Escaramuças na fronteira entre Tailândia e Camboja escalam crise por território em disputa
Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe
🚩 O primeiro-ministro do Camboja, general Hun Manet, pediu calma no país um dia após um soldado ter sido morto em um breve confronto com tropas da vizinha Tailândia, em uma zona disputada ao longo da fronteira entre os dois reinos. Em uma declaração escrita na quinta-feira, Hun Manet disse que as pessoas não deveriam "entrar em pânico com a circulação de material não verificado" e garantiu ao país que não queria um conflito entre as forças cambojanas e tailandesas. “Por esse motivo, espero que o próximo encontro entre os comandantes dos exércitos cambojano e tailandês produza resultados positivos para preservar a estabilidade e a boa comunicação militar entre os dois países, como fizemos no passado”, disse Hun Manet, que atualmente está em visita a capital japonesa Tóquio. A tensão aumentou rapido depois que tropas cambojanas foram deslocadas para a fronteira tailandesa depois que um soldado do Camboja foi morto depois de um tiroteio com militares da Tailândia.
1️⃣ “Embora eu esteja no Japão... o sistema de comando e a hierarquia para grandes operações militares, como movimentos de tropas, permanecem sob minha total responsabilidade como primeiro-ministro”, acrescentou. O Ministério da Defesa Nacional do Camboja disse na quarta-feira que um de seus soldados foi morto em um breve tiroteio com tropas tailandesas, em uma região de fronteira disputada entre a província de Preah Vihear e a província de Ubon Ratchathani, na Tailândia. O ministério acusou soldados tailandeses de abrirem fogo primeiro contra um posto militar cambojano que existia há muito tempo na zona de fronteira disputada. No entanto, o Ministro da Defesa da Tailândia, Phumtham Wechayachai, disse que as forças cambojanas na área abriram fogo primeiro, acrescentando que elas já haviam cavado uma trincheira na área em um esforço para afirmar a reivindicação do Camboja sobre o território disputado, informou a mídia local.
2️⃣ “Fui informado de que o contra-ataque foi necessário para nos defendermos e protegermos a soberania da Tailândia. Recomendei cautela. Embora o cessar-fogo se mantenha, ambos os lados continuam se enfrentando”, disse o ministro. A primeira-ministra tailandesa, Paetongtarn Shinawatra, conversou com o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, e ambos estavam trabalhando para diminuir a temperatura da disputa. "Não queremos que isso se agrave", disse Paetongtarn Shinawatra. Camboja e Tailândia têm um longo histórico de disputas ao longo de sua fronteira mútua, incluindo confrontos armados que eclodiram em 2008 perto do Templo Preah Vihear, no Camboja, que foi tombado como Patrimônio Mundial da UNESCO naquele ano. Conflitos também eclodiram ao longo da fronteira em 2011. A agência de notícias internacional Associated Press relata que, em fevereiro, tropas cambojanas e seus familiares entraram em um antigo templo ao longo da fronteira e cantaram o hino nacional cambojano, levando a uma breve discussão com tropas tailandesas.
3️⃣ Logo após a escalada de crise entre os dois reinos do Sudeste Asiático, os chefes dos exércitos tailandês e cambojano concordaram em resolver a disputa na área de Chong Bok, em Ubon Ratchathani, por meio de uma reunião do Comitê Conjunto de Fronteiras (JBC), incluindo uma retirada mútua de tropas de pelo menos 200 metros do local do confronto. O chefe do Exército Real Tailandês, General Pana Klaewplodthuk, e o Tenente-General Boonsin Padklang, comandante da 2ª Região do Exército, juntamente com oficiais, visitaram o Escritório de Coordenação da Fronteira Tailândia-Cambojana no distrito de Kap Choeng, em Surin. Eles se encontraram com o General Mao Sophan, Comandante do Exército Real Cambojano, e sua delegação de 18 pessoas, para conversas destinadas a resolver as tensões após o confronto entre tropas tailandesas e cambojanas em Chong Bok.
⚠️ Jornalistas não foram autorizados a entrar na sala de reuniões. A discussão durou uma hora e 20 minutos e culminou nos seguintes acordos: Ambas as partes resolverão a questão por meio do JBC, que será convocado dentro de duas a três semanas. Ambas as partes manterão posições apropriadas para reduzir confrontos cara a cara.
Ambas as nações preservarão suas boas relações exercendo paciência e moderação. Boonsin revelou após a reunião que as negociações transcorreram sem problemas. Ele observou que ambos os lados concordaram em retirar suas tropas para posições apropriadas enquanto aguardam o trabalho do JBC. O Ministério das Relações Exteriores deve realizar uma reunião do JBC nas próximas duas semanas, durante a qual as autoridades demarcarão conjuntamente a fronteira para resolver discrepâncias nos mapas, explicou ele.
4️⃣ A 2ª Região do Exército também declarou que agora há um entendimento claro entre as duas partes. As forças de ambos os países organizarão novas negociações para resolver pacificamente a disputa e impedir qualquer uso de armas entre si. A situação atual não é mais tensa, pois os comandantes de todos os níveis se comunicaram e concordaram que as tropas de ambos os lados se retirarão pelo menos 200 metros do local do confronto em Chong Bok. Em relação à Prasat Ta Muen Thom, na província de Surin, ele confirmou que não há disputas no momento, afirmando que continua sendo território tailandês. No entanto, as autoridades continuam a facilitar a entrada de turistas, garantindo que nenhum símbolo ou comportamento inapropriado seja exibido. Boonsin concluiu tranquilizando os cidadãos de ambos os países que possam temer a violência, afirmando firmemente que não haverá uso de força ou armas.
5️⃣ A posição do Reino do Camboja foi esclarecida em um comunicado das Forças Armadas Reais do Camboja (RCAF), divulgado logo após a conclusão das negociações entre o Tenente-General Mao Sophan, Comandante do Exército Cambojano, e o Tenente-General Pana Klaewblaudtuk, comandante do Exército da Tailândia. “O lado cambojano não recuará nem permanecerá desarmado no local do confronto, já que as forças cambojanas estavam estacionadas lá antes da assinatura do memorando de entendimento de 2000 sobre o levantamento e a demarcação da fronteira terrestre Camboja-Tailândia”, disse um comunicado de imprensa da RCAF. Lembrando que a disputa de fronteira entre o Camboja e a Tailândia começou em junho de 2008 como parte de uma disputa de um século entre os dois reinos envolvendo a área ao redor do Templo Preah Vihear do século XI, nas Montanhas Dângrêk entre o distrito de Choam Khsant, província de Preah Vihear no norte do Camboja e o distrito de Kantharalak, província de Sisaket no nordeste da Tailândia .
6️⃣ Explicou que ambas as partes concordaram em continuar resolvendo a situação por meio de mecanismos existentes, como o Comitê Conjunto de Fronteiras (JBC), o Comitê Geral de Fronteiras Camboja-Tailândia (GBC) e o MoU (memorando de entendimento) de 2000, para garantir que a área de fronteira se tornasse uma área de paz, amizade, cooperação e desenvolvimento. “Ambas as partes manterão o status quo, exercerão moderação e abordarão as questões por meio do JBC, com uma reunião agendada para as próximas duas a três semanas para preservar as boas relações entre os dois países”, acrescentou. O lado cambojano pediu respeito mútuo pela soberania e integridade territorial, enfatizando a necessidade de evitar novas hostilidades, como as que ocorreram na manhã de 28 de maio. “Ambas as partes concordaram com os pontos supracitados, e as negociações foram concluídas às 16h15 do mesmo dia”, disse o comunicado.
Comentários
Postar um comentário