Governo dos Estados Unidos declara embaixador da África do Sul persona non grata


Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe

🚩 Os Estados Unidos estão expulsando o embaixador da África do Sul em Washington, com o Secretário de Estado Marco Rubio dizendo que ele "não é mais bem-vindo em nosso grande país". Em uma publicação no X, Rubio acusou o embaixador Ebrahim Rasool de "odiar os Estados Unidos e o presidente Donald Trump". Ele o descreveu como um "político que provoca rac1smo", acrescentando "não temos nada a discutir com ele". O movimento raro marca o mais recente acontecimento nas crescentes tensões entre os dois países. Em sua postagem de sexta-feira, Rubio colocou um link para um artigo do veículo de direita Breitbart que citou alguns dos comentários recentes de Rasool feitos durante uma palestra online sobre o governo Trump. "O que Donald Trump está lançando é um ataque ao poder, àqueles que estão no poder, mobilizando uma supremacia contra o poder, em casa... e no exterior", disse Rasool no evento. Ele acrescentou que o movimento Maga foi uma resposta "a dados muito claros que mostram grandes mudanças demográficas nos EUA, nas quais o eleitorado... deverá se tornar 48% branco".
⚠️ Em resposta, Rubio declarou Rasool de "Persona non grata" que é um termo jurídico-diplomático utilizado para declarar que um representante estrangeiro (como um embaixador, diplomata ou funcionário de uma missão diplomática) não é mais aceito pelo país anfitrião. Essa declaração resulta na expulsão do indivíduo do território nacional. A postagem de Rubio foi feita quando ele deixava o Canadá após uma reunião com ministros das Relações Exteriores. Os laços entre os Estados Unidos e a África do Sul vêm se deteriorando desde que Trump assumiu o poder. O presidente dos Estados Unidos assinou uma ordem executiva no mês passado que congela a assistência à África do Sul. A ordem faz referência a "ações flagrantes" da África do Sul e cita "discriminação racial injusta" contra africâneres brancos - aqueles que descendem de colonos holandeses. A ordem também faz referência a uma nova lei, a Lei de Expropriação, que, segundo a ordem, tem como alvo os africâneres ao permitir que o governo tome terras privadas.

‼️ "Enquanto a África do Sul continuar a apoiar maus atores no cenário mundial e permitir ataques violentos contra fazendeiros inocentes de minorias desfavorecidas, os Estados Unidos interromperão a ajuda e a assistência ao país", de acordo com uma declaração da Casa Branca. O governo da África do Sul nega que sua lei esteja relacionada à raça. Um folheto informativo da Casa Branca afirma que o país "discrimina descaradamente os descendentes de minorias étnicas de grupos de colonos". Embora diplomatas de escalão inferior sejam às vezes expulsos, é altamente incomum nos Estados Unidos que isso aconteça com um funcionário de alto escalão, como um embaixador estrangeiro. Nem os Estados Unidos nem a Rússia tomaram tais ações um contra o outro, mesmo em meio às tensões durante a Guerra Fria. Rasool é um diplomata veterano que serviu como embaixador de seu país nos Estados Unidos de 2010 a 2015, durante o governo Obama. O retorno de Rasool a Washington em janeiro já era controverso por causa de sua defesa anti-Israel.

❗️Rasool é muçulmano e tem sido um crítico vocal de Israel, chamando seu tratamento aos palestinos em Gaza de "genocídio" e acusando-o de apartheid. Ele foi um proeminente defensor do caso da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça. Antes da publicação de Rubio no X, o site de notícias Semafor Africa já havia relatado que Rasool estava "lutando para garantir reuniões cruciais em Washington"  com autoridades do Departamento de Estado e figuras republicanas importantes. Vítima do sistema de apartheid da África do Sul, Rasool se tornou um ativo ativista antiapartheid, cumprindo pena na prisão e se identificando como camarada do primeiro presidente do país pós-apartheid, Nelson Mandela. Mais tarde, ele se tornou político no partido político Congresso Nacional Africano de Mandela. A expulsão do embaixador, uma atitude altamente incomum dos Estados Unidos, é o mais recente acontecimento nas crescentes tensões entre o governo Trump e a África do Sul.

▶️ Em fevereiro, Trump congelou a ajuda dos Estados Unidos à África do Sul, citando uma lei no país que, segundo ele, permite que terras sejam confiscadas de fazendeiros brancos. O presidente dos Estados Unidos alega que a África do Sul está mirando fazendeiros brancos minoritários com uma nova lei que permite ao governo expropriar terras privadas. O bilionário sul-africano Elon Musk, um dos maiores apoiadores de Trump, acusou abertamente o governo do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa de ter "leis de propriedade racistas". O governo da África do Sul negou mais uma vez que sua nova lei esteja vinculada à raça e diz que as alegações de Trump estão cheias de desinformação e distorções disseminadas por supremacistas brancos. Quase todos os países ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos, têm leis de desapropriação semelhantes que permitem que governos adquiram terras para necessidades públicas, incluindo estradas, escolas e outras infraestruturas públicas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Guerra entre Tailândia e Camboja teve início após ataque da artilharia cambojana

👑 NOVOS CHEFES DE ESTADO, CHEFES DE GOVERNO E LÍDERES QUE CHEGARAM AO PODER EM SETEMBRO DE 2025 🗳

Trump está apoiando o separatismo de Alberta para dividir o Canadá