🇮🇷 O líder supremo do Irã foi morto nos bombardeios dos EUA e de Israel. E agora, como será a sucessão ?

Por Marcus Paiva 
Jornalista 

🚩 A mídia estatal iraniana confirmou a morte de Ali Khamenei dizendo que "o Líder Supremo do Irã foi "martirizado" no seu local de trabalho." O Aiatolah Ali Khamenei, que estava reunido com outras autoridades no complexo de governo na capital Teerã, foi morto no primeiro ataque aéreo conjunto dos EUA e de Israel, na operação que foi rebatizada de Leão Rugidor por Israel e Operação Fúria Épica pelo Pentágono. "No momento do martírio, ele estava a desempenhar as suas funções atribuídas e presente no seu local de trabalho (o seu gabinete), e este ataque covarde ocorreu nas primeiras horas da manhã de sábado", disse o comunicado oficial. Israel afirmou que vários dos mais altos comandantes militares do Irã foram mortos, junto com o líder supremo, incluindo o general Mohammad Pakpour, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica; o ministro da Defesa, general Aziz Nasrizadeh; e o Almirante Ali Shamkhani, ex-chefe da Marinha iraniana e assessor próximo do aiatolá Khamenei. A mídia estatal iraniana confirmou que a filha, um neto, a nora e o genro de Khamenei também foram mortos nos ataques. O Comandante da Força Quds, Esmail Qaani, sobreviveu.

⚠️ O Aiatolah Ali Khamenei já foi presidente do Irã de 1981 a 1989 e era o líder supremo (Chefe de Estado) do Irã desde 1989. Khamenei foi morto por um bombeiros conjunto dos EUA e de Israel em Teerã e o governo decretou 40 dias de luto e 7 de feriado. O líder supremo não tem vice mas com a sua morte não há vacância de poder. A Constituição iraniana estabelece que a Assembleia de Peritos, composta por 88 especialistas (clérigos) é o órgão que seleciona o novo Líder, mas até lá, o poder é transferido para a "Liderança Provisória", um comitê formado por três indivíduos: o presidente Pezeshkian, o chefe do poder judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Ejei e um clérigo nomeado pelo Conselho dos Guardiães. Este comitê assume certas funções do chefe de Estado até que o novo Líder seja selecionado mas esse comitê não pode tomar decisões estratégicas.

1️⃣ O postulante para substituir Ali Khamenei deve ser um clérigo de alto cargo (mujtahid ou marja'-e taqlid/Aiatolah ou Grande Aiatolah) e ter profundo conhecimento dos textos religiosos. O eleito deverá reunir pelo menos 59 dos 88 votos disponíveis na Assembleia dos Peritos. O verdadeiro poder na teocracia xiita reside na Assembleia dos peritos e no Conselho dos Guardiães, ou Shūrā-ye Negahbān. Guardiões que foram nomeados por Khamenei, que anteriormente avaliaram os candidatos que se inscreviam para ingressar na Assembleia de Peritos e submetiam a votação popular. Seus 12 membros agora detêm o poder real. Para ser elegível a uma das 12 vagas no Conselho dos Guardiães, é preciso ser especialista em Direito Islâmico ou Direito Constitucional. Há seis vagas disponíveis para cada uma dessas especializações. Seu poder vai além do do Aiatolah, pois podem vetar leis ou resultados eleitorais.

2️⃣ Entre os candidatos a sucessão no cargo de Líder Supremo estão o filho de Khamenei, Mojtaba, que conta com o apoio da Guarda Revolucionária Islâmica. Outro é o Aiatolah Alireza Arafi, outro principialista (conservador linha-dura). Mohsen Qomi tem um perfil semelhante e foi conselheiro de política externa de Khamenei. Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, o atual chefe do judiciário, também está na lista e é um dos apoiadores das execuções dos manifestantes. Ahmad Khatami é outro principialista e extremamente antiocidental, assim como Mohammad Mehdi Mirbagheri. Se um principialista for eleito como novo Líder supremo, a estratégia de mudança de regime por decapitação dos EUA falhou. Se um reformista for eleito como Sadegh Larijani, ainda sim será ruim para os EUA. Se um reformista pragmático for escolhido o cenário muda pois será um moderado no cargo e pode ser colaboracionista, na melhor das hipóteses. Se um militar ou o povo tomar o poder dos Aiatolás, será o cenário perfeito para a mudança de regime por decapitação proposta pelos EUA.

3️⃣ Outro fator a considerar é que a Guarda Revolucionária Islâmica exerce influência tácita nas eleições. Ter o seu apoio garante um mandato seguro. Mas, com a morte do seu comandante hoje, esse apoio entra em um limbo de sucessão. O Brigadeiro-General Ahmad Vahidi foi nomeado o novo Comandante-em-Chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã há poucos minutos. Outro fator é a estabilidade do Irã depois da morte de Khamenei. No nordeste e noroeste do país atuam os grupos guerrilheiros do Partido da Liberdade do Curdistão que já operam como uma coalizão política com outros partidos curdos. Na província de Sistão-Baluchistão, no sudeste, está ativo o Jaish-ul-Adl, composto por separatistas balúchis. Os militantes balúchis do Jaish-ul-Adl buscam se separar do Irã, assim como seus homólogos no Paquistão, que recentemente declararam a independência. Ambos poderiam potencialmente unir suas forças armadas para aproveitar qualquer oportunidade em caso de colapso político. E no oeste, está presente o Al-Ahvaziya, formado por árabes da província de Khuzistão. 




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Guerra entre Tailândia e Camboja teve início após ataque da artilharia cambojana

👑 NOVOS CHEFES DE ESTADO, CHEFES DE GOVERNO E LÍDERES QUE CHEGARAM AO PODER EM SETEMBRO DE 2025 🗳

🇧🇴 Eleições presidenciais na Bolívia terão segundo turno entre candidatos da Direita