Estados Unidos votaram com a Rússia em resoluções na ONU contrárias aos interesses da Ucrânia
Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe
⚠️ Os Estados Unidos apoiaram a Rússia duas vezes em votações nas Nações Unidas para marcar o terceiro aniversário da Guerra da Ucrânia, destacando a mudança de posição do governo Trump sobre o conflito. Primeiro, os Estados Unidos se opuseram a uma resolução elaborada pela Europa condenando as ações de Moscou e apoiando a integridade territorial da Ucrânia — votando da mesma forma que a Rússia e seus principais aliados Coreia do Norte e Belarus na Assembleia Geral da ONU (AGNU) em Nova York. Em seguida, os Estados Unidos elaboraram e votaram uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que pedia o fim do conflito, mas não continha nenhuma crítica à Rússia. O Conselho de Segurança aprovou a resolução com um alinhamento raríssimo entre Estados Unidos, Rússia e China.
‼️No entanto, dois importantes aliados dos Estados Unidos, não votaram: O Reino Unido da Grã-Bretanha e a França, se abstiveram depois que suas tentativas de alterar o texto foram vetadas. As resoluções da ONU foram apresentadas quando o presidente francês Emmanuel Macron visitou o presidente Donald Trump na Casa Branca, em uma tentativa de diminuir suas profundas diferenças sobre a guerra. Na quinta-feira, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, também visitou Trump. A Casa Branca de Trump derrubou a aliança transatlântica, ganhando a simpatia de Moscou e lançando dúvidas sobre o comprometimento de longo prazo dos Estados Unidos com a segurança europeia. Essa divergência foi exposta na Assembleia Geral da ONU, composta por 193 membros, na segunda-feira, quando diplomatas estadunideses promoveram sua resolução limitada lamentando a perda de vidas durante o "conflito Rússia-Ucrânia" e pedindo um rápido fim para ele.
❗️ Diplomatas europeus apresentaram um texto mais detalhado, culpando a Rússia pelo que chamaram de "invasão em grande escala" e apoiando a soberania e a integridade territorial da Ucrânia. "Precisamos reconfirmar que a agressão deve ser condenada e desacreditada, não recompensada", disse a vice-ministra das Relações Exteriores da Ucrânia, Mariana Betsa. Os membros da Assembleia Geral apoiaram a resolução europeia por 93 votos, mas, extraordinariamente, os Estados Unidos não se abstiveram, mas votaram contra, juntamente com a Rússia, Israel, Coreia do Norte, Sudão, Belarus, Hungria e outros 11 Estados, com 65 abstenções. A Assembleia Geral também aprovou a resolução dos Estados Unidos, mas somente depois que ela foi alterada para incluir uma linguagem de apoio à Ucrânia, o que levou os Estados Unidos a se absterem.
📢 No Conselho de Segurança da ONU, muito mais poderoso, composto por 15 membros, a resolução inalterada dos Estados Unidos — que pedia o fim do conflito, mas não continha críticas à Rússia — foi aprovada por 10 votos, com abstenções do Reino Unido da Grã-Bretanha, França, Dinamarca, Grécia e Eslovênia. Dos p5 (p-five) os 5 que detém poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, 3 votaram juntos (Rússia, China e Estados Unidos) e 2 se abstiveram (Reino Unido da Grã-Bretanha e França). A enviada interina dos Estados Unidos na ONU, Dorothy Camille Shea, descreveu a resolução dos Estados Unidos como uma "simples declaração histórica... que olha para frente, não para trás. Uma resolução focada em uma ideia simples: acabar com a guerra". Raramente os Estados Unidos estiveram tão em desacordo com seus supostos aliados europeus. Desde o início da guerra da Ucrânia há três anos, o Conselho de Segurança está em um impasse devido ao poder da Rússia, um dos seus cinco membros permanentes, de vetar qualquer resolução.
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