Estados Unidos suspendem toda a ajuda militar à Ucrânia e Europa fala em se rearmar
Por Marcus Paiva
Jornalista e Editor-Chefe
🚩 "Iremos rearmar a Europa urgentemente", "Queremos que os Estados Unidos saibam que defenderemos a democracia", disse Ursula von der Leyen, presidente da comissão Europeia. Von der Leyen, apresentou na terça-feira um plano para reforçar a indústria de defesa da Europa e aumentar as capacidades militares. "Estamos em uma era de rearmamento, e a Europa está pronta para aumentar enormemente seus gastos com defesa", disse Von der Leyen. Ela disse que o plano, apelidado de "ReArm Europe", poderia mobilizar cerca de € 800 bilhões (US$ 841,5 bilhões). O anúncio foi feito depois que Washington suspendeu toda a ajuda militar à Ucrânia, dias após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, humilhar o líder ucraniano Volodymyr Zelensky no Salão Oval.
⚠️ Von der Leyen delineou o plano de cinco pontos em um momento crítico para o futuro da segurança europeia. Uma delas é uma proposta para suspender regras orçamentárias rígidas para permitir que os Estados-membros aumentem "seus gastos com defesa sem acionar o procedimento de déficit excessivo", disse Von der Leyen. Ela se referiu a um mecanismo criado para garantir a estabilidade das finanças públicas, pois obriga os governos a reduzir os níveis de déficit caso o limite de 3% do PIB seja violado. "Portanto, se os estados-membros aumentassem seus gastos com defesa em 1,5% do PIB, em média, isso poderia criar um espaço fiscal de quase € 650 bilhões em um período de quatro anos", disse Von der Leyen aos repórteres. Como parte do plano, a comissão também fornecerá € 150 bilhões em empréstimos aos governos da UE para defesa. Von der Leyen também destacou a necessidade de melhorar o equipamento militar, que inclui defesa aérea e antimísseis, sistemas de artilharia, mísseis e munições, drones e sistemas antidrone e preparação cibernética.
1️⃣ O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu nesta segunda-feira (3) toda a ajuda militar à Ucrânia após a discussão com o líder ucraniano Volodymyr Zelensky na Casa Branca na semana passada. "O presidente deixou claro que está focado na paz. Precisamos que nossos parceiros também estejam comprometidos com esse objetivo. Estamos pausando e revisando nossa ajuda para garantir que ela esteja contribuindo para uma solução", disse o comunicado da Casa Branca. A situação ficou pior quando Zelensky foi procurar ajuda de líderes europeus e disse que "o fim da guerra está "muito, muito distante". Trump disse que o líder ucraniano não quer a paz e escreveu na sua rede social: "Esta é a pior declaração que poderia ter sido feita por Zelensky, e a América não vai tolerar isso por muito mais tempo!" O contato direto de Trump com o presidente russo Vladimir Putin para acabar com a guerra na Ucrânia desestabilizou as relações transatlânticas.
2️⃣ A atual ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, chamou o plano de Von der Leyen de "um primeiro passo importante". "Duas coisas são agora essenciais para a paz através da força: ajuda adicional — militar e financeira — para a Ucrânia, que está defendendo nossa liberdade. E um salto quântico para fortalecer nossa defesa da UE", Baerbock escreveu em um post no X. O Kremlin criticou a iniciativa europeia de prolongar o conflito. "A França decidiu recentemente adotar uma posição de apoio total à continuação do conflito na Ucrânia por todos os meios," disse o porta-voz do governo russo Dmitry Peskov. Elon Musk declarou recentemente que "é hora dos Estados Unidos deixarem a OTAN e a ONU".
3️⃣ O governo cessante da Alemanha criticou as exigências de Putin no acordo que está sendo negociado com Trump. "A demanda da Rússia pela desmilitarização da Ucrânia é inaceitável", diz o chanceler Scholz “A Rússia também deve participar do acordo sobre a Ucrânia. Mas não deve ditar os termos", completou o Chanceler alemão cessante. “A Europa acordou. "A União Europeia, a Ucrânia, a Grã-Bretanha, a Noruega, a Turquia — todos falam em uníssono sobre assistência à Ucrânia, cooperação estreita e fortalecimento da fronteira oriental. disse o Primeiro-ministro polonês Donald Tusk. "A última mudança na política dos Estados Unidos levantou preocupações entre os líderes europeus, particularmente em relação à Ucrânia e à segurança europeia", declarou o Ministro das Relações Exteriores da Turquia.
4️⃣ Friedrich Merz, o próximo chanceler alemão disse que a administração Trump não se importa com a Europa e está se alinhando com a Rússia. Os comentários de Merz marcam um divisor de águas histórico: eles revelam o quão profundamente Trump abalou as bases políticas da Europa, que depende das garantias de segurança americanas desde 1945. Se ele seguir com sua retórica após montar um novo governo nas próximas semanas, Merz conduzirá a Europa em uma nova direção radical em um momento crítico para a segurança da Ucrânia e de toda a região. “Minha prioridade absoluta será fortalecer a Europa o mais rápido possível para que, passo a passo, possamos realmente alcançar a independência dos Estados Unidos ”. Merz, um atlantista convicto que passou boa parte de sua carreira profissional como advogado trabalhando com e para empresas estadunideses, não parou por aí, ele sugeriu que a Europa pode precisar elaborar uma nova estrutura de defesa para substituir a OTAN. Na sexta-feira, Merz sugeriu que era hora de uma cooperação nuclear entre a França, o Reino Unido da Grã-Bretanha e a Alemanha para substituir o guarda-chuva nuclear estadunidense.
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