Macron rejeita a liderança de Trump nas negociações da guerra da Ucrânia e fala em usar seu arsenal nuclear para dissuadir a Rússia
🚩 O presidente francês Emmanuel Macron disse que discutirá a extensão da dissuasão nuclear francesa aos aliados europeus para proteger o continente diante das ameaças da Rússia. Macron, em um discurso televisionado à nação na quarta-feira, descreveu a Rússia como uma “ameaça à França e à Europa” e disse que havia decidido “abrir o debate estratégico sobre a "proteção de nossos aliados" no continente europeu por nossa dissuasão nuclear”. Ele disse que o uso das armas nucleares da França permaneceria somente nas mãos do presidente francês. Lembrando que a França é a única potência nuclear na União Europeia. E a segunda da Europa, junto com o Reino Unidos da Grã-Bretanha. Ambos possuem armas nucleares. Porém, Alemanha, Itália, Bélgica, Países Baixos e Turquia abrigam armas nucleares dos Estados Unidos. São cerca de 100 ogivas da família B61. Isso se deve a política de dissuasão e compartilhamento nuclear da OTAN. Uma estratégica do período da Guerra Fria. Só que esses 5 países europeus que abrigam as ogivas estadunidenses só podem acioná-lás com os códigos de autorização do presidente dos Estados Unidos.
1️⃣ Após contextualizar a atual situação política entre Estados Unidos e Europa, Macron disse: “Os Estados Unidos da América, nosso aliado, mudaram sua posição sobre esta guerra, apoiando menos a Ucrânia e deixando dúvidas sobre o que vem a seguir”. A França considerará estender a proteção de seu arsenal nuclear aos seus aliados, disse o presidente francês Emmanuel Macron, ao mesmo tempo em que alertou que a Europa precisa estar pronta para que os Estados Unidos não "permaneçam ao nosso lado" na guerra Ucrânia-Rússia. “Decidi abrir o debate estratégico sobre a proteção por meio da dissuasão no continente europeu”, disse ele em uma transmissão ao vivo, em um discurso que parou a Europa, durante a qual enfatizou a necessidade de a Europa continuar ajudando a Ucrânia e fortalecer sua própria defesa. “Nossa dissuasão nuclear nos protege, é completa, soberana, francesa de ponta a ponta”, disse Macron sobre o arsenal nuclear da França. “Isso nos protege muito mais do que muitos de nossos vizinhos.”
‼️ Lembrando que a Rússia é a maior potência nuclear do planeta com 1.822 ogivas implantadas e 521 mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), mísseis balísticos lançados por submarinos (SLBMs) e ogivas destinadas a bombardeiros pesados em um total de 5.580 armas nucleares. Os Estados Unidos possuem 1.679 ogivas implantadas de um total de 5.328. E a França possui 290 ogivas, atrás da China que possui 500 e à frente do Reino Unido da Grâ-Bretanha que possui 225. Além disso, há a Mútua Destruição Assegurada (MAD) que é uma doutrina estratégica da Guerra Fria que prevê que o uso de armas nucleares por um país resultaria na destruição total tanto do atacante quanto do defensor, devido à capacidade de retalição imediata. Essa lógica surge da posse de arsenais nucleares capazes de aniquilar o adversário mesmo após um primeiro ataque surpresa. A MAD impede uma guerra nuclear ao criar um equilíbrio: nenhum lado inicia um conflito, pois sabe que não sobreviveria. O medo da aniquilação mútua torna a escalada bélica irracional, incentivando a contenção e a diplomacia/guerra convencional. Assim, a garantia de destruição recíproca atua como um dissuasor permanente. Nesse caso em específico, toda a Europa seria atingida em questão de minutos, não haveria tempo para retaliação, pois há mísseis hipersônicos com ogivas nucleares na Península de Kola, em Kaliningrado e ao longo de toda a fronteira russa e em submarinos no Mar Negro.
2️⃣ Macron acrescentou que: “Aconteça o que acontecer, a decisão sempre permaneceu e permanecerá nas mãos do presidente da República, comandante dos militares”, em relação ao emprego do arsenal nuclear francês. Ele também alertou que a Europa estava “entrando em uma nova era” e que seria “loucura” permanecer como “espectador” da ameaça da Rússia. “Quero acreditar que os Estados Unidos permanecerão ao nosso lado, mas precisamos estar prontos se esse não for o caso.” Embora a França continue comprometida tanto com a OTAN quanto com sua parceria com os Estados Unidos, ela precisa “fazer mais” para fortalecer sua própria “independência em questões de defesa e segurança”, disse Macron. Ele anunciou que convidaria os líderes europeus para uma reunião em Paris na próxima semana para trabalhar em um plano para entregar uma "paz duradoura", que pode incluir o envio de tropas de manutenção da paz para a Ucrânia "assim que a paz for assinada" para impedir que a Rússia invada novamente.
3️⃣ Seus comentários foram feitos depois que o provável próximo chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu negociações com a França e o Reino Unido da Grã-Bretanha — as duas potências nucleares da Europa — para estender sua proteção nuclear. Macron já havia concordado com essa ideia antes, dizendo a uma TV portuguesa no mês passado: “Se meus colegas líderes europeus querem avançar em direção a uma maior autonomia e capacidade de dissuasão, bem, devemos abrir essa discussão.” E na segunda-feira, ele disse ao jornal francês Le Parisien, em comentários confirmados pelo Palácio do Eliseu, que “os europeus que desejam aprofundar o diálogo conosco [sobre a questão da dissuasão nuclear] poderiam... se envolver com os exercícios de dissuasão [dos militares franceses]”. Macron então enfatizou a necessidade de apoio contínuo a Kiev e capacidades militares europeias mais fortes. Ele declarou: "A Rússia se tornou, hoje e por muito tempo, uma ameaça à França e à Europa."
4️⃣ Ele questionou se a Rússia de Putin pararia depois da Ucrânia, especialmente porque o país continua se rearmando mais do que nunca e lança dúvidas sobre sua capacidade de convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "A Rússia, sob o comando do presidente Putin, está violando nossas fronteiras para assassinar oponentes, manipulando eleições na Romênia e na Moldávia, organizando ataques cibernéticos contra nossos hospitais para interromper suas operações, tentando manipular nossas opiniões com mentiras espalhadas nas redes sociais e, no fundo, testando nossos limites", disse Macron. Macron alertou que a Rússia “já transformou o conflito ucraniano em um conflito mundial” ao violar “nossas fronteiras para assassinar opositores”, “manipular eleições na Romênia e na Moldávia”, organizar “ataques digitais contra nossos hospitais” e tentar manipular “nossas opiniões com mentiras difundidas nas redes sociais”. E reafirmou que Forças militares de países europeus podem ser enviadas à Ucrânia se um acordo de paz for assinado para garantir que a "Rússia não volte a invadir o país vizinho".
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