Irã muda nome do substituto de Larijani e escolhe ex-ministro da Defesa linha-dura para chefiar a segurança nacional

Por Marcus Paiva 
Jornalista

🚩 O governo iraniano nomeou o ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) General Hossein Dehghan, como o novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, substituindo o falecido Ali Larijani. Há alguns dias, o Diplomata Saeed Jalili havia sido indicado para o cargo mas tudo mudou quando o ministro da inteligência Esmail Khatib, foi morto por um bombardeio Israelense no dia 19. Com o assassinato de Khatib o governo escolheu um general linha-dura que tem uma longa experiência em guerra assimétrica. 

1️⃣ O general Dehghan desempenhou um papel importante na tomada da embaixada dos EUA, durante a revolução iraniana em 1979; também foi comandante da guarda Revolucionária Islâmica no Líbano e na Síria em 1983, o que coincidiu com o bombardeio do Hezbollah ao quartel dos fuzileiros navais em Beirute, matando 241 militares estadunidenses; foi comandante da então Força Aérea da guarda Revolucionária Islâmica; vice-chefe do Estado-Maior Conjunto da Guarda Revolucionária; chefe da Fundação Cooperativa da Guarda Revolucionária; vice-ministro da Defesa sob Ali Shamkhani e, posteriormente, ministro da Defesa. Dehghan é uma dessas figuras com experiência em diferentes facções: serviu durante os governos Khatami e Rouhani, mas também foi vice-presidente durante o governo Ahmadinejad. Ele é uma figura diferente do linha-dura Saeed Jalili, pois não tem a experiência diplomática de Larijani e Jalili. Ele é um homem da guerra e da Guarda Revolucionária Islâmica, e sua escolha diz muito sobre o caminho que o Irã está tomando.

2️⃣ Dehghan já estava no radar dos EUA na década de 1980. De acordo com o depoimento prestado ao Senado estadunidese em 1985 por Nathan Adams, então repórter investigativo da Reader's Digest , Dehghan coordenava o “pessoal, doutrinação e treinamento” do Hezbollah. Adams também revelou que o “controle duplo de Dehghan era sobre as embaixadas da República Islâmica em Beirute e Damasco”. Portanto, é provável que Dehghan tenha mantido contato com o então embaixador do Irã na Síria, Ali Akbar Mohtashamipour, que dirigiu ataques contra interesses dos EUA no Líbano durante esse período. Mais tarde, Dehghan chefiou a Base Aérea de Sarallah da Guarda Revolucionária Islâmica e foi vice-comandante da então Força Aérea da IRGC.

3️⃣ Após a Guerra Irã-Iraque, foi promovido a chefe da Força Aérea da Guarda Revolucionária em 1990. Mas a passagem de Dehghan pelo cargo foi discreta, permanecendo até 1992. De fato, Dehghan teve um dos mandatos mais curtos no comando da Força Aérea da IRGC desde 1979. Ele foi substituído por um oficial com mais experiência e prestígio na Força Aérea, general Mohammad Hossein Jalali, que havia servido anteriormente como ministro da Defesa. Essa reestruturação pareceu ser uma tentativa de profissionalizar a Força Aérea da IRGC. Após esse episódio, ele chegou a ser vice-chefe do Estado-Maior Conjunto da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) até 1996, mas isso representou um retrocesso em comparação com as experiências de outros comandantes da Força Aérea da IRGC. Alguns ascenderam ao comando da polícia iraniana e serviram como vice-comandante-em-chefe de toda a IRGC. Um desses comandantes, Hossein Salami, chegou a servir como vice-chefe de operações do Estado-Maior Conjunto da IRGC antes de ascender ao comando da Força Aérea da IRGC.

3️⃣ No governo de Mohammad Khatami atuou como vice-ministro da Defesa de Ali Shamkhani. Essa mudança foi significativa, pois representou a primeira nomeação política de Dehghan. O fato de Khatami ter lhe confiado essa posição foi notável. Dehghan ascendeu na hierarquia durante o mandato de Mohsen Rezaei como comandante-em-chefe da IRGC. Khatami tinha uma relação tensa com Rezaei devido ao apoio percebido deste último ao rival de Khatami na corrida presidencial. Como resultado, Dehghan demonstrou sua capacidade de manter a credibilidade tanto entre conservadores quanto reformistas. Durante seu mandato, Khatami foi alvo de críticas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) por sua gestão das manifestações estudantis em julho de 1999. Em uma carta extraordinária, comandantes de alto escalão da IRGC acusaram Khatami de fomentar a anarquia. 

4️⃣ Com sua experiência na Guarda Revolucionária e como membros do governo Khatami, Shamkhani e Dehghan se viram em situações delicadas. Contudo, Dehghan não parece ter perdido o respeito dos setores mais radicais do regime, permaneceu por anos como vice-ministro da Defesa e, posteriormente, foi nomeado por Khatami e mantido no cargo por seu sucessor conservador, Mahmoud Ahmadinejad (principialista deviante) como vice-presidente. Essa nomeação também revitalizou a rede de contatos de Dehghan no Líbano. Após a eleição de Hassan Rouhani como presidente, Dehghan foi nomeado ministro da Defesa. Seu antecessor, Ahmad Vahidi, era um ex-comandante da Força Quds da IRGC. Significativamente, o Líder Supremo Ali Khamenei teria rejeitado a primeira escolha de Rouhani para o cargo, Hossein Alaei, devido às críticas que Alaei havia feito a Khamenei no passado. 

5️⃣ O fato de Dehghan ter conquistado a aprovação de Khamenei foi um sinal de confiança. Em muitos aspectos, Dehghan pode ser considerado um protegido de Shamkhani, ambos serviram como ministros da Defesa, comandantes de ramos da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), conselheiros do líder supremo do Irã e combinaram essas credenciais com serviços prestados a governos reformistas e pragmáticos. Ele é alguém capaz de transitar com maestria entre os diversos setores armados, profundos e eleitos do Irã. Dehghan, possui seus laços pessoais com o Eixo da Resistência, podendo implementar a doutrina mosaico militar para além do Irã e complicar a situação da região para os EUA. Na política, Dehghan se destaca por ser o único general com experiência em governos reformistas, pragmáticos e conservadores.

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