Governo de Israel deporta 4 ativistas e mantém 8 deles detidos ilegalmente após sequestrá-los em águas internacionais

Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe

🚩 Horas depois de ser deportada de Israel, a ativista socioambiental suéca Greta Thunberg acusou o país de sequestrá-la e a seus colegas ativistas em águas internacionais, acrescentando que ela se recusou a assinar a ordem de deportação afirmando que ela havia entrado ilegalmente em Israel. Falando a repórteres no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, a ativista sueca enfatizou que o barco em que estava com mais 11 ativistas com destino a Gaza, foi interceptado por Israel ilegalmente em águas internacionais com drones que lançaram um líquido químico que irritava os olhos. Em seguida, o barco que continha ajuda humanitária para os palestinos em Gaza foi tomado por soldados israelenses armados. “Éramos 12 voluntários pacíficos navegando em um barco civil que transportava ajuda humanitária em águas internacionais”, disse Thunberg. “Não infringimos leis. Não fizemos nada de errado.” Mesmo se recusando a assinar a ordem de deportação, Greta foi deportada. Os 8 ativistas estão na detidos na prisão de Givon, na cidade de Ramla, no centro do país.
⚠️ 8 ativistas se recusaram a assinar a ordem de deportação que incluía a admissão de que haviam entrado ilegalmente em território israelense. A alegação de Israel no documento é falsa, pois o barco Madleen estava em águas internacionais quando foi interceptado pelos militares israelenses. Greta Thunberg e outros 3 ativistas de maior visibilidade aceitaram a deportação mesmo sem assinar o documento. Isso faz parte da estratégia do grupo. Os que possuem mais visibilidade midiática saem para relatar as violações que sofreram. O ativista brasileiro Thiago Avila passou por interrogatório e precisou escolher entre a presença da sua advogada e a presença de autoridades consulares, o que configura violação grave ao direito de defesa, principalmente se tratando de um estrangeiro. Ele foi impedido de falar com a família através do telefone, pois o governo israelense negou o direito dele a um telefonema. Além disso, foi sancionado pelo governo israelense, sendo impedido por 100 anos de entrar no Estado de Israel. Como Israel ocupa ilegalmente territórios palestinos, ele está impedido de ir para a Palestina. 
1️⃣ Diante das gravíssimas violações ao direito internacional e das diversas violações dos direitos humanos contra um Brasileiro, o Itamaraty respondeu com uma nota de repúdio ao governo israelense. O barco Madleen, de bandeira britânica, foi apreendido ilegalmente pelos militares israelenses na segunda-feira, a cerca de 200 km da costa de Gaza, de acordo com o GPS do barco da Coalizão da Flotilha da Liberdade. Ele foi rebocado para o porto de Ashdod, onde a tripulação, que também incluía a eurodeputada francesa Rima Hassan, foi detida ilegalmente pela polícia. Alguns permanecem em Israel, onde enfrentarão audiências de deportação. O barco tentava levar uma remessa simbólica de ajuda para Gaza, que está à beira da fome após mais de 11 semanas de cerco total e severas restrições que continuam a limitar a entrada de alimentos no território. Lembrando que o cerco é crime de guerra, e impedir que água e comida chegue a um local em meio a um conflito é imposição de fome contra uma população, que também é um crime de guerra. 

2️⃣ Thunberg, disse na terça-feira que as condições enfrentadas pela tripulação não eram "absolutamente nada comparadas ao que as pessoas estão passando na Palestina e especialmente em Gaza agora", mas disse que estava "muito preocupada" com seus companheiros de tripulação e pediu sua libertação imediata. “Deixei bem claro em meu depoimento que fomos sequestrados em águas internacionais e trazidos contra a nossa vontade para Israel ”, disse ela. “Esta é mais uma violação intencional de direitos que se soma à lista de inúmeras outras violações que Israel está cometendo.” A posição foi compartilhada por Sergio Toribio, outro membro da tripulação que foi deportado para a Espanha na terça-feira. "É imperdoável, é uma violação dos nossos direitos. É um ataque pirata em águas internacionais", disse ele a repórteres após chegar a Barcelona. Lembrando que abordar um barco civil em águas internacionais com uso da força é crime de pirataria previsto no Art. 101 da UNCLOS. A Anistia Internacional também se pronunciou, com o secretário-geral da organização observando que a interceptação do Madleen em águas internacionais "viola o direito internacional". 

3️⃣ Em um comunicado, Agnès Callamard acrescentou: "A tripulação era composta por ativistas desarmados e defensores dos direitos humanos em missão humanitária; eles devem ser libertados imediata e incondicionalmente." Desde que Israel impôs um bloqueio naval a Gaza em 2007, a Coalizão da Flotilha da Liberdade fez várias tentativas de levar ajuda a Gaza. Em maio, um de seus barcos com destino a Gaza foi danificado em águas internacionais perto de Malta, com membros da tripulação emitindo um SOS após o que descreveram como um ataque de drones israelenses. O exército israelense não quis comentar. Em 2010, nove ativistas foram mortos quando comandos israelenses atacaram uma pequena frota de barcos que tentavam transportar suprimentos, incluindo materiais de construção, para Gaza. Thunberg disse que não conseguiu se despedir do resto da tripulação e que não estava "claro" por que ela havia sido deportada enquanto outros membros da tripulação permaneciam detidos. A Adalah, um grupo de direitos legais em Israel que representa vários membros da tripulação, disse que outros oito passageiros recusaram a deportação e estavam detidos. 

4️⃣ A tripulação já havia sido menosprezada por autoridades israelenses, com o Ministério das Relações Exteriores rotulando a embarcação como "iate de selfies" quando anunciou sua apreensão. Na terça-feira, autoridades compartilharam fotos de Thunberg, uma ativista climática de 22 anos que há muito evita viagens aéreas, sendo embarcada em um voo para a França. Thunberg disse que o barco com destino a Gaza foi uma resposta ao que ela descreveu como "a fome sistemática de mais de 2 milhões de pessoas e o genocídio total transmitido ao vivo". Embora a ajuda fosse extremamente necessária em Gaza, a viagem também foi motivada por um objetivo mais amplo, disse ela. "Também para enviar solidariedade e dizer que vemos vocês, vemos o que está acontecendo e não podemos aceitar apenas testemunhar tudo isso sem fazer nada." Thunberg, que disse que parecia estar voltando para a Suécia, também rebateu Donald Trump depois que ela foi questionada sobre sua caracterização como uma "pessoa raivosa" e a sugestão de que ela deveria fazer aulas de controle da raiva. “Para ser sincera, acho que o mundo precisa de muito mais mulheres jovens e revoltadas”, disse Thunberg. “Especialmente com tudo o que está acontecendo agora. É disso que mais precisamos.”

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