China impõe tarifa de 34% sobre produtos dos Estados Unidos e Trump impõe taxação de 104% como retaliação
Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe
🚩 A guerra tarifária entre Estados Unidos e China está alcançando níveis preocupantes para a economia mundial. O presidente dos Estados Unidos Donald Trump vai impor uma taxa surpreendente de 104% em todas as importações chinesas apartir de quarta-feira, segundo comunicado da secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. Isso se soma às tarifas que estavam em vigor antes do segundo mandato de Trump. A China já estava pronta para ver as tarifas aumentarem de 34% na quarta-feira como parte do pacote de tarifas "recíprocas" de Trump. Mas o presidente acrescentou mais 50% depois que o governo chinês não recuou em suas tarifas retaliatórias de 34% sobre produtos dos Estados Unidos até o meio-dia de terça-feira, prazo dado pelo presidente estadunidese. Trump esperava que o governo chinês recuasse ou que entrasse em contato para negociar mas Xi Jinping deixou claro que além de não recuar vai retaliar todas as tarifas impostas por Donald Trump.
⚠️ O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, disse em uma coletiva de imprensa que: "o abuso de tarifas pelos Estados Unidos infringe seriamente os direitos e interesses legítimos de outros países, é uma violação grave das regras da organização mundial do comércio. Prejudica seriamente o sistema de comércio multilateral baseado em regras e desestabiliza seriamente a ordem econômica global. Um movimento típico de unilateralismo, protecionismo e agressão econômica, que recebeu ampla oposição da comunidade internacional. A China condena veementemente isso. Quero enfatizar novamente que não há vencedores na guerra comercial e na guerra tarifária. O protecionismo não tem futuro. O povo chinês não cria problemas e não tem medo. Pressão, ameaças e chantagem não são maneiras corretas de lidar com a China. A China definitivamente tomará as medidas necessárias para salvaguardar resolutamente os seus legítimos direitos e interesses. Se os interesses de ambos os países e da comunidade internacional forem ignorados pelos Estados Unidos e os Estados Unidos insistirem em uma guerra tarifária, a China lutará a guerra comercial até o fim".
1️⃣ Mais cedo na terça-feira, o Ministério do Comércio da China disse que "se opõe firmemente" às tarifas adicionais de 50% sobre as importações chinesas, chamando-as de "um erro após outro erro". O ministério prometeu aumentar sua retaliação sobre as exportações dos Estados Unidos. Os mercados asiáticos acompanharam amplamente as perdas de Wall Street, com o Nikkei 225 do Japão abrindo cerca de 3% mais baixo na quarta-feira. O Hang Seng de Hong Kong também caiu 3%. O índice Kopsi da Coreia do Sul e o índice de referência ASX 200 da Austrália caíram cerca de 1%. Em fevereiro, Trump impôs inicialmente uma tarifa de 10% sobre todos os produtos chineses, sem exceções, vinculando-a ao suposto papel do país em ajudar a imigração ilegal e levar fentanil para os Estados Unidos. No mês passado, ele dobrou essas taxas. A China foi a segunda maior fonte de importações dos Estados Unidos no ano passado, enviando um total de US$ 439 bilhões em mercadorias para os Estados Unidos, enquanto os Estados Unidos exportaram US$ 144 bilhões em mercadorias para a China.
2️⃣ As tarifas mútuas ameaçam prejudicar as indústrias nacionais e estão prestes a resultar em demissões. Quando o primeiro mandato de Trump terminou, os Estados Unidos cobraram uma tarifa média de 19,3% sobre produtos chineses, de acordo com uma análise do Peterson Institute for International Economic. O governo Biden manteve a maioria das tarifas de Trump em vigor, ao mesmo tempo em que adicionou outras, elevando a taxa média para 20,8%. Na quarta-feira, a tarifa média total sobre as exportações chinesas para os Estados Unidos subirá para quase 125%. A mídia estatal da China e os usuários de mídia social adotaram um tom desafiador à ameaça de Trump de tarifas adicionais. Dois comentaristas influentes com ligações a Pequim compartilharam uma lista idêntica de possíveis contramedidas com as quais a China poderia revidar, citando fontes não identificadas. As medidas potenciais incluem aumentar significativamente as tarifas sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos, como soja e sorgo, proibir a importação de aves dos Estados Unidos, suspender a cooperação sobre fentanil, limitar o acesso ao mercado para serviços como consultorias jurídicas, restringir ainda mais ou proibir totalmente a importação de filmes dos Estados Unidos e investigar quanto as empresas americanas ganharam com sua propriedade intelectual na China.
3️⃣ A China não provoca problemas, mas também não tem medo deles”, escreveu Liu Hong, editor sênior da agência de notícias estatal oficial da China, Xinhua, que compartilhou a lista em sua conta de mídia social. O conjunto de medidas também foi compartilhado por uma conta separada administrada por Ren Yi, neto do falecido alto funcionário do Partido Comunista Ren Zhongyi, formado pela Universidade de Harvard. Embora rodadas anteriores de tarifas chinesas tenham feito com que mais empresas estadunideses recorressem a outros países estrangeiros, como México e Vietnã, para fabricar produtos, a China continuou sendo a principal fonte estrangeira de muitos itens. Isso inclui, entre outros, brinquedos, equipamentos de comunicação, como smartphones, computadores e uma ampla gama de outros eletrônicos de consumo. Todos esses produtos provavelmente custarão muito mais aos consumidores dos Estados Unidos em breve. Dezenas de outros países, bem como a União Europeia, também enfrentam um prazo de meia-noite para novas tarifas. Essas taxas, que Trump estabeleceu na semana passada, variam de 11% a 50%.
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