Professor Israelense Omer Bartov afirma que Israel promove Apartheid e genocídio contra os palestinos de Gaza
Jornalista e Editor-Chefe
⚠️ "O que está acontecendo em Gaza se encaixa na definição de genocídio, uma tentativa de destruir um grupo como tal", afirmou Omer Bartov. Bartov é professor de estudos sobre Holocausto e genocídio na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Ele é um dos maiores especialistas em genocídio mundialmente, de acordo com o site do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos. O historiador é cidadão israelense e estadunidese e, na década de 1970, foi soldado do Exército israelense. Inicialmente, Bartov não classificou como genocídio as ações militares de Israel em Gaza após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Agora, ele não hesita em fazer isso, e afirma que há um consenso neste sentido entre especialistas em genocídio. Bartov explicou por que mudou de posição e por que a ação israelense em Gaza "não tem equivalente" na história recente. Ele também refletiu sobre algo que descreve como "perturbador": a indiferença de muitos israelenses ao sofrimento dos palestinos.
1️⃣ Em maio de 2024, quando as Forças de Defesa de Israel (FDI) entraram em Rafah e deslocaram cerca de um milhão de pessoas para a região de Al-Mawasi, uma área sem infraestrutura à beira-mar, isso parecia indicar que se tratava de uma operação com intenções genocidas, intenções que já haviam sido manifestadas em outubro de 2023. O padrão que levou à operação de Rafah em maio parecia indicar que esta não era simplesmente uma operação para, como afirmavam as IDF, destruir o Hamas e libertar os reféns, mas uma operação destinada a tornar toda Gaza inabitável. Desde então, a situação, é claro, piorou consideravelmente. Eles estão impondo bloqueio a Gaza há meses, esperando que as pessoas morram, saiam ou sejam aceitas em outros lugares. Como disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (em declarações a um comitê parlamentar israelense, vazadas para a imprensa em maio de 2025): "Nosso único problema é encontrar países que os aceitem".
2️⃣ Esta é claramente uma operação que visa expulsar toda a população da Faixa de Gaza. A única comparação possível é com a Nakba, ou seja, a expulsão dos palestinos em 1948. Naquela época, cerca de 750 mil palestinos foram expulsos das áreas que se tornaram o Estado de Israel. E milhares de pessoas morreram. Mas os números não eram tão altos quanto são agora. Obviamente a população é maior agora, mas os números atuais são absolutamente extraordinários. A destruição é em grande escala. A tonelagem de bombas lançadas em Gaza é maior que a das bombas lançadas sobre cidades alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. A destruição direcionada, intencional e deliberada de escolas, hospitais, mesquitas, edifícios públicos e universidades é absolutamente extraordinária. Quando considera-se quantos jornalistas foram mortos, quantas equipes médicas foram mortas, quando você lê relatos de crianças sendo baleadas por franco-atiradores na cabeça ou no peito, é difícil encontrar uma equivalência para isso que aconteceu em um espaço tão pequeno com uma população de mais de dois milhões de pessoas.
3️⃣ Bartov disse que costumava pensar que o que os russos fizeram na segunda guerra da Chechênia, em Grozni, era terrível. "Mas isso é em uma escala maior. É difícil comparar com qualquer coisa. Para o século 21, certamente não há precedentes", disse Bartov. Em outubro, logo após o ataque do Hamas, os líderes políticos e militares israelenses deram declarações dizendo que isso era o que eles queriam fazer, queriam destruir Gaza. Também disseram que não havia ninguém em Gaza que não fosse responsável. Portanto, a intenção genocida foi manifestada, e tem sido manifestada repetidamente. A questão é: podemos ver um padrão de operações que mostre que essa intenção está sendo implementada? Esse padrão, a essa altura, é absolutamente claro, porque é visível que o que aconteceu foi uma tentativa coordenada de tornar Gaza inabitável para essa parte da população palestina que vive lá, de destruí-la como um grupo, destruindo edifícios, matando um grande número de pessoas.
4️⃣ Israel tenta destruir tudo o que permite que essa população, se sobreviver, se reconstrua como grupo, porque tudo relacionado à sua cultura, educação, saúde e religião foi sistematicamente destruído. O que acontece em Gaza se encaixa na definição de genocídio de 1948, a tentativa de destruir um grupo como tal. Um aspecto interessante é que muitos usam o termo "guerra" mas na realidade não há guerra. A guerra terminou, no mais tardar, em junho de 2024, e por se tratar de uma guerra assimétrica, Israel venceu. Desde então, o Hamas não travou nada parecido com uma guerra contra as Forças de Defesa de Israel. E Israel continuou bombardeando civis. Quanto à afirmação de que o Hamas usa a população como escudo humano, é uma falácia, eles estão lutando em uma das áreas mais urbanizadas e densamente povoadas do mundo. Se você luta em um lugar como esse, luta em áreas com alta concentração de civis. E em uma guerra de quarta-feira geração, nesse caso um conflito adaptativo complexo, há baixas civis se os ataques forem desproporcionais.
5️⃣ Israel enfrenta uma acusação de genocídio na Corte Internacional de Justiça (CIJ), órgão jurisdicional da ONU, e o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, tem um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Além disso, a ocupação israelenses em território Palestino da Cisjordânia através de assentamentos é considerada ilegal pela Resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU. Netanyahu classifica as acusações de genocídio como "falsas" e "inaceitáveis".
Israel lançou uma campanha militar em Gaza em resposta ao ataque pela fronteira do Hamas em 7 de outubro de 2023, no qual cerca de 1,2 mil pessoas foram mortas e outras 251 foram feitas reféns. Só que as forças de defesa de Israel aplicaram a doutrina Dahya, bombardeando desproporcionalmente Gaza com a intenção de limpeza étnica contra os palestinos.
6️⃣ Desde então, os ataques israelenses mataram pelo menos 54.470 palestinos em Gaza, incluindo mais de 17 mil crianças, de acordo com o Ministério da Saúde do território. As acusações de crimes internacionais cometidos por Israel na Faixa de Gaza são amplamente documentadas por organizações internacionais, relatórios da ONU e especialistas em direito internacional, além de fotos e vídeos. Há diversos relatórios de organizações como a ONU, Human Rights Watch, Anistia Internacional, que apontaram que as Forças de Defesa de Israel (FDI) cometeram ações que podem ser classificadas como crimes de guerra, crimes contra a humanidade e, em alguns casos, atos genocidas na Faixa de Gaza. Esses crimes estão relacionados a violações do direito internacional humanitário (DIH), incluindo as Convenções de Genebra e o Estatuto de Roma, que rege o Tribunal Penal Internacional (TPI).
7️⃣ Um dos principais crimes apontados é a punição coletiva, considerada uma violação grave do direito internacional. Esse crime ganhou mais visibilidade com a prisão ilegal dos ativistas da flotilha da liberdade, quando militares fortemente armados interceptaram o barco dos ativistas, de bandeira britânica, em águas internacionais (Art. 87 UNCLOS), o que configura mais um crime, o de pirataria, previsto no Art. 101 da UNCLOS. O barco carregava diversos suprimentos e ajuda humanitária para Gaza. Em 9 de outubro de 2023, o ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, anunciou um "cerco total" à Faixa de Gaza, cortando o fornecimento de eletricidade, alimentos, água e combustível. Essa medida foi classificada como punição coletiva por organizações como a Human Rights Watch e a ONU, pois privou civis de bens essenciais à sobrevivência, violando o Artigo 3 Comum das Convenções de Genebra e o Protocolo Adicional II. O bloqueio é um exemplo claro de imposição da fome como arma de guerra, um crime de guerra explícito, já que milhões de civis, incluindo mais de 2 milhões de palestinos, enfrentaram risco de desidratação e fome devido à falta de água potável e suprimentos básicos. Evidentemente que nenhum Estado possui autoridade de prender indivíduos fora de seu território sem consentimento ou base legal, pois isso fere o princípio da soberania territorial prevista no Art. 2 (4) da carta da ONU.
8️⃣ Além disso, impedir ou criminalizar entrega de ajuda humanitária viola o Art. 23 da IV convenção de Genebra, e o Art. 70 do protocolo adicional I, bem como a resolução 46/182 da Assembleia Geral da ONU. Outro crime amplamente documentado é o ataque indiscriminado ou desproporcional contra civis e infraestrutura civil. Relatórios da ONU e da Anistia Internacional indicam que Israel realizou bombardeios em áreas densamente povoadas de Gaza, resultando em milhares de mortes de civis, incluindo crianças e mulheres. Por exemplo, em 31 de outubro de 2023, um ataque aéreo israelense atingiu um prédio residencial em Gaza, matando 106 civis, incluindo 54 crianças, sem evidências de alvos militares, o que a Human Rights Watch classificou como um "aparente crime de guerra". Ataques a hospitais, como o bombardeio do Hospital Al-Ahli Arab em 17 de outubro de 2023, que matou cerca de 500 pessoas, e a uma escola da UNRWA no campo de refugiados de Al-Maghazi, são violações do Direito Internacional Humanitário, que proíbe ataques a instalações protegidas. A destruição de infraestrutura vital, como usinas de energia, estações de água e hospitais, também foi apontada como crime de guerra, pois compromete a capacidade de sobrevivência da população
9️⃣ O deslocamento forçado de população é outro crime contra a humanidade cometido por Israel. Em 13 de outubro de 2023, Israel ordenou a evacuação de 1,1 milhão de pessoas do norte de Gaza para o sul, uma medida descrita como "transferência forçada" por Jan Egeland, ex-diplomata norueguês, e pela Human Rights Watch. Essa ordem foi considerada inviável devido ao cerco militar e à falta de corredores humanitários seguros, com relatos de bombardeios em áreas para onde civis foram orientados a fugir. A destruição sistemática de casas e infraestrutura civil, documentada em um relatório de 154 páginas da Human Rights Watch em novembro de 2024, foi classificada como um crime contra a humanidade, com cerca de 1,9 milhão de palestinos — mais de 90% da população de Gaza — deslocados. Acusações de crimes contra a humanidade de extermínio também foram levantadas. Uma comissão da ONU, em junho de 2024, concluiu que a campanha militar de Israel resultou em "dezenas de milhares" de mortes de civis, incluindo crianças, e na destruição generalizada de infraestrutura vital, como parte de uma estratégia deliberada.
🔟 Ataques a pessoal médico e instalações de saúde, incluindo a morte de paramédicos do Crescente Vermelho e o bombardeio de hospitais como o Shuhada Al-Aqsa em março de 2024, foram classificados como crimes de guerra e extermínio. Além disso, a descoberta de valas comuns no Hospital Al-Shifa, com corpos de civis com mãos e pés amarrados, levou o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, a exigir investigações independentes, apontando "sérias violações" do Direito Internacional Humanitário. A tortura também foi documentada. A comissão da ONU relatou que forças israelenses cometeram atos de tortura e tratamentos desumanos contra palestinos, incluindo na Cisjordânia, o que constitui crimes de guerra. Relatos de detenções arbitrárias e abusos contra prisioneiros palestinos reforçam essas acusações contra Israel.
➡️ Em dezembro de 2023, a África do Sul apresentou um processo na Corte Internacional de Justiça (CIJ), acusando Israel de genocídio em Gaza, com base em declarações de líderes israelenses, como a do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que prometeu "transformar Gaza em uma ilha deserta", e do ministro da Defesa, que se referiu aos palestinos como "animais humanos". A ONU, em março de 2025, afirmou que Israel cometeu "atos genocidas" e crimes sexuais, incluindo ataques a centros de saúde e maternidades. Essas alegações estão sob investigação na CIJ, e o TPI emitiu mandados de prisão contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant em novembro de 2024 por crimes de guerra e contra a humanidade. É importante notar que o Hamas também foi acusado de crimes de guerra, como o massacre de civis e a tomada de reféns em 7 de outubro de 2023.
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