Zelensky vai a Londres pedir ajuda e diz estar pronto para acordo com os Estados Unidos, mas exige garantias
⚠️ O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chegou a Londres para conversas com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, um dia depois da discussão pública com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as negociações de paz. Zelensky foi recebido por Starmer do lado de fora de Downing Street 10 na tarde deste sábado (1º), poucas horas depois de chegar ao país. Os dois conversaram antes que os líderes europeus chegassem a Londres no domingo (2) para uma cúpula, onde esperam reavivar as perspectivas de um acordo de cessar-fogo, reforçar o apoio militar a Kiev e pavimentar um caminho a seguir se os Estados Unidos não fornecerem mais ajuda à Ucrânia. Além disso, o governo britânico anunciou um pacote de 2,8 bilhões de dólares em ajuda para a Ucrânia. "Este empréstimo aumentará as capacidades de defesa da Ucrânia e será pago por meio de receitas de ativos russos congelados", escreveu Zelensky no X.
‼️ Antes de qualquer compromisso, Zelensky usou as redes sociais para tentar acalmar os ânimos e agradecer ao presidente Trump. Ele escreveu: "Somos muito gratos aos Estados Unidos por todo o apoio. Sou grato ao presidente Trump e ao povo americano. A ajuda dos Estados Unidos tem sido vital para nos ajudar a sobreviver, e quero reconhecer isso. É crucial termos o apoio do presidente Donald Trump e eu quero que os Estados Unidos fiquem mais firmes ao nosso lado". "Apesar do diálogo difícil, continuamos parceiros estratégicos. Mas precisamos ser honestos e diretos um com o outro para realmente entender nossos objetivos compartilhados." No sábado, Zelensky afirmou que está pronto para assinar o acordo, mas que os Estados Unidos precisam dar garantias de segurança para que Putin não volte a atacar a Ucrânia. Além de contar com a ajuda de países aliados, a Ucrânia mantém uma plataforma oficial para receber doação de instituições e pessoas comuns de qualquer parte do mundo. Esse canal direto chama-se "United24". Segundo Zelensky, o dinheiro vai para projetos de defesa, iniciativas humanitárias e de reconstrução.
1️⃣ Logo após cumprimentar Zelensky, Starmer reiterou o apoio do Reino Unido à Ucrânia, e disse: "Estamos com a Ucrânia pelo tempo que for preciso." Ele também falou em "determinação inabalável" para alcançar uma paz duradoura para a Ucrânia. Zelensky agradeceu Starmer pelo apoio e confirmou que fará uma reunião com o Rei Charles III no domingo (2/3). "Estamos felizes em ter esses parceiros e amigos", afirmou Zelensky. Logo após a reunião com Starmer, o ucraniano classificou o encontro como "significativo e caloroso". Acredita-se que o encontro entre Zelensky e o rei foi solicitado pelo presidente ucraniano, com a concordância do governo britânico. Keir Starmer teve o cuidado de evitar atribuir qualquer culpa pela discussão entre Trump e Zelensky, e insistiu que estava "claro que Trump quer uma paz duradoura". Em uma entrevista recente, ele acrescentou que também é possível confiar em Zelensky, mas não no presidente russo, Vladimir Putin — razão pela qual os Estados Unidos precisam fornecer uma garantia de segurança para qualquer acordo de paz.
2️⃣ O primeiro-ministro reconheceu que uma garantia de segurança europeia teria que ser liderada por uma "coalizão de dispostos". Keir Starmer disse que "os europeus se levantaram nos últimos três anos", mas que "em geral a Europa precisa fazer mais em sua própria defesa e segurança". A líder conservadora Kemi Badenoch, deu seu apoio ao primeiro-ministro em relação à Ucrânia, mas disse que era importante manter os Estados Unidos engajados. "Precisamos garantir que os Estados Unidos não se desvinculem. É do interesse deles que haja paz agora. Se todos nós formos arrastados para uma escalada, os Estados Unidos acabarão sendo arrastados para ela". Badenoch também repetiu seu apelo para que o Reino Unido aumente ainda mais os gastos com defesa, dizendo que eles devem atingir 3% da renda nacional até o final desta legislatura. No início desta semana, o primeiro-ministro anunciou que cortaria o orçamento de ajuda externa para aumentar o financiamento da defesa de 2,3% para 2,5% da renda nacional até 2027, o que levou à renúncia de sua ministra do Desenvolvimento Internacional, Anneliese Dodds
3️⃣ A mudança de postura de Zelensky em relação a Trump se deve a pressão de lideranças europeias. O secretário-geral da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, disse no sábado que exortou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a encontrar uma forma de restaurar seu relacionamento com o presidente estadunidese Donald Trump, após a discussão que tiveram durante um encontro na Casa Branca, na sexta-feira (28). Ele afirmou que disse a Zelensky que “realmente precisamos ter respeito pelo que o presidente Trump fez até agora pela Ucrânia”, lembrando o ucraniano que Trump foi quem providenciou mísseis antitanques à Ucrânia em 2019, permitindo que as forças do país resistissem a Rússia. Na sexta-feira, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que o presidente ucraniano deveria se desculpar depois do encontro com o presidente Donald Trump no Salão Oval. Rubio descreveu a reunião como um “fiasco”, enquanto questionava se o líder ucraniano realmente quer paz na guerra do país com a Rússia. “Não havia necessidade de ele entrar lá e se tornar antagônico”. “Quando você começa a falar sobre isso agressivamente, e o presidente é um negociador, ele fez acordos a vida inteira, você não vai levar as pessoas à mesa”, disse o secretário.
4️⃣ Os comentários de Rubio ressaltaram o dano feito ao relacionamento entre os dois países, no mesmo final de uma semana onde líderes do Reino Unido da Grã-Bretanha e França visitaram Washington para argumentar que os Estados Unidos precisam mediar o fim da guerra sem priorizar os interesses de Vladimir Putin sobre os de Zelensky. O principal diplomata dos Estados Unidos falou com a imprensa horas após participar da reunião, que acabou sem o acordo de minerais de terras raras da Ucrânia, que aproximaria a guerra de três anos com a Rússia do fim. Após a reunião, Trump ordenou que Zelensky deixasse a Casa Branca, apesar do desejo da Ucrânia de continuar as negociações, cancelou a entrevista coletiva conjunta programada e colocou o futuro da assistência dos Estados Unidos ao esforço de guerra na Ucrânia sem respostas. A Europa não consegue manter a defesa ucraniana.
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