🇮🇷 Partidos curdos formaram uma aliança de oposição contra o governo do Irã
Por Marcus Paiva
Jornalista
🚩 Partidos curdos no Irã anunciaram no domingo a formação de uma coalizão chamada Aliança das Forças Políticas do Curdistão Iraniano, uma frente de oposição à República Islâmica em um momento de crescente pressão por protestos domésticos e pela presença militar dos Estados Unidos. A coalizão inclui o Partido da Vida Livre do Curdistão (PJAK - Peyman Viyan), Partido da Liberdade do Curdistão (PAK - Hussein Yazdanpanah), Partido Democrático do Curdistão Iraniano (PDKI - Mostafa Hijri), Organização da Luta do Curdistão Iraniano (Khabat - Baba Sheikh Hosseini) e Partido Komala dos Trabalhadores do Curdistão (Reza Ka’bi). Essas facções políticas dissidentes têm sido alvos militares do Irã há muito tempo, com muitos de seus membros exilados na região do Curdistão, no Iraque.
1️⃣ Duas facções Políticas curdas recusaram-se a aderir formalmente à aliança: o Partido Komala do Curdistão Iraniano e o Komalah (CPI). No entanto, esses partidos continuam participando do Centro de Diálogo e aguardam circunstâncias politicamente mais favoráveis antes de estreitar laços com os demais grupos. Essa nova coalizão tem como objetivos declarados derrubar o atual governo iraniano e garantir a autodeterminação do Curdistão Iraniano. Juntos, os 7 partidos têm quase 7.000 combatentes. É a primeira vez desde a revolução iraniana em 1979 que um grupo político declara como objetivo derrubar o regime teocrático dos Aiatolás. A coalizão curda também estabelece uma entidade nacional e democrática baseada na vontade política do povo curdo no Curdistão Oriental.
2️⃣ Embora não tenha ocorrido uma ação armada coletiva, houve relatos de que membros do PJAK, afiliado iraniano do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), foram interceptados recentemente por Teerã. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) teria sido informado pela agência de inteligência da Turquia sobre a tentativa de travessia para o Curdistão iraquiano. O grupo negou os relatos de interceptação. Ancara, a União Europeia e os EUA designam o PKK como uma organização terrorista. O Irã tem atacado a região do Curdistão no Iraque com mísseis e drones, geralmente visando grupos de oposição curdo-iranianos, bem como locais ligados aos EUA e infraestruturas de energia curdas. O presidente do Curdistão iraquiano Nechirvan Barzani demonstrou apoio total aos curdos iranianos.
3️⃣ Iraque e Irã assinaram um acordo em 2023, com Bagdá comprometendo-se a desarmar e realocar grupos curdo-iranianos das áreas de fronteira para campos de refugiados. Desde então, as facções armadas permaneceram, em sua maioria, à margem dos conflitos. No entanto, uma nova oportunidade surgiu quando protestos eclodiram em todo o Irã no final do ano passado, marcando a maior onda de agitação no país em anos. Grupos curdo-iranianos divulgaram mensagens de apoio. Em uma abordagem mais cautelosa, a liderança curda iraquiana evitou emitir declarações diretas de apoio às manifestações. A Coalizão será liderada pelos líderes dos partidos que formaram a aliança: Mustafa Hijri (KDPI) líder político do Curdistão Oriental, Hussein Yazdanpanah (PAK) líder militar, Baba Sheikh Hosseini (Khabat), Viyan Peyman (PJAK) e Reza Kaabi (Komala).
4️⃣ Os protestos recentes espalharam-se rapidamente por áreas de maioria curda no oeste do Irã. Em janeiro, a agência de notícias Human Rights Activists, sediada nos EUA, afirmou que a maioria das mortes relacionadas à repressão das autoridades ocorreu em áreas curdas. A proposta de formar tal coalizão havia sido apresentada em 2022, em resposta aos protestos na época pela morte da jovem curda-iraniana Mahsa Amini. Em retaliação ao apoio aos distúrbios naquele período, a IRGC lançou vários ataques com drones e mísseis contra instalações do KDPI e do Komala. O PAK e o IRGC chegaram a lutar do mesmo lado quando o Irã enviou forças ao Iraque para combater o ISIS há uma década. O grupo também recebeu treinamento dos EUA para combater o grupo extremista. Embora seja pequeno, o grupo mantém certa capacidade de combate.
5️⃣ A decisão de formar a aliança ocorre em um momento de tensão crescente entre o Irã e os EUA, apesar das negociações nucleares. O presidente dos EUA, Donald Trump, teria planejado vários cenários de ação, incluindo uma opção militar para atingir o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. O Irã está sob pressão há semanas devido a surtos de desobediência civil, que deram sinais de ressurgimento com protestos estudantis neste fim de semana. A tensão continua alta em meio a movimentações militares dos EUA e exercícios navais iranianos no Estreito de Ormuz esta semana.
Comentários
Postar um comentário