Forças israelenses interceptam ilegalmente em águas internacionais barco com ajuda humanitária para Gaza e sequestram os ativistas
Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe
🚩 Israel interceptou ilegalmente o barco 'Madleen', de bandeira britânica, que levava ajuda humanitária para Gaza, em águas internacionais. O Direito Internacional é claro quanto à ação de Israel: abordar navios em águas internacionais por meio de força armada é ato de pirataria (Art. 101 UNCLOS), nesse caso, o crime foi praticado por agentes de um Estado. A Coalizão da Flotilha da Liberdade (FFC) afirmou anteriormente que militares israelenses haviam abordado o navio "Madleen", que tentava entregar ajuda a Gaza, onde mais de 600 dias de guerra e um bloqueio israelense de 11 semanas a toda a ajuda humanitária mergulharam os 2,1 milhões de habitantes do enclave em uma crise de fome ainda mais profunda. Os 12 ativistas foram detidos pelos militares israelenses e levados para Israel.
⚠️ Além de Greta Thunberg, ativista ambiental sueca, estão no barco: Baptiste André, médico francês, Reva Viard ativista ambiental francesa da ONG Team for the Planet, Rima Hassan, eurodeputada do Partido Francês LFI e da ONG Observatório dos Campos de Refugiados Pró-Migração, Suayb Ordu, ativista turco pró-Palestina, também estudante de Teologia Islâmica, Sergio Toribio, ativista de direitos humanos que trabalhou com a Sea Watch e a SOS Humanity a bordo do Poseidon, ajudando migrantes a chegar à Europa, Mark van Rennes, engenheiro naval holandês e ativista pró-Palestina/direitos humanos, Thiago Avila, Ativista tiktoker do Brasil, Omar Faiad, jornalista da rede Al Jazeera, Yanis Mhamdi, jornalista franco-árabe do jornal Le Media, Pascal Maurieras, membro do CGT e Yasemin Acar, ativista curdo-alemão pró-Palestina.
1️⃣ O Madleen, um veleiro de bandeira britânica, operado pela Freedom Flotilla Coalition, deixou a Itália em 1º de junho com o objetivo declarado de entregar ajuda humanitária e quebrar o bloqueio israelense no território palestino. O barco foi cercado por drones israelenses e em seguida foi feita a abordagem e o embarque não autorizado dos militares que renderam os ativistas (civis, desarmados, de diversas nacionalidades). Todos foram detidos em águas internacionais e levados para o território israelense, o que configura mais um crime internacional, o sequestro internacional. Além disso, por se tratar de um barco com bandeira britânica, houve violação da soberania britânica e exercício de jurisdição extraterritorial ilegal por parte de Israel, que prometeu repetidamente impedir que o barco de ajuda humanitária chegasse a Gaza e descreveu o navio como um "iate para selfies" transportando "celebridades".
2️⃣ "Instruí as Forças de Defesa de Israel (IDF) a garantir que a flotilha 'Madleen' não chegue a Gaza", disse o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, no domingo. Após a detenção dos tripulantes da flotilha, um porta-voz de Katz disse que ele havia instruído os militares a exibir vídeos dos ataques do Hamas contra Israel, ocorridos em 7 de outubro de 2023, aos ativistas em sua chegada ao Porto de Ashdod. “O barco está a caminho em segurança da costa de Israel. Espera-se que os passageiros retornem aos seus países de origem”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel em uma publicação no canal X na manhã de segunda-feira, horário local. O Ministério das Relações Exteriores publicou um vídeo mostrando membros da tripulação do "Madleen" sentados lado a lado, usando coletes salva-vidas laranja, enquanto um soldado lhes entrega água e sanduíches. Thunberg pode ser vista sentada perto da frente do grupo.
3️⃣ “Quadricópteros estão cercando o navio, pulverizando-o com uma substância semelhante a tinta branca. As comunicações estão bloqueadas e sons perturbadores estão sendo reproduzidos no rádio”, disse o comando do barco. Esse foi o momento mais tenso, o da abordagem. Um vídeo publicado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel parece mostrar um funcionário da Marinha enviando uma mensagem de rádio para o navio informando que a “zona marítima na costa de Gaza estava fechada”. Em um vídeo transmitido ao vivo do barco, a ativista Yasmin Acar mostrou uma substância branca não identificada no convés. Mais tarde, Acar foi ouvida dizendo que a substância estava afetando seus olhos. Após perder a comunicação com a embarcação, a FFC começou a postar mensagens de vídeo pré-gravadas de Thunberg e outras pessoas a bordo. "Se você vir este vídeo, fomos interceptados e sequestrados em águas internacionais pelas forças de ocupação israelenses, ou forças que apoiam Israel", disse Thunberg em seu vídeo.
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