Presidente da Venezuela Delcy Rodríguez demite ministro da Defesa Padrino López
Por Marcus Paiva
Jornalista
🚩 O general Vladimir Padrino López foi demitido do cargo de ministro da Defesa pela presidente interina da Venezuela Delcy Rodriguez do cargo de Ministro da Defesa. Por pressão do presidente Trump, Delcy Rodriguez está transformando o regime chavista remanescente em uma máquina mais favorável a ela e ao seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Os EUA oferecem uma recompensa de $15 milhões pela captura de Padrino López, que ocupou o cargo de ministro da Defesa por quase 11 anos e meio. Em seu lugar, Delcy nomeou o ex-diretor de contraespionagem militar general Gustavo González López para o cargo.
1️⃣ Tradicionalmente, na Venezuela, os ministros da Defesa serviam por um ano. Isso mudou radicalmente em 2014, quando o então presidente Nicolás Maduro nomeou o general Vladimir Padrino López para o cargo. Padrino López era fiel ao presidente Maduro e causava resistência ao colaboracionismo dos irmãos Delcy e Jorge Rodríguez em relação aos EUA. "Agradecemos ao General Vladimir Padrino López por sua lealdade à Pátria e por ter sido, ao longo de todos esses anos, o primeiro soldado na defesa de nosso país. Temos certeza de que ele assumirá as novas responsabilidades que lhe forem confiadas com o mesmo empenho e honra", escreveu Delcy Rodríguez em uma mensagem publicada em X.
2️⃣ Padrino foi considerado, durante todo esse período, uma figura fundamental para manter a estabilidade e o apoio dos militares ao governo chavista, apesar das dúvidas e críticas que aumentaram ao longo dos anos em relação à legitimidade do governo. Sua imagem, no entanto, foi questionada após a operação militar de 3 de janeiro, durante a qual as forças especiais estadunidenses conseguiram penetrar no Forte Tiuna, a principal instalação militar da Venezuela, entrar no esconderijo de Maduro e prendê-lo junto com sua esposa, Cilia Flores, sem que as forças militares venezuelanas demonstrassem qualquer capacidade de reação. Após a captura de Maduro, porém, a situação desse oficial militar não se mostra tão favorável para o governo de Rodríguez. Neste momento, o General Padrino era, na verdade, um obstáculo aos interesses dos Estados Unidos, no que diz respeito à tutela que o Presidente Donald Trump pretende exercer sobre as Forças Armadas Venezuelanas.
3️⃣ O novo Ministro da Defesa, general González López, não tem influência nem liderança dentro das Forças Armadas venezuelanas, visto que a última vez que ocupou um cargo militar foi em 2008 e que, desde então, só desempenhou funções relacionadas a agências de inteligência, onde acumulou questionamentos sobre questões de direitos humanos. Apesar disso, sua nomeação não gera perigo de levante nas fileiras militares, pois as Forças Armadas Venezuelanas foram severamente prejudicadas desde a operação militar dos EUA em 3 de janeiro. Isso expôs as fragilidades da instituição militar, mas também contribuiu brutalmente para a desmoralização dos diferentes componentes das forças armadas. A nomeação de González López poderá gerar um ruído particular nas áreas onde existem oficiais que se identificam ideologicamente com a revolução bolivariana.
4️⃣ Padrino foi uma figura importante durante o breve golpe contra Chávez em abril de 2002, pois na época comandava uma unidade blindada estacionada no Forte Tiuna em Caracas, que se recusou a aderir ao Golpe. Sua figura, no entanto, começou a ser conhecida por grande parte dos venezuelanos em julho de 2012, quando Chávez o promoveu a segundo comandante do Exército e chefe do Estado-Maior. Essa ocasião é lembrada porque, ao apresentar um desfile militar, Padrino se referiu aos soldados como "patriotas, bolivarianos, socialistas, anti-imperialistas, revolucionários, treinados e equipados para assumir o dever sagrado de defender a nação". Maduro o promoveu a general-chefe em 2013 e, um ano depois, ele chegou ao Ministério da Defesa.
5️⃣ Padrino desempenhou um papel fundamental porque, quando assumiu o cargo, havia uma situação de "reorganização interna" nas Forças Armadas em consequência da morte de Chávez. Quando Padrino López chegou, havia muitos grupos poderosos dentro da instituição militar, e ele, que não é um homem de confrontos, conseguiu fazer com que coexistissem dentro das Forças Armadas e que cada grupo entendesse que se beneficiaria com o acordo de paz. Claro que isso significou conceder quotas econômicas e de poder a alguns desses setores. Ao longo do tempo, Padrino minimizou esses conflitos internos, harmonizando as Forças Armadas e, de certa forma, unificando-as. E esse mérito é o que lhe permite permanecer como Ministro da Defesa após dez anos, sem resistência dentro das Forças Armadas. Em 2016, Maduro criou uma empresa militar, a Camimpeg, que possui poderes legais para explorar, procurar e distribuir petróleo. Isso também lhes concedeu o controle do chamado Arco Mineiro, uma área no sul do país que contém uma das maiores reservas de ouro do mundo.
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