O Irã está usando os drones kamikaze aperfeiçoados pela Rússia
Jornalista
⚠️ Os drones kamikaze "Lucas" usados pelos Estados Unidos para abrir caminho para os caças israelenses atacarem Teerã no início da Guerra são fruto de engenharia reversa do drone kamikaze iraniano Shahed-136. Ele é um UAV de ataque que custa apenas 20 mil dólares por unidade, projetado para ser lançado aos milhares em ataques de enxame e saturar as defesas inimigas. Esse drone já se provou em combate, sendo amplamente utilizado pela Rússia, que inicialmente importou centenas de drones Shahed-136 do Irã. O armamento se provou tão eficiente que a Rússia licenciou a produção do drone, criando uma versão local que ficou conhecida como "Geran".
1️⃣ Nos campos de batalha da Ucrânia, o Geran/Shared-136 é lançado quase que diariamente contra alvos estratégicos ucranianos, conseguindo muitas vezes passar despercebido pelos radares e sistemas de defesa antiaérea, pois esse drone consegue voar baixo, o que dificulta sua detecção. Em ataques maiores, a Rússia lança dezenas ou até centenas de Geran de uma única vez, saturando completamente os sistemas de defesa antiaérea da Ucrânia, abrindo grandes janelas de oportunidade para ataques de precisão de mísseis. O maior trunfo do Shared-136 está na sua simplicidade e preço baixo, pois sua produção é extremamente simples, pois essas são suas características técnicas:
2️⃣ Impulsionado pelo pequeno motor iraniano MD-550 de quatro cilindros e dois tempos, acoplado a uma hélice propulsora de duas pás montada na traseira. Velocidade de cruzeiro de 185 km/h e alcance de até 2.500 km na versão padrão ou 4.000 km na versão Shahed-136B. Pode voar a baixa altitude para desviar de radares, entre 60 e 4.000 metros. Orientação inercial corrigida por sistemas de satélite GNSS como GLONASS, BeiDou ou GPS, além de antenas anti-interferência e câmeras embutidas para a visão do operador humano. Pode carregar uma ogiva explosiva de 50 a 90 kg, que pode ser altamente explosiva, de fragmentação ou termobárica. E pesa de 200 a 240 kg, dependendo da configuração, com 3,5 metros de comprimento e uma envergadura de 2,5 metros.
3️⃣ Na Rússia o Shared-136 sofreu algumas alterações pois a Ucrânia desenvolveu drones interceptadores, que são baratos e tem a função de explodir os drones da Rússia. Para tornar o Shared-136 mais eficiente os russos instalaram nos deones sistemas anti-interferência "Kometa-M". O drone iraniano Shahed-136 que atingiu a base britânica no Chipre Akrotiri estava equipado com esse sistema. Aparentemente, o Kremlin transferiu algumas atualizações tecnológicas para os iranianos. A versão russa, "Geran-2", foi testada em combate contra defesas ocidentais na Ucrânia e tem se saído muito bem. Além disso, o Shared-136 também foi projetado para ser à prova de sanções, já que boa parte dos seus componentes é de fabricação nacional iraniana, e o restante é facilmente encontrado em qualquer mercado de eletrônica, com os fornecedores chineses suprindo tranquilamente a demanda pelos componentes eletrônicos utilizados em sua fabricação.
4️⃣ Por sua tamanha eficiência e custo/benefício, o Shared-136 se tornou a ponta de lança do Irã para operações de ataques retaliatórios contra alvos dos EUA no Oriente Médio e Israel. O drone também já se provou amplamente em combate, tendo sido utilizado pelos Houthis do Iêmen já em 2019 para atacar instalações críticas da Arábia Saudita, como refinarias de petróleo e navios. Ele também foi utilizado na Síria e agora é uma das principais armas ofensivas da Rússia na Guerra da Ucrânia. Israel e EUA estão tentando contornar essa vantagem tática do Irã usando o míssil ar-ar de curto alcance AIM-9 Sidewinder que custa até US$ 500.000 por unidade, para abater os drones. Um míssil terra-ar como os mísseis do Patriot PAC-3, avaliados em US$ 3.000.000 acabam custando 6.000.000 por disparo. Agora os EUA e Israel estão usando uma munição muito mais barata contra esses drones: Chama-se “APKWS” (custa menos de 30 mil dólares) e já foi muito usado contra os drones dos Houthis do Iêmen do Norte e do Irã durante os combates no ano passado na guerra dos 15 dias.
Comentários
Postar um comentário