Ex-comandante do Exército confirma tentativa de Golpe de Bolsonaro em depoimento no STF
Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe
⚠️ O general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, prestou nesta segunda-feira (19) mais de duas horas de depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele inicialmente tentou minimizar a participação dos demais oficiais-generais e o próprio conteúdo da minuta do Golpe mas foi advertido pelo ministro Alexandre de Moraes por apresentar contradições em relação ao que havia dito anteriormente à Polícia Federal (PF): ou falsos a verdade na PF ou falsos a verdade aqui", disse Moraes. Depois da bronca do ministro, o general começou a falar tudo. Freire Gomes afirmou que Bolsonaro sugeriu, em dezembro de 2022, medidas para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito naquele ano. Bolsonaro chegou a apresentar decretos que mencionavam estado de sítio e o uso das Forças Armadas por meio da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) mas ele alertou Bolsonaro de que o Exército não participaria de nenhuma ação fora da legalidade. Freire Gomes explicou que deixou claro ao presidente que medidas sem apoio político, jurídico e internacional poderiam gerar sérias consequências legais.
1️⃣ O ex-comandante do Exército, afirmou que a carta assinada por oficiais da ativa da Força, divulgada após as eleições de 2022, representava “sem dúvida” uma tentativa de ruptura institucional. Ele classificou o documento como “inaceitável” e “inconcebível” dentro da hierarquia militar, destacando que manifestações políticas por militares da ativa violam os princípios das Forças Armadas. Ele afirmou também que o texto contrariava os princípios da hierarquia militar, uma vez que militares da ativa não devem se manifestar politicamente. Três militares foram responsabilizados pela autoria da carta: o coronel da ativa Anderson Lima de Moura, e os coronéis da reserva Carlos Giovani Delevati Pasini e José Otávio Machado Rezo, ambos da reserva. Freire Gomes relatou que participou de uma reunião ministerial com Bolsonaro, na presença dos comandantes das Três Forças — Exército, Marinha e Aeronáutica. Ele descreveu o encontro como “iminentemente político”, no qual foram feitas críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Nenhum dos comandantes, porém, se manifestou, ainda segundo relato de Freire Gomes.
2️⃣ O general reforçou que não foi identificada fraude nas eleições. “A premissa que nos foi passada em relação a essa comissão era apurar vulnerabilidades como um todo. Não necessariamente fraude.” Em outra reunião, no dia 7 de setembro de 2022, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro apresentou a chamada minuta do golpe por meio do assessor Felipe Martins, ainda de acordo com Freire Gomes. Os comandantes não foram informados previamente sobre o assunto e, também segundo Freire Gomes, o presidente apenas disse que estava estudando o tema juridicamente. “Tivemos diversas reuniões, obviamente cada um expressava sua opinião quando perguntada pelo presidente. Eu estava focado na minha lealdade de ser franco ao presidente.” Sobre os demais presentes, o general confirmou que o brigadeiro Baptista Júnior foi contrário a qualquer ação fora da legalidade. Já o almirante Garnier, comandante da Marinha, não teria expressado apoio nem oposição. Ao ouvir isso, Moraes repreendeu o general: "A testemunha não pode omitir o que sabe, vou dar uma chance de a testemunha dizer a verdade. Se mentiu na Polícia, admite aqui. […] Pense bem antes de responder, porque na PF o senhor disse que Garnier manifestou expressamente apoio".
3️⃣ Freire Gomes é uma das testemunhas de acusação no inquérito que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições em 2022. Outras 81 serão ouvidas pelo Supremo nas próximas semanas. O ex-comandante do Exército teria sido pressionado, de acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a aderir ao plano. Ainda em depoimento ao STF, Freire Gomes negou ter ameaçado dar voz de prisão ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) quando ele mencionou a possibilidade de dar um golpe de Estado para se manter no poder após ser derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os depoimentos estão sendo conduzidos por juízes-auxiliares do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. Todas as audiências são realizadas por videoconferência e acompanhadas pelas defesas dos denunciados, além de representantes da Procuradoria-Geral da República.
4️⃣ Em novembro do ano passado, o Exército chegou a indiciar três militares envolvidos na autoria do documento: o coronel Anderson Lima de Moura, da ativa, e os coronéis Carlos Giovani Delevati Pasini e José Otávio Machado Rezo, ambos da reserva. De acordo com o relatório da Polícia Federal (PF), Freire Gomes foi “determinante” para que uma tentativa de ruptura institucional não tivesse apoio das Forças Armadas. Ainda segundo a PF, além de Freire Gomes, o comandante da Aeronáutica, Baptista Júnior, se manifestou contrário ao plano. Já o almirante Almir Garnier, então comandante do Marinha, teria aderido. Com a negativa dos dois, Bolsonaro teria, então, procurado o apoio do general Estevam Theóphilo, à frente do Comando de Operações Terrestres (COTER) do Exército. Freire Gomes chegou ao comando do Exército em março de 2022, substituindo Paulo Sérgio Nogueira, que assumiu o Ministério da Defesa após Walter Braga Netto deixar a pasta para compor a chapa de Bolsonaro nas eleições daquele ano.
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