Rússia mantém objetivo de anexar todo o Sul e o leste da Ucrânia
Jornalista e Editor-Chefe
🚩 Uma delegação de altos funcionários ucranianos em Washington ofereceu uma mensagem clara esta semana sobre as ambições do Kremlin: enquanto o presidente estadunidese Donald Trump trabalha para persuadir Moscou e Kiev a negociarem a paz, a Rússia mantém seus planos amplos inicias para anexar ainda mais território, podendo isolar a Ucrânia do Mar Negro. O Coronel ucraniano Pavlo Palisa disse a repórteres na Embaixada da Ucrânia em Washington que a Rússia quer ocupar toda a Ucrânia a leste do Rio Dnipro. Algo que Putin sempre deixou subentendido, para criar uma zona tampão entre a OTAN e Moscou. Informações de inteligência militar ucraniana, compartilhadas com repórteres na noite da quarta-feira passada, indicam que Moscou busca expandir sua presença no leste da Ucrânia. Isso inclui a tomada de todas as regiões para além de Donetsk e Luhansk no outono, antes da criação de uma pequena zona tampão ao longo da fronteira norte com a Rússia até o final do ano, afirmou o coronel Palisa, vice-chefe do gabinete do líder ucraniano Volodymyr Zelensky.
1️⃣ Os planos de Moscou para o próximo ano são ainda mais ambiciosos. Palisa disse a repórteres reunidos na Embaixada da Ucrânia em Washington que o presidente russo, Vladimir Putin, busca anexar toda a Ucrânia a leste do rio Dnipro, que corta o país ao meio. Isso inclui tomar a cidade de Poltava e a capital Kiev, ambas com uma grande importância histórica para Moscou, criando uma "Ucrânia Oriental", que seria uma grande zona tampão entre as tropas da OTAN e o território russo. Esse território permitiria mais tempo para uma reação russa em caso de ataque, além de proteger mais a capital Moscou, deixando-a mais longe do alcance de mísseis e drones inimigos. A Rússia também espera anexar as cidades de Odessa e Mykolaiv, no sul da Ucrânia. Isso também não é novidade, visto que Putin sempre quis unir as terras russas à República da Transnístria, uma república separatista de Moldova, que a Rússia ajudou a se tornar independente em 1992. Milhares de militares russos estão na Transnístria para proteger o país e guardar um grande arsenal russo da era soviética que ainda existe por lá.
2️⃣ A anexação de Odessa isolaria a Ucrânia do Mar Negro — um canal vital para as exportações de grãos ucranianos. "Infelizmente, eles não estão falando de paz. Estão se preparando para a guerra", disse Palisa, que informou um grupo bipartidário de senadores na quarta-feira, como parte de uma delegação liderada pelo chefe de gabinete de Zelensky, Andriy Yermak. Não está claro se a Rússia conseguirá atingir esses objetivos rapidamente. Moscou avança lentamente no campo de batalha, mas tem lutado para obter novamente os grandes ganhos territoriais vistos no início da guerra. Seus avanços são constantes e consistentes, sem recuos. Segundo o mapa apresentado pela Ucrânia, confirmado pelo ISW, a Rússia pretende finalizar a tomada dos territórios de Donetsk e Zaporizhia até setembro de 2025, formar uma pequena zona tampão ao longo da sua fronteira norte com a Ucrânia e tomar a cidade de Kherson até o final de 2025. E finalmente começar o avanço mais delicado em direção à Odessa e sobre o leste até Kiev, alcançando seu objetivo geoestratégico até dezembro de 2026.
3️⃣ A Rússia aumentará o ritmo de suas operações em uma ofensiva de verão para aumentar a pressão sobre a Ucrânia, mas Moscou pode ter dificuldades para manter o ritmo até 2026. A Rússia não demonstra intenção de encerrar a guerra tão cedo. Autoridades ocidentais têm afirmado repetidamente que não viram nada em suas informações de inteligência que sugira que Putin tenha desistido de seus dois principais objetivos no conflito: ancorar permanentemente a Ucrânia à Rússia e fechar um grande acordo com o Ocidente que renegociaria a arquitetura de segurança pós-Guerra Fria na Europa. É isso que as autoridades russas querem dizer quando falam em resolver as “causas raiz” do conflito. Os russos querem um acordo. Mas não veem o acordo como algo que seja principalmente entre eles e os ucranianos, o objetivo político de Putin é maior. A Rússia expôs seus elevados termos para encerrar a guerra em um memorando apresentado na segunda-feira durante as negociações com a Ucrânia em Istambul.
4️⃣ O memorando incluía exigências para o reconhecimento internacional da anexação da península da Crimeia, bem como de quatro regiões ucranianas. O documento pedia que a Ucrânia abandonasse permanentemente suas ambições de ingressar na OTAN e que estabelecesse um limite no tamanho das forças armadas do país — algo que autoridades em Kiev indicaram ser uma linha vermelha. Após a rodada inicial de discussões em Istambul no mês passado — a primeira entre os países em guerra desde fevereiro de 2022 — ambos os lados concordaram em compartilhar suas condições para um cessar-fogo total e uma paz potencialmente duradoura. A Rússia apresentou duas “opções” de cessar-fogo em seu memorando de paz. Na primeira opção, Moscou solicitará a retirada completa das Forças Armadas Ucranianas das regiões continentais de Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia. A Rússia anexou esses oblasts em 2022, mas só conseguiu controle de 100% de Luhansk. Nas regiões de Donetsk, Zaporizhia e Kherson ainda há territórios sob domínio dos ucranianos.
5️⃣ Na segunda opção, chamada de "pacote", as Forças Armadas Ucranianas teriam que se desmobilizar, e toda a ajuda militar estrangeira a Kiev, incluindo inteligência, seria interrompida. A Ucrânia também seria proibida de mobilizar suas forças armadas, e a lei marcial no país precisaria ser suspensa, com eleições a serem realizadas no máximo 100 dias após sua suspensão, delineou o memorando. Não está claro se a Ucrânia pode escolher apenas uma das opções ou se deve concordar com ambas. As demandas maximalistas ampliam os termos estabelecidos pela Rússia durante as negociações trilaterais de 2022 realizadas na Turquia. No passado, a Ucrânia recusou propostas russas de concessões territoriais em troca de paz. Zelensky criticou a Rússia por não divulgar seu memorando com antecedência. "Apesar disso", disse ele antes do início das negociações, "tentaremos alcançar pelo menos algum progresso no caminho para a paz". As negociações em Istambul foram vistas por muitos como um teste da autenticidade desse engajamento.
6️⃣ No mês passado, o presidente russo, Vladimir Putin, propôs realizar "conversas diretas" com a Ucrânia na Turquia, mas não compareceu, apesar de Zelensky ter concordado em se reunir. No final, Moscou enviou uma delegação de baixo escalão para negociar. A segunda rodada de negociações também não produziu resultados significativos. Rustem Umerov, ministro da Defesa da Ucrânia que chefiou a delegação, criticou Moscou por não divulgar seu memorando antes da reunião de segunda-feira. Vladimir Medinsky, chefe da delegação de Moscou, disse que Moscou entregou à Ucrânia um documento "muito detalhado e bem desenvolvido" durante as negociações, que Kiev agora estudará. Enquanto Umerov reiterou que a demanda da Ucrânia por um cessar-fogo incondicional de 30 dias "permaneceu inalterada por três meses", Medinsky disse que a Rússia propôs um cessar-fogo muito mais restrito, com duração de apenas dois ou três dias em "certas partes" da linha de frente. Zelensky insistiu que a oferta da Rússia “não é um cessar-fogo”.
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