrolíferas mesmo após o fechamento seletivo do Estreito de Hormuz, a ideia dos EUA é atacar essa importante arteria da indústria petrolífera iraniana.
3️⃣ Entretanto, esse plano é mais um erro estratégico dos EUA. Uma operação com fuzileiros navais nessa proximidade da costa iraniana é praticamente uma missão suicida. O efetivo de 5.000 fuzileiros não permite, nem de longe, um assalto anfíbio de grande vulto. Para se ter uma ideia, 132.000 soldados foram mobilizados para a invasão da França no Dia D, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas ações pontuais para garantir o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz talvez estejam no radar dos estrategistas dos EUA. Se a guerra estivesse perto de acabar, como disse Trump, esse movimento não estaria sendo feito. Recentemente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que o Irã está esperando uma incursão terrestre de Washington.
4️⃣ Mesmo se a operação fosse um sucesso, haveria uma consequência imediata: o Irã destruiria a infraestrutura energética do Golfo. A lógica é simples. Se o Ocidente destruiu a capacidade iraniana de exportar petróleo, o Irã responderá na mesma moeda. O Irã sabe e espera por essa invasão. É uma forma de mostrar seu poderio militar e causar milhares de baixas estadunidenses. Considerando o alcance dos drones baratos do Irã, tal implantação não resolve nada em termos de bloqueio do transporte marítimo iraniano. Além disso, a ideia de tomar o terminal da ilha de Karg é um erro. Jogar os fuzileiros navais em uma pequena ilha repleta de petróleo altamente inflamável, a 25 km de tropas enfurecidas e sedentas por vingança, com muitas armas e explosivos, bem dentro do alcance de mísseis balísticos de curto alcance das posições de tiro nas montanhas do Irã não parece ser uma boa ideia.
5️⃣ O problema é que os comandantes estadunideses no Oriente Médio planejaram isso há 40 anos e estimaram seriam necessários mais de 6.000 fuzileiros navais, além de todo o equipamento, espalhados por várias ilhas. O plano era primeiro tomar Larak, Ormuz e Qeshem (a ilha em forma de tubarão)/Hengam para cercar Bandar Abbas. Romper o estreito de Ormuz, que estava bloqueado,
então, pequenos grupos de desembarque atacariam as ilhas de Tumb Maior/Pequeno, Abu Musa, Sirri e, por fim, Kish. Isso deixaria uma enorme e facilmente detectável assinatura. Entretanto, a arma mais perigosa na região não é um míssil, um submarino ou um porta-aviões. É algo que está oculto nas águas: minas navais.
6️⃣ Porque o Irã colocou minas navais nas águas do Estreito de Ormuz? Baratas de implantar. Difíceis de detectar. Capazes de parar navios de bilhões de dólares. Existem vários tipos, cada um projetado para uma armadilha diferente: Minas à deriva, flutuam livremente com as correntes e detonam ao contato. Minas de contato flutuantes, ficam logo abaixo da superfície e explodem quando um navio toca as pontas. Minas de contato ancoradas, são fixadas ao fundo do mar com um cabo, à espera como armadilhas subaquáticas. Minas de influência são mais inteligentes. Elas detectam o campo magnético de um navio, o ruído do motor ou as ondas de pressão. As minas de fundo permanecem silenciosamente no leito marinho até que um alvo passe por cima. As minas autoenterrantes se escondem sob o sedimento, tornando a detecção extremamente difícil. E o tipo mais avançado: as minas torpedo ascendentes. Elas detectam um alvo, lançam um torpedo para cima e perseguem o navio ou submarino.
7️⃣ Autoridades estadunideses afirmaram na quarta-feira que cerca de 20 minas foram lançadas no Estreito de Ormuz. O arsenal iraniano inclui minas marítimas que podem flutuar a apenas 90 centímetros de profundidade, ancorar-se no fundo do mar a profundidades de até 50 metros e detonar até 120 kg de explosivos ao contato. O Irã as lança principalmente usando mergulhadores de combate em pequenas embarcações disfarçadas de barcos de pesca, o que as torna praticamente impossíveis de identificar e eliminar. O objetivo não é afundar navios, mas sim interromper o transporte marítimo global, já que a mera ameaça de minas é suficiente para manter os petroleiros fora do estreito.
8️⃣ O Irã possui um grande estoque de minas navais: A mina M-08/K-8 com a profundidade de contato de 0 a 50 m, ~200 kg de TNT, e um estoque estimado de 2.000 a 6.000 unidades. Pode ser lançada de uma embarcação civil em minutos. Custo unitário: US$ 2.000 a US$ 3.000. Mina autopropulsada EM-52 com a profundidade de 15 a 100 m, ~300 kg de TNT, detecta a assinatura de um navio e lança uma carga vertical em direção ao casco. Praticamente indetectável por sonar. Mina UUV Kamikaze Azhdar, 0 a 200 m, ~200 TNT, autonomia de 96 horas em emboscada silenciosa com alcance de 127 km. Alvo preferencial são superpetroleiros VLCC. Mina Ya Mahdi Kamikaze USV. Em superfície, com mais de 250 kg de TNT e capaz de atingir velocidades de até 50-70 nós. Frequentemente disfarçado de barco de pesca, seu primeiro ataque confirmado ocorreu no Estreito de Ormuz contra o petroleiro MKD VYOM, no Golfo de Omã.
9️⃣ 40% do comércio mundial de GNL transita pelo Estreito de Ormuz. O afundamento de um único VLCC resultaria no derramamento de 200.000 toneladas de petróleo no Golfo. Os riscos associados a esse bloqueio são, portanto, imensos. Em caso de desembarque anfíbio na ilha Kharg ou em qualquer outra ilha iraniana seria desastroso. Centenas de milhares de membros da Guarda Revolucionária Iraniana e da milícia Basij sairiam e bombardeariam/atacariam suicidamente essas ilhas a partir das montanhas que as cercam. Além disso, o reabastecimento viria das bases dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, que seriam atingidas novamente. Eles podem não concordar. Isso significa que a cadeia de suprimentos teria que passar por uma região de fronteira altamente disputada.
🔟 A Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais teria que lançar embarcações de assalto/LAVs/hovercrafts do leste da península de Mussandam, sob a vista das montanhas iranianas, sob fogo de drones Shaed, drones submarinos, barcos suicidas não tripulados ou minas navais na região de fronteira. Os EUA não possuem blindados anfíbios sobre esteiras suficientes, embarcações de desembarque LCU ou hovercrafts LCAC-100 para levar uma força do tamanho adequado até a praia e essa força seria bombardeada e atacada por drones suicidas dia e noite. Se o Pentágono se dignasse a trazer o navio da Base Marítima Expedicionária da Itália para o Oceano Índico, as Forças de Operações Especiais (SOF) pelo menos teriam uma plataforma segura mas até agora nada foi feito. Acrescente-se a isso a proposta absurda de fazer a 82ª Divisão Aerotransportada saltar de paraquedas em ilhas. Se a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) quisesse, teria tudo para se tornar uma Batalha de Hostemel para os estadunidenses.
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